Manaus, 24 de Abril de 2017
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Perspectiva de aquecimento no setor

Por: Hellen Miranda hmiranda@jcam.com.br
24 Fev 2017, 22h08

O aumento do limite de financiamento de imóveis com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para R$ 1,5 milhão anima o setor da construção civil do Amazonas. O novo valor entrou em vigor nesta última segunda-feira (20) e vai até 31 de dezembro de 2017 em todas as regiões do país. Antes o trabalhador amazonense só poderia usar o benefício para a compra da casa própria até R$ 800 mil. Segundo empresários, a medida beneficiará principalmente a classe média e proporcionará o crescimento nas vendas de imóveis estocados, além apresentação de novos empreendimentos e geração de empregos no setor.
A última elevação do limite de financiamento com FGTS ocorreu em novembro do ano passado, quando o CMN (Conselho Monetário Nacional) decidiu que o teto do Amazonas subisse de R$ 600 mil para R$ 800 mil. Na ocasião os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio e Distrito Federal passaram de R$ 750 mil para R$ 950 mil. De acordo com a medida, o imóvel poderá ser financiado dentro das regras do SFH (Sistema Financeiro de Habitação), que possui os juros mais baixos (até 12% ao ano).

Na avaliação do presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank do Carmo Souza, o teto temporário para o uso de FGTS proporcionará um crescimento importante nas vendas de imóveis da região. "Os de R$ 800 mil a R$ 1,5 milhão vendidos nessa nova oportunidade terão juros menores e prazos melhores, o que refletirá no aumento das vendas de imóveis estocados que ainda é alto no Estado. Além disso, possibilitará a construção de novos empreendimentos e a geração de mais empregos neste setor", afirmou. Segundo Souza, 30% dos imóveis no Amazonas se enquadram nessa faixa de preço.

Segundo o representante, a medida complementa as demais já anunciadas pelo governo federal, que busca estimular a construção civil brasileira. "Com o anúncio da redução da inflação até o fim deste ano, as mudanças nas regras do MCMV (Minha Casa Minha Vida) que deve lançar 600 mil unidades em 2017 e ampliação de valores do programa levando em consideração a renda familiar, todo esse conjunto de medidas tende a melhorar o cenário da construção civil justamente por ser o setor que mais gera emprego", avaliou Souza destacando que, a projeção de crescimento no Estado para este ano é de 5%.

Para o presidente da Ademi-AM (Associação das empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), Romero Reis, todos os segmentos econômicos estão necessitando de medidas para a retomada de crescimento. Ele comenta que a elevação do limite de financiamento de imóveis com recursos do FGTS beneficiará principalmente a classe média, uma vez que o MCMV vem ao encontro de classes menores. "Atualmente, 40% dos empreendimentos no Amazonas são do Programa Minha Casa Minha Vida e os 60% restantes correspondem a outros tipos de imóveis. Sem dúvidas, o MCMV gera novos negócios e postos de trabalhos", disse.

Reis alerta que apesar das expectativas animadoras, as medidas levam tempo para fazer efeito na economia e projeta os bons resultados somente a partir do segundo semestre deste ano. "Como a medida da redução de taxas de juros que hoje está em torno de 13%, vem caindo e a estimativa é que baixe um digito até o fim de 2017. Só colhemos o que plantamos", sentenciou. O empresário estima que a partir dessas medidas o índice de desemprego da construção civil do Estado diminuirá significativa.

"Esse indicador inclusive já estagnou, mostrando que o saldo entre as contratações e demissões deverá ser positivo. Isso é reflexo que a economia volta a aquecer com resultados sentidos a partir do segundo semestre, como já mencionei", reforçou o presidente da Ademi-AM.

Reis adiantou ainda que no próximo mês haverá um evento para divulgação do balanço do setor imobiliário do Amazonas em 2016 e na ocasião também será anunciado a projeção real para este ano.

Novas regras no MCMV
O presidente Michel Temer anunciou ajustes nas regras do programa, com meta de contratar 600 mil unidades neste ano. O valor máximo de venda do imóvel passará dos atuais R$ 225 mil para R$ 240 mil. As medidas anunciadas pelo governo mudam as regras para quem está nas faixas de renda 1,5, 2 e 3. Para se enquadrar na primeira faixa, a renda total da família precisa ser de até R$ 2,6 mil. Antes, esse limite era menor, de R$ 2,35 mil. Para os que se enquadram na faixa 2, agora é preciso ter uma renda de até R$ 4 mil. Antes dessas mudanças, o limite era de R$ 3,6 mil. Na faixa 3, esse teto de enquadramento subiu de R$ 6,5 mil para R$ 9 mil.

No Amazonas, o reajuste das faixas de renda e também do limite de financiamento devem resultar, conforme a classe patronal, no crescimento de pelo menos 5% da mão de obra do setor e ainda na apresentação de novos empreendimentos. A estimativa é que das 610 mil unidades previstas pelo programa, a nível nacional, 20 mil sejam construídas no Estado.

Para Frank Souza, as mudanças nas regras relacionadas às faixas de renda vão facilitar a venda, ou seja, mais pessoas poderão ter acesso ao programa, com aumento na demanda.
Para Romero Reis, o reajuste das faixas de renda e do limite de financiamento devem atrair mais pessoas ao programa, além de gerar maior possibilidade de novos lançamentos. Ele acredita que novos projetos deverão ser anunciados com mais frequência em Manaus, neste ano.

Segundo o presidente, no último ano o setor contabilizou R$173 milhões gerados por lançamentos imobiliários.

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