Manaus, 23 de Julho de 2017
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Carreira militar como vocação

Por: Artur Mamede amamede@jcam.com.br
17 Abr 2017, 13h54

Seguir carreira militar pulando etapas e já iniciando com altos salários é meta para quem procura os concursos para praças e oficiais das forças armadas. Com vagas oferecidas a candidatos de nível médio, técnico ou superior, ser militar tem sido a opção para músicos, dentistas, engenheiros, farmacêuticos, jornalistas e outros. Os concursos também são opções para quem teme a grande concorrência dos editais mais tradicionais. Os custos com os preparatórios, que a princípio assustam, devem ser encarados como investimentos, dizem concurseiros, professores e militares.

Segundo o site Ache Concursos (www.acheconcursos.com.br), os processos seletivos de cada órgão possuem suas peculiaridades e homens e mulheres têm a possibilidade de ingressar no serviço militar desde os postos originais até iniciar a carreira através de níveis escolares fundamental, médio ou superior, mediante aprovação em concurso, em alguma das Escolas de Formação específicas de cada Força.

Há quatro meses em preparação para concurso na área de segurança (nível médio), Fillipe Nogueira Rosa, que é ex-militar, espera voltar a caserna como sargento. "De início me atraíram os bons salários e contou muito a minha experiência no Exército. Dessa vez a opção foi pela Aeronáutica que com o salário de R$ 3,5 mil é maior que o oferecido pelo Exército na mesma área. E esse salário é ainda maior para o nível técnico", disse o estudante de 21 anos.

O estudante afirma ser baixo o investimento quando comparado aos ganhos. "O curso preparatório que faço é muito bom, os valores são acessíveis e os professores são militares e formados na área que busco ingressar. São dois anos de preparação, mas ter professores como colegas facilita. Existe a camaradagem de dar dicas sobre o conteúdo de provas e outras iniciativas que dão mais segurança", afirma Fillipe.

Fillipe ressalta que os salários garantem uma vida tranquila. "Sei da enorme concorrência, são apenas 80 vagas para todo o Brasil, mas tenho me preparado e recebo apoio da família. Sendo aprovado nessas primeiras etapas, é hora da matrícula no EEAR (Escola de Especialistas de Aeronáutica) na cidade paulista de Guaratinguetá. Após a aprovação, talvez não seja tão difícil mudar de cidade e me adaptar, serão mais dois anos de preparação até a patente de oficial", conclui.

As provas objetivas estão marcadas para o dia 14 de maio e serão aplicadas nas cidades de Belém (PA), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Santa Maria (RS), Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Canoas (RS), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Salvador (BA), São José dos Campos (SP), Campo Grande (MS), Curitiba-PR e Porto Velho (RO) e Manaus.

Vantagens de ser concursado
A vida de concursos para a carreira militar começa ainda na infância, diz o médico e ex-militar Giuseppe Vieira. "A vida de concurseiro inicia na infância quando se tenta ingressar em qualquer um dos 13 Colégios Militares no Brasil. Já para o adulto civil, ou que acabou o tempo de serviço militar obrigatório, os concursos são vantajosos por conta dos bons salários e pela estabilidade, a mesma que um servidor público", ressalta Vieira.

Ainda sobre salários, Vieira enumera as profissões mais promissoras no serviço militar. "Aos poucos as forças armadas se abriram aos civis que podem permanecer certo período por contrato, ou se tornarem oficiais. Das tradicionais engenharia e área de saúde, hoje o leque conta com jornalismo, arquitetura e muitas outras. Um dos empregos mais concorridos é o da CIABA (Centro de Instrução Almirante Brás Aguiar) em Belém (PA). O trabalho é árduo junto a Marinha Mercante, mas os salários são em dólar", afirma.

Mas a vida de oficial tem uma ou outra desvantagem. De acordo com o médico, as constantes transferências impedem de se juntar patrimônio. "A cada transferência, de dois em dois anos, na maioria das veze o oficial precisa se desfazer de móveis, automóveis e imóveis. Ainda assim, é uma ótima carreira", comenta.

Mulheres nas academias
Atualmente, o sexo feminino representa 7,6% do efetivo total de militares brasileiros -28 mil em um universo de 368 mil.

A FAB (Força Aérea Brasileira) foi a força armada pioneira em aceitar mulheres em seu contingente que hoje é de 10.892 mulheres.

A partir da década de 1980, abriu-se espaço também no Exército e na Marinha, mas sempre em cargos administrativos ou de formação específica, como médicas, advogadas, jornalistas. Por meio da lei 12.705, mulheres estão em processo de formação nas academias Escola Naval, Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) e AFA (Academia da Força Aérea).

Remunerações
Os salários dos militares das Forças Armadas (atualizados em janeiro de 2017) se dão de acordo com o posto assumido. Na classe dos Praças Especiais (aspirantes e cadetes, alunos do Centro de Formação de Oficiais da Aeronáutica, aluno de Órgão de Formação de Oficiais da Reserva) o salário inicial de R$ 1.054. Aspirante e cadete (último ano) e aluno do Instituto Militar de Engenharia (último ano) recebem R$ 1.298. Já o Guarda-Marinha e aspirante a oficial têm vencimentos na ordem de R$ 6.268.

Em relação aos sargentos e cabos, os proventos somam R$ 3.325 para classe inicial de 3º sargento, passando para R$ 4.060 de 2º sargento e para R$ 4.695 alcançando o grau de 1º sargento. O cabo na classe não engajado percebe R$ 818 e o cabo engajado e Taifeiro Mor, R$ 2.243.

Na classe de Oficiais Subalternos, os segundo-tenentes possuem salário de R$ 6.673 e o primeiro-tenente R$ 7.350. Quanto aos oficiais intermediários, os salários são de R$ 7.861 para capitão-tenente e capitão. Os oficiais superiores recebem R$ 9.860 para capitão de corveta e major; R$ 10.044 para capitão de fragata e tenente-coronel; e R$ 10.229 para capitão de mar e guerra e coronel.

O maior posto fica com os oficiais generais, que possuem as seguintes remunerações: contra-almirante, general de brigada e brigadeiro: R$ 11.196; vice-almirante, general de divisão e major-brigadeiro: R$ 11.574; almirante de esquadra, general de exército e tenente-brigadeiro: R$ 12.076; e almirante, marechal e marechal do ar que recebem R$ 12.578 (com informações do Ministério da Defesa).

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