Manaus, 29 de Maio de 2017
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Fabricantes cobram redução de impostos

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
13 Abr 2017, 13h54

A retração nas vendas e a consequente redução no volume de produção de ar-condicionados põe em risco a continuidade das fabricantes do setor instaladas no PIM (Polo Industrial de Manaus). Preocupada com o desaquecimento produtivo, a Eletros (Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) deve propor, aos empresários do setor, ao governo do Estado e ao Ministério da Fazenda, a redução ou a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) como alternativa para reduzir o valor do produto final e recuperar o índice de comercialização dos produtos. O sindicato ainda alerta para a possibilidade de as fabricantes optarem pela migração das atividades para o Paraguai em decorrência das menores tributações exigidas pelo país estrangeiro.

Conforme a Eletros, números fornecidos pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) mostram que no último ano as vendas de condicionadores de ar de janela registraram queda de 61% em relação a 2015. No mesmo período, a fabricação de equipamentos do modelo split recuou 48%.

Em 2016 a associação contabilizou, em Manaus, cerca de 1,5 milhão de produtos em estoque, o que representou 50% da produção não vendida.

Segundo o presidente da Eletros, Lourival Kiçula, o problema das menores vendas está na redução do poder de compra do consumidor. Ele explica que em um período de cortes no orçamento familiar o cliente opta por utilizar meios alternativos para amenizar o calor, como por exemplo, um aparelho ventilador. No período de inverno, em que as temperaturas são mais baixas, a demanda ainda é menor, segundo o empresário.

Com o intuito de impulsionar o setor e alavancar as vendas, Kiçula adianta que a Eletros trabalha em um levantamento que deverá mostrar a necessidade da diminuição no valor do produto final e propor a redução ou a isenção do IPI cobrado sobre o ar-condicionado. A ideia, segundo ele, é atrair o consumidor com produtos vendidos a preços mais acessíveis.

"Enfrentamos um momento atípico, onde a economia nacional não permite que as pessoas se sintam confortáveis para comprar um ar-condicionado. As pessoas reduzem as despesas e buscam alternativas para fugir do calor. Vemos um desinvestimento silencioso do setor, o que é lamentável", afirma. "O governo de uma forma geral precisa entender, com urgência, a gravidade da situação. Estamos fazendo um levantamento para mostrar aos empresários de Manaus, em conjunto com o governo do Estado e o Ministério da Fazenda, que se houver diminuição do IPI podemos diminuir os estoques e melhorar esse momento. Estamos tentando agendar a apresentação desse trabalho", adiantou.

Para o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, além da questão do mercado, o problema da comercialização do ar-condicionado também é agravado com a determinação do governo federal por meio do PPB que obriga as empresas a comprarem o motor e o compressor, para ar-condicionado de janela, de fabricantes nacionais, o que encarece o produto.

"O governo insiste em não rever o PPB relacionado à produção de ar-condicionados de janela, o que faz com que o produto encareça. Ninguém vai comprar um produto de um modelo anterior por preço aproximado ao que um equipamento moderno é oferecido. É um segmento que concentra total produção em Manaus e que aponta queda", disse. "Há uma retração no consumo com o aumento no índice de desemprego. As pessoas se sentem inseguras de investir e reduzem os gastos", completa.

Custo Brasil inviabiliza competitividade
De acordo com Kiçula, o governo precisa estar atento às condições de competitividade produtiva oferecida por outros países, como por exemplo, o Paraguai, que tem recebido indústrias, do setor de componentes, que deixaram de operar no PIM para atuar no solo estrangeiro. O Paraguai exige menor tributação em relação ao Amazonas.

Segundo o empresário, o PIM é o único polo de fabricação de ar-condicionados fora da Ásia que ainda resiste e mesmo assim, já houve diminuição na quantidade de empresas em operação. Antes, o polo industrial contava com cinco fabricantes de ar-condicionados de janela, mas agora, somente duas estão em funcionamento na capital.

"Devido às condições tributárias e logísticas, com menores custos, há riscos de as empresas migrarem para o Paraguai. O governo brasileiro precisa estar atento e tomar cuidado para que não haja um mercado livre. A logística entre Brasil e o Paraguai é acessível. Porém, o problema que enfrentamos hoje pode ser resolvido com melhores preços. Acredito que a situação pode mudar e acredito na continuidade do PIM. Mas, com certeza, o empresário vai trabalhar onde tiver melhor condição para ganhar dinheiro", conclui.

Na avaliação de Wilson Périco, caso o governo federal não tome providências quanto às questões internas do país, há riscos de o Amazonas e os demais Estados perderem as fabricantes para outros países como o Paraguai, o México e China, por exemplo. "Não há informações de empresas de produtos com alta tecnologia que tenham migrado a produção, mas se nada for feito quanto às questões internas do país, há riscos de perdermos empresas não só para o Paraguai, mas também para outros países. Há empresas que já operam em outro país como o México e a China, por exemplo, e no caso não precisará investir em outro lugar e fará somente o fornecimento a partir da unidade estrangeira", avaliou.

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