Manaus, 23 de Julho de 2017
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Movimentação de cargas em alta

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
04 Mai 2017, 14h00

No primeiro trimestre deste ano o Teca (Terminal de Cargas) do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes registrou crescimento de 42% na movimentação de cargas, entre importação e exportação. Nos primeiros meses de 2017 a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) contabilizou o volume de 7,5 mil toneladas. Enquanto no mesmo período do ano anterior foram transportadas 5,3 mil toneladas em mercadorias. O percentual foi impulsionado pelas importações, com o saldo de 6.9 mil toneladas, produtos destinados à indústria e ao comércio amazonense. Na avaliação dos empresários e economistas, o aumento na demanda por insumos industriais e produtos comerciais mostra uma 'singela' recuperação na atividade econômica estadual, reflexo das primeiras implementações do pacote de medidas microeconômicas do governo federal.

Conforme a Infraero, o movimento de mercadorias importadas teve crescimento de 47,5%, nos primeiros meses de 2017, frente ao volume de 4,6 mil toneladas de produtos desembarcados na capital no último ano. Os principais itens fornecidos ao Estado foram: componentes eletroeletrônicos, produtos farmacêuticos, partes e peças de motocicletas, metais e artigos de decoração.

O fluxo de produtos exportados também apresentou leve alta, com 633,4 toneladas movimentadas de janeiro a março deste ano, em relação às 626 toneladas registradas no mesmo período do ano anterior. Os principais itens comercializados são: peixes ornamentais, produtos eletroeletrônicos, concentrados de refrigerantes, dentre outros. Os produtos têm como principal destino o Estado de São Paulo (SP), de onde são encaminhados para os EUA (Estados Unidos), Colômbia e Argentina.

De acordo com o gerente executivo do CIN/Fieam (Centro Internacional de Negócios) departamento da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), José Marcelo Lima, o crescimento nas importações é decorrente de uma leve retomada na atividade econômica Estadual, que envolve as atividades industrial e comercial amazonense. O empresário também explica que as indústrias começam a receber produtos que serão destinados à produção de itens para comercialização no segundo semestre. Enquanto o comércio, recebe mercadorias importadas dos segmentos de higiene e limpeza, itens destinados ao abastecimento do comércio local. Além de metais e materiais de decoração.

"As fabricantes se preparam para atender aos pedidos para as próximas datas comemorativas como dia dos namorados, dia dos pais e outras. O comércio recebe itens farmacêuticos, metais e produtos de decoração e produtos de higiene e limpeza. A expectativa é que as comercializações avancem e a indústria tenha uma retomada produtiva. Vemos uma leve subida nas atividades econômicas do Estado nos segmentos da indústria e do comércio", disse. Segundo o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury Benzion, a estabilização do dólar viabilizou a criação de um ambiente favorável para a importação de produtos. Ele também ressalta que a redução nos preços dos itens estrangeiros também resultou na substituição, por parte do consumidor, da compra de itens nacionais por produtos importados.

"Com a estabilização do dólar os preços dos produtos importados voltaram a ficar atrativos ao cliente, que substituiu a preferência por mercadorias estrangeiras. Acredito que a maior variedade de produtos pode resultar em melhores vendas. Mas, ainda é cedo para falar sobre aumento nas comercializações porque ainda há instabilidade econômica", destacou Benzion. Na avaliação do economista e consultor, Jose Laredo, o crescimento na movimentação de cargas e o aumento no desembarque de insumos destinados à produção industrial e ao comércio mostra que a economia começa a reagir. Ele destaca que os números relacionados à produção do PIM (Polo Industrial de Manaus) apesar de ainda serem considerados como 'singelos', caracterizam que a recessão econômica está próxima ao seu fim. Segundo o economista, as reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil), que tem a função de estabelecer as diretrizes da política monetária, conseguiu reduzir a Selic (taxa básica de juros) o que estimula o movimento de negócios.

"A redução da Selic e o controle da inflação estimulam o movimento de negócios. Com as menores taxas de juros os salários passam a ter mais importância no 'jogo' da procura versus oferta. As primeiras reações da economia começam a aparecer em resposta ao Governo que está no poder há menos de um ano e já conseguiu colocar em discussão temas polêmicos como as reformas trabalhista e da previdência, além da questão do foro privilegiado concedido às autoridades políticas. Todos esses temas estão sendo absorvidos pelo mercado de forma positiva e tudo isso forma um 'pano de fundo' que resulta no aumento do consumo", explicou.

O Teca
O Teca de Manaus é o maior complexo de logística de carga da Rede Infraero e o terceiro mais movimentado do país. Em 2016, o terminal de carga manauara movimentou, entre cargas de importação e exportação, mais de 26,3 mil toneladas, respondendo por 25% do volume processado em toda a Rede Teca da Infraero.

Segundo o superintendente do Aeroporto Internacional de Manaus, Abibe Ferreira, o resultado positivo do terminal se deve, entre outros fatores, ao aumento do número de clientes. "Apenas no primeiro trimestre, identificamos movimentação de cargas de 104 empresas que não importaram no mesmo período de 2016", pontuou. Ele acrescenta que a superação do volume registrado em 2016 mostra o futuro promissor que o restante do ano deve trazer para os negócios do aeroporto. "Os números já estão mostrando a mudança no cenário econômico. Eles enfatizam também o compromisso da nossa equipe em conduzir os esforços necessários para essa mudança", ressaltou.

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