Manaus, 22 de Novembro de 2017
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Flexibilidade de contratos é atrativo

Por: Artur Mamede amamede@jcam.com.br
18 Abr 2017, 14h22

Com um novo ciclo favorável previsto apenas para 2018, o mercado imobiliário nos últimos meses vem se sustentando com as locações de imóveis. Enquanto isso, os imóveis novos continuam nos estoques das incorporadoras a espera de interessados. No Amazonas se replica o que acontece em todo o Brasil: falta de crédito, desemprego inviabilizando novos negócios e nem mesmo a liberação do FGTS e elevação do limite de financiamento através do benefício parece ter aquecido o mercado, dizem especialistas e fontes ligadas ao mercado de corretagem.

Previsões de melhora
O panorama macroeconômico têm posto o mercado em alerta, mas segundo o presidente da Ademi-Am (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), Romero Reis, os primeiros sinais de melhora podem tirar os novos imóveis dos estoques. "Para além da locação, os imóveis novos ficam cada vez mais disponíveis. A última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa de juros em um ponto percentual e a previsão de fechar ano com a Selic em 9% anima o mercado, já que é possível a criação de novas e mais acessíveis linhas de crédito", disse Reis.

Segundo dados da Ademi-AM, o metro quadrado vendido em Manaus é o 17° mais caro do Brasil, custando em fevereiro R$ 5.023, um valor relativamente baixo, se comparado a Rio de Janeiro e São Paulo (com o m² sendo vendido em média a R$ 10.257 e R$ 8.641, respectivamente). No mês referente a pesquisa (fevereiro) foram comercializados 157 novos imóveis, totalizando um VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 64,4 milhões e 49% desses imóveis estavam em bairros como Ponta Negra, Dom Pedro e Adrianópolis, considerados como 'alto padrão'.

De acordo com Reis, o número de imóveis em estoque e os preços praticados em Manaus não diferem muito das cidades do mesmo porte. "Curtiba (PR) tem 2 milhões de habitantes e cerca de 4 mil imóveis em estoque, praticamente os mesmos números de Manaus, relativamente bem abaixo do verificado nas grandes capitais. O que se vê aqui é a relação entre oferta e procura, o que encarece para o comprador final. Mas quem tem condições financeiras, não deixa de adquirir um destes novos e quando opta pelo aluguel procura por um de em boas condições, um seminovo", afirma.

Os imóveis a venda se classificam em três etapas: a do lançamento, em fase de construção e o 'novo' com habite-se, explica Reis. "É nossa meta vendermos ainda na primeira etapa, mas entendemos que até se conseguir caixa para isso, é preciso tempo. Daí a maior busca pela locação. Até a compra de um novo, pode-se iniciar um negócio pagando de 10% a 20% do empreendimento e depois se tem mais 35 anos até a quitação por via bancária. E nesse estágio inicial, a locação é uma boa pedida", comenta.

"Segurando" o locatário
Para os locadores, a busca maior tem sido em segurar o locatário, explica a presidente do Sindimóveis-AM (Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado do Amazonas), Márcia Cohen. "Mesmo com o mercado aquecido, a concorrência está aí e é preciso jogo de cintura para manter os contratos. Nossa dica é: se o seu locatário é bom pagador e mantém o imóvel em boas condições, negocie, seja flexível. Não se pode perder bons clientes nesses tempos. Sei de imóveis que foram postos a alugar por R$ 8 mil e hoje estão pela metade desse valor", conta Márcia.

Para a presidente do Sindimóveis-AM, pesquisar valores pode dar uma ideia de quanto pode ser negociado. "Em um momento de crise sugerimos que o locador busque um corretor ligado ao Sindimóveis e que faça parte do CNAI (Cadastro Nacional de Avaliadores de Imóveis) que estarão prontos a dar essa assessoria. Essa mediação tem sido importante para manter vários imóveis ocupados enquanto as coisas não melhoram", encerra Márcia.

Maiores locatários
Trabalhando diretamente com o público, os corretores atestam as dificuldades do setor e a falta de crédito do consumidor, especialmente das classes B e C, é o que tem aumentado a busca por locação. Segundo o corretor Rildo Castro o momento não permite compra de imóveis novos. "São muitas pessoas negativadas e impossibilitadas de acesso ao crédito imobiliário. Em segundo lugar, o desemprego que ainda existe e que vem assombrando, causando receio e insegurança na hora de tomar a decisão de comprar imóveis e outros bens", afirma o corretor.

De acordo com Castro, nem o FGTS nem programas como Minha Casa, Minha Vida surtiram o efeito desejado, fazendo da locação a melhor opção. "Com tudo isso o sonho da casa própria está ficando cada vez mais distante de se realizar, mesmo com o programa do governo federal incentivando a população. Com boa parte do benefício do FGTS destinado a pagar dívidas e com poucos a receberem grandes somas, a opção é alugar até a vida melhorar", disse. Segundo o corretor, quem pode comprar está fugindo dos imóveis verticais. "A saída está na opção por lotes residenciais onde não há burocracia. E essa pouca burocracia também é atraente para quem procura alugar, já que os contratos de locação estão muito mais flexíveis", encerra Castro.

Verticalização
Para Romero Reis a verticalização de Manaus é algo inevitável. "Desde os residenciais de alto padrão aos conjuntos habitacionais mais populares, a verticalização é uma realidade. Cabe no bolso dos governos manter a infraestrutura nesse formato e com as novas opções, os valores se tornam mais acessíveis", conclui.

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