Manaus, 29 de Maio de 2017
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Olarias vivem dias de ostracismo

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
11 Mai 2017, 19h50

O setor oleiro do Estado continua amargando prejuízos decorrentes da instabilidade econômica. Do total de 35 empresas instaladas no setor, somente 13 estão em funcionamento. Dez olarias fecharam no último ano e 12 estão com as atividades paralisadas por baixa demanda. Nos primeiros quatro meses deste ano houve perda de 50% da mão de obra, em relação ao último semestre de 2016. Atualmente, o segmento opera com apenas 30% da capacidade instalada. Os números negativos preocupam os empresários do segmento que alertam para o risco de mais fechamentos de empresas.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Olaria do Estado do Amazonas, Sandro Augusto Lima, o segmento cerâmico do Estado ainda não sentiu qualquer sinal de retomada produtiva, ao contrário dos registros de alguns subsetores do PIM (Polo Industrial de Manaus), como o apontado pelo Ibge (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) recentemente, na última pesquisa industrial.
Ele explica que as demissões continuam acontecendo em paralelo com o menor volume de produção.
No último ano dez empresas fecharam as portas. Segundo Lima, o setor que contou com quatro mil trabalhadores, hoje opera com número inferior a um mil. O polo cerâmico detém 90% da produção cerâmica do Estado e está concentrado entre os municípios de Iranduba e Manacapuru.

"Seguimos com baixa produção, sem perspectiva de melhora e de aumento na demanda.
As empresas que estão funcionando operam com 30% da capacidade instalada e ainda estão em fase de demissões.

Neste ano as cerâmicas não fizeram estoque de argila por dificuldades econômicas. Não há perspectiva de mercado e também precisamos de políticas públicas que incentivem o desenvolvimento do setor", disse. "O governo anterior só estava trabalhando a construção de rodovias e deixou de criar projetos para o nosso setor", completou.

Segundo o presidente, a gestão de um novo governador, ainda que de forma interina, pode contribuir para a mudança no cenário do setor cerâmico. "Um novo governo traz a esperança de novos pensamentos e nova linha de trabalho. Acredito que recuperação econômica poderá acontecer somente no próximo ano".

O proprietário da cerâmica Três Irmãos Ltda, Frank Lopes, relata que a empresa opera atualmente com no máximo 15% da capacidade instalada. O empresário afirma que a produção atende ao consumidor final, a pessoa física, trabalhador assalariado que projeta reforma em residência, ou ampliação de um espaço. Ele frisa que houve uma interrupção no fornecimento de produtos a grandes obras como às construções de imóveis do programa do Governo Federal Minha Casa Minha Vida. Isso porque as obras estão paralisadas e não há demanda por produtos. Lopes informa que a produção da empresa reduziu 80% nos primeiros quatro meses deste ano, em relação aos últimos quatro meses de 2016.

Consequentemente, a empresa demitiu 50% dos funcionários e do total empregado hoje, cerca de 20% está em processo de avaliação para a demissão. A empresa que já contou com 42 colaboradores diretos, hoje conta com 18 pessoas, e deste total, apenas nove está em exercício.

"Todos os segmentos produtivos do Estado, inclusive o cerâmico, estão com os parques fabris prontos para produzir. Porém, não há demanda por queda no consumo e retração no cenário econômico, interrupção nas obras da construção civil de grande extensão. Somos atrativos aos olhos do mundo, mas nesse momento ninguém quer vir para Manaus enquanto não tivermos definição política do país e do Estado. Com certeza essa crise política estadual demandará um arrocho econômico", externou.

Crise agrava em sete meses
Há sete meses o setor contabilizava sete olarias paralisadas por problemas econômicos, baixa demanda. As cerâmicas ainda produziam com 50% da capacidade produtiva.

Na época, os empresários alertaram para o risco de mais empresas interromperem a produção e quanto ao fechamento de olarias. "As empresas produzem conforme a necessidade. Nossa expectativa é que o Governo Federal libere investimentos para dar andamento aos programas habitacionais, somente desta forma o setor retomará a produção normal", avaliou Sandro Lima.

Comentários (1)

  • Marcos F.12/05/2017

    Esse é o resultado da crise política e econômica - fomentada inclusive pela imprensa. Quem apostou no quanto pior melhor está sentindo as consequência - todos os setores econômicos .

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