Manaus, 19 de Agosto de 2017
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Cooperativa de crédito aquece o campo

Por: Tânair Maria tmaria@jcam.com.br
19 Abr 2017, 13h56

Um dos principais gargalos para a obtenção do crédito em nosso Estado ainda é a falta de regularização fundiária. De acordo com a Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas) uma parcela significativa dos produtores ainda não dispõem do título definitivo da terra e esbarram nessa exigência como garantia pelo banco em várias linhas de crédito. Também tem sido pauta permanente da classe rural a desburocratização e a simplificação das exigências para acesso às linhas de crédito disponíveis ao setor primário. Especialistas afirmam que a saída está na Cooperativa de Crédito porque possui autorização do BC (Banco Central) para atuar no com recursos do governo federal.

Segundo dados da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas), atualmente existem várias linhas de crédito disponíveis para o setor rural no Amazonas, sendo as principais aquelas operadas pelas instituições bancárias públicas, principalmente as linhas do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte), do Pronaf (Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e da Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas). Essas linhas de crédito decorrem do Plano Safra Empresarial e Plano Safra da Agricultura Familiar. No caso dos recursos estaduais se destaca o Banco do Povo e o FMPES (Fundo de Fomento as Micros e Pequenas Empresas).

Na avaliação do presidente da Faea, Muni Lourenço, essas linhas de crédito se baseiam em normas do Manual de Crédito Rural e para acesso a esses financiamentos os produtores rurais, normalmente tem que apresentar a instituição financeira um projeto técnico elaborado pelo Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas) ou profissional credenciado pelos bancos. "Tem sido pauta permanente da classe rural a desburocratização e a simplificação das exigências para acesso às linhas de crédito disponíveis ao setor primário", informou.
Para Lourenço, a burocracia ainda é um fator restritivo do acesso às linhas de crédito no Amazonas. "Um dos principais gargalos para a obtenção do crédito em nosso Estado ainda é a falta de regularização fundiária, pois uma parcela significativa dos produtores ainda não dispõem do título definitivo da terra e esbarram nessa exigência como garantia pelo banco em várias linhas de crédito", alertou.

Conforme o titular da Faea, as linhas de crédito são fundamentais para a ampliação e diversificação da atividade produtiva rural, de forma sustentável. "Com acesso aos financiamentos os produtores rurais investem em melhorias estruturais e de implementação de novas tecnologias, que ao final representam desenvolvimento com geração de emprego, renda e mais produtividade", afirma Lourenço. As atividades rurais que mais demandam crédito são dos segmentos de agricultura familiar e empresarial, pecuária e agroindústria. "Atualmente vem apresentando crescimento o financiamento de empreendimentos de piscicultura, fruticultura, olericultura e pecuária de leite", conclui.

Vazio Bancário x Cooperativa de Crédito Rural
Na opinião do articulista do Jornal do Commercio, responsável pela coluna Agronegócios, Thomaz Meirelles, além do vazio bancário registrado no Amazonas, o Estado ocupa um dos últimos lugares no ranking nacional de acesso ao crédito rural. "Os agentes operadores não tem estrutura para operar num Amazonas gigante. Banco do Brasil, Basa e Caixa são os agentes operadores, mas 70% dos municípios não tem banco. As poucas agências bancárias estão fechando a exemplo do Basa em Carauari, que encerrou as atividades na semana passada", informou.

Thomaz Meirelles é administrador com especialização na Gestão de Informação ao Agronegócio, por isso ele afirma que a saída para solucionar a questão de crédito nos municípios do interior do Estado está no Cooperativismo de Crédito Rural. "O Cooperativismo de Crédito tem autorização do Banco Central para atuar no crédito rural desses recursos disponibilizados pelo governo federal. Esse é o caminho que eu vejo para o Amazonas, mas ainda caminha timidamente, com uma ação em Matupi, outra em Apuí e nem é pelo Cooperativismo de Crédito do Amazonas, é via Rondônia que está entrando aqui no nosso Estado", lamentou.

