Manaus, 22 de Novembro de 2017
Siga o JCAM:

Crise afeta embarques e desembarques

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
12 Abr 2017, 14h09

No primeiro bimestre deste ano a Infraero-Manaus (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) registrou o movimento de 446.4 mil passageiros, entre embarques e desembarques, número que representa queda de 18% em relação a igual período de 2016. Deste total, a maior retração está relacionada à emissão e recepção de bilhetes internacionais, segmento que teve redução de 35% na demanda em comparação ao ano anterior. Segundo a Abav-AM (Associação Brasileira das Agências de Viagens do Amazonas) a instabilidade política e econômica nacional, somada ao menor poder de compra do consumidor, à preocupação com males como as doenças infectocontagiosas e a criminalidade, afetam o interesse do turista estrangeiro no momento da escolha de um destino para viajar.

Conforme o relatório da Infraero, entre janeiro e fevereiro deste ano foram registrados 22,2 mil voos internacionais, entre saída e chegada à capital amazonense. No primeiro bimestre de 2016 esse número chegou a 34,6mil. A queda foi de 35%.

Os voos domésticos somaram 424,2 mil bilhetes nos primeiros meses, enquanto no primeiro bimestre de 2016 o saldo foi de 510,4 mil, com queda de 16%.

Para a diretora de emissivo da Abav-AM (Associação Brasileira das Agências de Viagens do Amazonas) e proprietária da Paradise Turismo, Cláudia Mendonça, a retração nas vendas de passagens aéreas é decorrente da crise política e econômica que continua atingindo o país. Ela explica que o consumidor, em meio ao cenário de problemas econômicos, se sente inseguro para viajar e fazer qualquer gasto. Outro fator agravante, segundo a empresária, é o surto de febre amarela que atinge o país que também inibe o turista, tanto brasileiro, como os estrangeiros a conhecerem destinos turísticos brasileiros.

"A instabilidade econômica e política do país ainda é o maior agravante para que as pessoas deixem de programar viagens. Há uma insegurança quanto aos gastos com viagens, daí temos uma redução no recebimento de turistas na capital. Todos os setores ligados ao turismo estão se mobilizando com o intuito de manter o equilíbrio das vendas dos pacotes turísticos e passagens aéreas, as excursões", informou. "O surto de doenças infectocontagiosas e agora a febre amarela, somada ao alto índice de criminalidade, também prejudica a escolha de Manaus como o destino turístico. Vemos que a Amazonastur (Empresa Estadual de Turismo do Amazonas) se esforça para resolver a situação ao participar de feiras e expor o Amazonas a outros países", completou.

Cláudia reforça que a principal alternativa adotada pelos empresários das empresas turísticas está na oferta de promoções com facilidades nos pagamentos. "As empresas ofertam promoções de passagens aéreas, hoteis, assim como de pacotes turísticos. É uma oportunidade para quem não pode viajar para outros países, mas pode conhecer destinos nacionais com preços mais baixos", disse.

O gerente comercial da agência Amazon Explorers, Andrey Lima, comenta que nos primeiros meses do ano, geralmente, há menor movimento em decorrência da baixa temporada. Porém, ele explica que a situação está agravada devido a crise econômica.

Lima também destaca a menor demanda, no bimestre, pelos destinos internacionais. Ele afirma que nos últimos meses houve redução na frequencia dos voos que saíam de Manaus em direção a Miami (EUA).
"Antes havia voos diários de Manaus para Miami pelas empresas TAM e Copa Airlines. E agora, somente a empresa American Airlines e a TAM operam esse trecho.

A TAM, somente às quinta-feiras, e a Copa Airlines durante quatro dias por semana. Há voos também para o Caribe. Na crise, a primeira despesa a ser suspensa é a do lazer. Tivemos uma queda expressiva na emissão de bilhetes para destinos estrangeiros, em relação a igual período de 2016", comentou.

Conforme Lima, nos primeiros meses do ano as viagens, geralmente, são relacionadas a negócios. "É um período em que as viagens são motivadas por negócios empresariais. É raro uma viagem turística neste período sazonal".

Comentários (0)

Deixe seu Comentário