Manaus, 29 de Maio de 2017
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Tudo pela Amazônia. Selva!

Por: Evaldo Ferreira eferreira@jcam.com.br
13 Abr 2017, 19h27

"Considerando-se a construção do Forte do Presépio na baía de Guajará, do qual se originou a cidade de Belém, o ano de 1616 é um referencial importante para marcar a chegada do Exército à Amazônia, até porque o forte serviu de ponto de partida para as expedições que desbravaram o interior da região, possibilitando a conquista do território", falou do Rio de Janeiro ao Jornal do Commercio o escritor Israel Blajberg.

Israel é vice-presidente da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira e presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil.

E nesses 401 anos o Exército não mais saiu da região. "Sim. Quatro séculos de presença militar na Amazônia. E muito contribuíram para o seu desenvolvimento, como o capitão-general Mendonça Furtado, cujo nome foi atribuído à 12ª Região Militar, sediada em Manaus. Furtado era irmão do Marquês de Pombal e criou, em 1775, a Capitania de São José do Rio Negro, embrião do atual Estado do Amazonas", disse.

106 anos antes, em 1669, os militares haviam construído o Fortim de São José do Rio Negro, que deu origem a Manaus. Durante o período em que o Marquês de Pombal foi primeiro-ministro de Portugal, de 1750 a 1780, foram construídas 20 fortalezas ao longo do rio Amazonas. "A partir de 1840 foram criadas quatro Colônias Militares, precursoras dos atuais Pelotões Especiais de Fronteira", completou.

Já no século 20, o destaque vai para Cândido Mariano Rondon, o Marechal da Selva, "que estendeu linhas telegráficas para o oeste, interligando a Amazônia, até então isolada, entre 1907 e 1915", lembrou Blajberg.

30 mil militares
Curiosamente, a partir do declínio do comércio da borracha, que enriquecera a Amazônia entre 1890 e 1910, a região foi negligenciada, inclusive pelos militares. "Não sei dizer porque, mas a Amazônia ficou sujeita ao descaso e a tragédias, como a construção da ferrovia Madeira-Mamoré e à hecatombe dos soldados da borracha, dizimados na mata. A situação só começou a se reverter a partir de 1967, com a criação da Zona Franca de Manaus, e a transferência de substanciais contingentes militares para a região. Até aquele período, menos de mil homens guarneciam a gigantesca área", explicou.

"Hoje não resta a menor dúvida que se torna a cada dia mais premente o fortalecimento da presença militar na Amazônia, priorizando-se o Comando Militar da Amazônia, com as BIS (Brigadas de Infantaria de Selva), o CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva) e os Pelotões de Fronteira", lembrou.

O Exército conta com aproximadamente 30 mil homens e mulheres na Amazônia, com cinco Brigadas de Infantaria de Selva estrategicamente localizadas, cinco Comandos de Fronteira (Roraima, Solimões, Rio Negro, Acre e Rondônia), totalizando onze Batalhões de Infantaria de Selva, dois Grupos de Artilharia de Campanha de Selva (Marabá e Boa Vista), e bases e unidades de apoio logístico, de comunicações, Polícia do Exército e esquadrões mecanizados. "Há duas Regiões Militares na Amazônia (a 8ª, em Belém e a 12ª, em Manaus). O 2º Grupamento de Engenharia possui quatro Batalhões de Engenharia e Construção (em Porto Velho, Boa Vista, Rio Banco e Santarém), e uma Companhia em São Gabriel da Cachoeira. Há um Depósito de Suprimento em Manaus, uma Base de Suprimento em Belém, dois Parques de Manutenção, uma Comissão Regional de Obras, três Circunscrições do Serviço Militar, seis hospitais, um Centro de Embarcações,18 Tiros de Guerra, uma Base de Aviação, e o Colégio Militar de Manaus", listou.

Militares judeus na Amazônia
Israel tem dois livros lançados, "Soldados que vieram de longe", no qual mostra a participação de combatentes brasileiros judeus durante a Segunda Guerra; e "Estrela de David no Cruzeiro do Sul". Deste segundo, inclusive, foi feito um documentário. Os dois livros tiveram lançamento em Manaus.
'Estrela de David no Cruzeiro do Sul' traz algumas biografias de militares brasileiros judeus oriundos da região amazônica, recordando a trajetória de inúmeros deles, de soldado a general. "Há 200 anos, esses seguidores da Lei de Moisés aportaram na Hiléia Amazônica. Deixavam o Marrocos sofrido em busca de um futuro onde pudessem exercer livremente sua religião. Um dos grandes nomes de militar judeu é o general Abraham Ramiro Bentes. Ogeneral Ernesto Geisel o chamava de 'Professor'. Ramiro Bentes conciliou a carreira militar com as tradições herdadas de seus antepassados que aportaram na Amazônia", escreveu.

"Segundo o professor Samuel Benchimol, notável estudioso da cultura amazônica, haveriam no mínimo 50 mil descendentes daqueles judeus marroquinos na Amazônia, número este que poderia chegar a quase 300 mil, a imensa maioria, infelizmente, já afastada do judaísmo.Nomes como o coronel médico da FAB Rafael Benchimol, que na década de 1950 estudou doenças oftalmológicas endêmicas da região. A família Benchimol também deu ilustres soldados e marinheiros às Forças Armadas, como o general Aron Benchimol e o comandante Isac Benchimol (pai e filho)", finalizou.

Israel visita a fronteira
"O clarim executa um toque de general de Brigada, e a banda o exordio, assustando um bando de pássaros, que alça voo descrevendo uma trajetória ascendente. Ao som da Canção da Infantaria, adentramos o aquartelamento por entre as fileiras dos guerreiros de selva, dirigindo-nos para a plataforma, onde assistiremos ao desfile. As construções são de madeira, a área é bastante extensa, limpa e organizada. Boa parte dos soldados são índios, braços e rostos camuflados com pintura negra e verde. Mal se descortinam suas feições, apenas os dentes alvos se destacam. Na manga esquerda, todos trazem a bandeira do Brasil. O céu claro e brilhante das primeiras horas da manhã ilumina uma paisagem verde de selva e montanhas distantes. O ambiente parece impregnado de silêncio. Um Grupo de Combate de cada etnia adianta-se de cada vez, mostrando suas armas: arco e flecha, borduna, zarabatanas, e cada povo da floresta declama o dístico da selva em baniwa, yanomami, e assim por diante: A selva nos une. Tudo pela Amazônia. Selva!".

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