Manaus, 29 de Maio de 2017
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Prejuízos de R$ 4,4 milhões com cheias

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
18 Abr 2017, 14h18

A cheia dos rios no Estado já resulta em perdas agrícolas estimadas em mais de R$ 4,4 milhões. Entre os cultivos mais afetados estão a produção de banana, com prejuízo de R$ 1,9 milhão, e de mandioca, com o ônus de R$ 1,1 milhão. Os números são do Levantamento das Perdas Agrícolas da Cheia de 2017 divulgados pelo Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas). De acordo com o órgão, apesar dos danos os produtos ainda atendem à demanda local.

De acordo com o diretor de assistência técnica e extensão rural do Idam, Luiz Carlos do Herval Filho, em decorrência do aumento no volume das águas e as perdas dos plantios, pode haver menor disposição de produtos como a banana, a mandioca e as hortaliças para a venda, além do aumento nos valores cobrados pelos itens. Ele informa que até o momento houve perda de 1.970 toneladas de banana, com prejuízos de R$ 1,9 milhão. Em relação à mandioca, houve perdas de 292 toneladas, total que representa R$ 1,1 milhão.

Filho informa que caso as águas atinjam os municípios localizados na Região Metropolitana de Manaus, como por exemplo Manacapuru, há riscos de os plantios de mamão, malva e maracujá serem afetados com maior intensidade.

Conforme o relatório, até o início deste mês houve perdas de 355 toneladas de mamão, contabilizando prejuízos de R$ 533,2 mil.

"Toneladas de produtos são perdidas e o consumo continua, o que consequentemente pode resultar na falta do produto nas prateleiras dos supermercados e feiras e ainda na alta dos preços. Banana e as hortaliças são produtos que devem ficar um pouco mais caros nos próximos meses, caso as águas continuem subindo com intensidade", disse.

O diretor comenta que a cada ano as cheias acontecem com mais constância e em maiores volumes e a alternativa, para o produtor, é investir no plantio de culturas com menores ciclos que gerem menores possibilidades de perdas. "O problema iniciou no mês de fevereiro e a tendência, na Região Metropolitana e no Baixo Amazonas, é que as águas continuem subindo em maio e junho. A vazante e a cheia são ocorrências cíclicas e a única forma de os produtores se precaverem é plantando em menores ciclos. O governo do Estado acompanha a situação para dentro das possibilidades contribuir para a recuperação da situação desses produtores", destaca.

Conforme o relatório, até o momento 266 famílias foram afetadas. O valor total das perdas foi de R$ 4.484.153.

Conforme Filho, o governo do Estado trabalha em uma ação conjunta que reúne diversas secretarias que atendem as áreas de assistência social. "O governo está mobilizado em atender as famílias atingidas pela enchente fazendo remoção das famílias, buscando moradias provisórias, alimentação. No caso do Idam, procuramos atender aos produtores principalmente com foco na recuperação da área prejudicada. Atuamos dentro dos limites orçamentários na compra de sementes para repor o plantio".

Segundo o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas), Muni Lourenço, ainda não há reflexos significativos no mercado da capital, com o desabastecimento dos produtos agrícolas, o que pode acontecer caso a subida das águas mantenha o ritmo pelos próximos meses. Para ele, as ações principais, neste momento, devem estar centralizadas no levantamento de medidas para minimizar os impactos econômicos ocasionados pela enchente. "Ainda não sentimos um impacto com falta de alimentos cultivados nas áreas de várzea, mas isso pode ocorrer caso o volume de subida das águas mantenha o nível registrado atualmente", disse. "No contexto de mudanças climáticas vemos cheias que vão além dos parâmetros de normalidade e com maiores constâncias. É uma situação preocupante. É importante que haja medidas humanitárias às famílias afetadas e também que haja condições de renegociações de dívidas junto às instituições bancárias", completou.

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