Outra questão apontada por Meirelles, que vem dificultando o acesso ao crédito pela agricultura familiar, está na falta de assistência técnica pública que reflete em quase 200 mil agricultores amazonenses. "Aqui no Amazonas a assistência técnica pública é com Idam, que também tem estrutura limitada. O Idam atende em média 80 mil agricultores e o Amazonas tem 275 mil, por aí já vemos o vazio. É a equipe do Idam quem faz os projetos que são enviados ao banco", informou.
Por outro lado, o governo do Amazonas, por meio da Afeam, liberou, no biênio 2015-2016, R$ 40,7 milhões em recursos voltados a projetos de produtores rurais. As contratações alcançaram mais de 16 mil beneficiados, por meio de 4 mil operações de crédito. "Com isso, a Afeam consolida sua posição como um dos principais agentes de investimentos no setor rural, com apoio à aquisição de máquinas, equipamentos, implementos agrícolas, custeio rural, aquisição de animais, projetos de infraestrutura agropecuária, incorporação de novas tecnologias e sustentabilidade ambiental", afirma o governador José Melo.
Entre as principais atividades beneficiadas pela Afeam estão o cultivo da mandioca, pecuária principalmente a leiteira, cultivo da banana, pesca artesanal, cultivo de açaí, mecanização de área produtiva, horticultura, entre outros. Um forte aliado é o serviço público de Ater (Assistência Técnica e Extensão Rural), atualmente executado pelo Idam, que já conseguiu levar às famílias rurais, de comunidades distantes do Amazonas, tecnologias como a irrigação que, em 2015, alcançou cerca de 264 hectares de área irrigada.

Essa prática proporciona a produção de culturas como a banana em todos os períodos do ano, principalmente durante o verão. Em 2016, o Idam elaborou 43 projetos de irrigação com uma área total de 44 hectares, beneficiando agricultores familiares da Região Metropolitana de Manaus. Além disso, a tecnologia da mecanização agrícola tem proporcionado o aumento da produtividade e melhores condições de trabalho às famílias do campo.

Conforme dados levantados pelo Idam em 2016, a estimativa é que hoje o Amazonas conta com 66,3 mil hectares de áreas mecanizadas, onde estão sendo cultivadas frutíferas, culturas industriais, hortaliças, grãos e pastagens. E no cultivo protegido, por meio da plasticultura, a cultura do pimentão liderou o ranking com uma área de plantio estimada em 148 hectares.

De acordo com o diretor-presidente do Idam, Edimar Vizolli, o trabalho realizado pelos extensionistas em todos os municípios do Amazonas, reflete na qualidade dos alimentos produzidos pela agricultura familiar."Nossa missão é levar informações, habilidades e técnicas que facilitem o trabalho diário no campo. São 50 anos de Extensão Rural, mesmo com apoio das Instituições parceiras temos consciência que ainda há muito a ser feito pelo setor primário amazonense. Mas, é possível apontar as tecnologias que vem dando certo no interior do Estado e melhorando a qualidade de vida das famílias rurais", conclui Vizolli.

O governo do Amazonas promete disponibilizar, ao longo de 2017, recursos na ordem de R$ 25 milhões em financiamentos para custear investimentos nas atividades rurais. As ações são executadas pela Afeam com a parceria técnica do Idam, que está presente em todos os municípios do Estado.

Linhas de créditos para o setor primário no AM
Agente financeiro Período R$ (milhões)
Basa (FNO) 2017 874,0
Basa (Crédito Comercial) 2017 173,2
Banco do Povo/Afeam 2017 66,0
Afeam/Idam 2017 25,0
FPS (FMPES) 2016 90,0
Banco do Brasil 2016-2017 24,3
Afeam 2015-2016 40,7
Basa (Pronaf) 2015-2016 18,8
OCB-AM 2015 2,0

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