Manaus, 19 de Agosto de 2017
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De Fortaleza para o Toca na Oca

Por: Evaldo Ferreira eferreira@jcam.com.br
19 Abr 2017, 19h32

Dia 21 de abril, Dia de Tiradentes, sexta-feira, feriadão e muita música no Almirante Hall. Essa é a segunda edição do Festival Toca na Oca, que conta com 'gente' de fora animando o feriado. Organizado pela Ícone Produções, o festival começa às 19h e, além das bandas locais Gramophone e Casa de Caba, terá a presença da Selvagens à Procura de Lei banda independente do novo cenário musical de Fortaleza (CE). Para abrilhantar ainda mais o Toca na Oca, três lojinhas de artigos artesanais (Fluido Flor, Só Decorando e NerdBaby), farão parte do cenário.

Das bandas locais que tocam na Oca, a Gramophone vem se destacando na cena manauara. Carregada de influências artísticas de jazz, blues, samba, reggae e folk e muito de músicos locais como Tucumanus, Pusanga, Cabocriolo e Tribo Zaggaia a banda promete uma grande apresentação. Já a Casa de Caba (também entre as influências da Gramophone e também temperada com um mix de rock, baião, coco, maracatu, xote, samba, blues, funk e mais) traz em suas músicas a experimentação, com base na liberdade de criação de cada um dos sete integrantes, gerando uma sonoridade peculiar sem definição, com fortes inclinações ao maracatu, afoxé e baião.

Do Nordeste, vários estilos
A Selvagens à Procura de Lei é uma banda de Fortaleza, formada em 2009 por Rafael Martins (voz e guitarra), Gabriel Aragão (voz e guitarra), Caio Evangelista (voz e baixo) e Nicholas Magalhães (voz e bateria). O primeiro álbum 'Aprendendo a Mentir', de 2011, foi elogiado por nomes relevantes do cenário nacional e responsável por catapultar o rock do Selvagens aos quatro cantos do país. Em 2013, o disco homônimo veio reforçar o talento dos garotos radicados em São Paulo e aumentar a já relevante fanbase do grupo. Seu mais recente trabalho, financiado através de uma campanha de crowdfunding (vaquinha ou 'intera' virtual), é 'Praieiro', lançado no ano passado atendendo a um pedido do crescente público da banda.

Em Manaus, pela primeira vez, a banda dá continuidade a turnê, que leva o nome desse disco e que, em 2016, passou por mais de 20 cidades em todo o Brasil. Desse trabalho virá o repertório do show. As músicas de 'Praieiro' são uma referência às tardes livres, que deixaram de ser tão frequentes desde que o grupo se mudou, em 2013, para São Paulo. Inclusive, a deslocalização geográfica da banda influenciou diretamente nas novas canções. De refrão explosivo, "Tarde Livre" ainda remete às origens praieiras do grupo. A faixa escolhida como single de abertura do disco, já ultrapassa 460 mil visualizações no YouTube. Em 2016 a turnê da SPL passou por mais de 20 cidades em todo o Brasil.

De São Paulo, Gabriel falou ao Jornal do Commercio. "Essa é a nossa primeira vez com a banda em Manaus e no Norte. A gente já tinha contato com fãs daí desde o lançamento do nosso segundo disco, de 2013, mas ainda não tinha 'rolado' de ir aí. Estamos muito empolgados pra tocar em Manaus e Boa Vista (RR), até porque eu, particularmente, nunca estive por essas bandas do Brasil. Gostaria de passar mais tempo aí pra conhecer melhor as cidades", falou o vocalista.

Gabriel aproveitou a conversa para explicar o porque do nome da banda. "Eu já adorava o nome 'Selvagens', um nome bom para usar na banda, quando ela ainda nem existia. Na faculdade, um professor de sociologia, com quem eu tinha muita afinidade e trocava ideias sobre música, disse certa vez pra turma, numa aula: 'Todos nós, que estudamos direito, somos animais em busca de ordem, à procura de leis'. Foi mais ou menos assim que surgiu a ideia do nosso sobrenome", lembrou. E quem pensa que do Nordeste só sai forró, e de Fortaleza, quadrilhas, a SPL mostra que o rock e outros sons também têm espaço por lá. "A cada disco a gente gosta de testar novas ideias, ouvir sons diferentes, diversificar. Mas se tivesse que escolher um estilo, diria que somos uma banda de rock. O rock é muito plural, tem espaço pra todas as influências, é coração de mãe", explicou Aragão.

Diversos caminhos a seguir
Com sete anos de desafios e conquistas, Gabriel dá algumas dicas pra quem também, como a SPL, quer ir mais adiante com sua banda. "Sucesso é uma coisa relativa. Enquanto banda a gente tá sempre pensando no próximo passo e em novas conquistas. Sempre fomos empreendedores. Isso está na alma dos Selvagens. Já conseguimos muitas coisas, mas por querer atingir outros objetivos, o tempo passa e a gente nem percebe direito tudo o que já fizemos nesses sete anos de banda. Ainda vai rolar muita novidade esse ano, músicas novas estão surgindo e assim a gente vai tocando o nosso barco. Acho que assim é com todo mundo", ensinou.

Da mesma forma como as bandas de Manaus encontram dificuldades para se fazer conhecidas nacionalmente a partir daqui, a situação parece ser a mesma no resto do país. Rio de Janeiro e São Paulo continuam como o norte a seguir em busca do reconhecimento nacional. A SPL diz que existem outros caminhos. "Para fazer sucesso no mundo da música existem diversos caminhos, inclusive caminhos que ninguém ainda trilhou. Vir pra São Paulo, no nosso caso, foi um ponto de virada para a banda. Acredito que a história de cada artista é única. São Paulo é uma cidade incrível para a música. Eu poderia escrever textos e textos sobre tudo que aprendi por aqui durante esses quatro anos. Sair de Fortaleza foi duro para nós, mas necessário para respirar novos ares e ver a vida e a banda de outra perspectiva", ensinou.

O QUE: Festival Toca na Oca
QUANDO: Sexta-feira (21), à partir das 19h
ONDE: Almirante Hall, rua Padre Agostinho Martin, 981 - Santo Antônio
INFORMAÇÕES: (92) 9 8140-3001

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