Manaus, 19 de Setembro de 2017
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Sem prazo para recuperação

Por: Priscila Caldas pcaldas@jcam.com.br
16 Mai 2017, 19h54

Pelo terceiro mês consecutivo o PIM (Polo Industrial de Manaus) registrou redução no índice de postos de trabalho, impulsionando o saldo total de perda de mão obra no Estado. Conforme os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados ontem pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), no mês de abril a indústria contabilizou saldo negativo de 303 postos de trabalho, na redução entre admitidos e desligados. A variação negativa foi de 0,30% em relação ao mês anterior. Segundo os empresários, a retração no consumo atinge o volume de produção e consequentemente gera a perda da mão de obra. Eles acreditam em uma retomada produtiva a partir da implementação das medidas econômicas por parte do Governo Federal, neste ano.

Conforme o Caged, nos últimos 12 meses o saldo entre admissões e desligamentos da indústria amazonense totaliza menos 1.026 vagas, com variação negativa de 1,01%.

De acordo com o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, há pelo menos três anos o Estado, principalmente as fabricantes do PIM, sofrem com a instabilidade na geração de empregos. No período de 2014 até este ano mais de 50 mil postos de trabalho foram encerrados no distrito industrial.

Na avaliação de Périco, somente uma mudança no setor econômico brasileiro pode resultar em recuperação produtiva local e logo, na geração de empregos.

"A estabilidade de empregos ainda não chegou ao Amazonas. Desde 2014 não temos crescimento quanto a postos de trabalho, da mesma como acontece com a indústria nacional. O nível de incerteza é grande e temos que aguardar a aprovação e implementação das medidas econômicas por parte do Governo Federal. Somente essas ações podem resgatar a confiança do consumidor e consequentemente refletir no consumo e na geração de empregos", disse o empresário.

Além da indústria, outro setor que também apresentou resultados negativos consecutivos quanto à mão de obra no primeiro quadrimestre do ano foi o da construção civil. Mas, apesar dos saldos negativos, os números, ao serem comparados mensalmente, apontam diminuição no volume de encerramento de empregos. Em janeiro deste ano o setor obteve o saldo negativo de 491 vagas; seguido dos meses de fevereiro (426), março (394) e abril (244). Em abril de 2016 o quantitativo também foi negativo em 37 vagas.

O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, explica que devido à crise econômica nacional houve interrupção nas obras mais expressivas que estavam em andamento em Manaus. Ele informou que há pelo menos um ano as obras que ocorrem na cidade são de menores extensões e por isso, demandam menos mão de obra. Mesmo assim, ao término das construções os trabalhadores são dispensados. Segundo Souza, a partir do segundo semestre deste ano o cenário produtivo deverá melhorar e a previsão é que haja contratações. O empresário adianta que está previsto o lançamento de três obras do programa do Governo Federal Minha Casa Minha Vida, dois deles com construção em Manaus e um no município de Iranduba (distante 40 quilômetros). "Apesar dos números serem negativos, vemos que também são decrescentes e que ainda neste ano devem se tornar positivos a partir dos lançamentos imobiliários projetados para os próximos meses, além dos lançamentos do programa Minha Casa Minha Vida. Apesar de todas as dificuldades acredito que o setor deverá encerrar o ano superando o faturamento registrado em 2016 em 10%".

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