Manaus, 18 de Setembro de 2018
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Os Brics e a estratégia Nacional

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04 Jul 2018, 15h23

Crédito:Divulgação
A sigla BRICS significa, literalmente, a abreviação de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Como um órgão de cúpula e de ajuda multilateral, os BRICS representam a inserção de novos países na nova geografia comercial, diplomática e militar no mundo após a Guerra Fria.

Dentre os propósitos internacionais do grupo está a coordenação de encontros anuais de cúpula entre chefes de Estado e corpo ministerial, ampliação de espaços nas organizações internacionais e regionais, e a cooperação técnica em setores estratégicos das economias dos países membros do bloco.

Por não se tratar de um organismo de integração regional, como o MERCOSUL ou a UE, por exemplo, os BRICS têm toda a mobilidade diplomática necessária para promover acordos de natureza bilateral e multilateral entre os países membros e seus parceiros.

Os países do BRICS criam mecanismos diplomáticos que favorecem os processos de governança financeira e econômica, o que inclui a reforma nas regras do FMI (Fundo Monetário Internacional) e negociações mais enérgicas com o G-20 (os vinte países mais ricos do mundo). Assim, as ações efetivas dos BRICS dizem respeito aos processos de cooperação no setor financeiro, suspensão de entraves à importação e à exportação de mercadorias e investimento internacionais de monta.

A governança diplomática prioriza mudar as regras dos organismos internacionais e expandir o poder de agenda dos países no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Vale lembrar que a presença brasileira nos BRICS traz evidentes vantagens para a economia nacional, bem como para as projeções regionais e internacionais do país em um mundo cada vez mais competitivo.

Vejamos, portanto, algumas vantagens:

  • Acesso a mercados internacionais localizados estrategicamente em diferentes continentes (África, Ásia, Oriente Médio, Eurásia), ampliando o alcance comercial e geopolítico do país;


  • Parceria financeira, comercial e política com as economias emergentes mais importantes no mundo de hoje;


  • Estreitamento de parcerias setoriais com a China que, segundo muitos analistas, se tornará, em alguns anos, a maior economia do mundo.


  • De sorte que já não resta mais dúvida de que o Brasil, além de ser um natural líder regional, especialmente na América Latina, tornou-se verdadeiramente um global player, introduzido nos principais fóruns internacionais, e um ator internacional capaz de moldar o novo mapa da globalização.

    Diante de tais fatos, destaco algumas iniciativas na área comercial que considero importantes: encontros de autoridades ligadas à agricultura, cooperação de bancos de fomento e desenvolvimento, fóruns empresariais, saúde, ciência e tecnologia, entre outros.

    Os acordos na área financeira são importantes à medida que melhoram o clima de circulação de investimentos internacionais. Criação de Bancos de Desenvolvimento, acordos para negociação coletivas na Rodada de Doha, estratégias comuns nas áreas de infraestrutura, matriz energética, logística, aeroportos, turismo e educação.

    Os acordos político-diplomáticos com a China são muito importantes para a economia brasileira e para as relações internacionais do país. A China já é a segunda maior economia do mundo, com forte poder de demanda de recursos naturais, em especial commodities. Com esta abertura internacional, o Brasil pode ofertar commodities agrícolas, minerais, petróleo, entre outros produtos.

    Mas esta aproximação com a China poderia causar ou incentivar a desindustrialização do Brasil?
    Em termos econômicos, um país em si não causa diretamente a desindustrialização de outro. A opção pela industrialização, de fato, cabe à estratégia nacional de desenvolvimento de cada Estado, que procura maximizar seus interesses nas arenas nacional e internacional.

    Vale lembrar que a desindustrialização brasileira é provocada fundamentalmente por políticas nacionais - variáveis adversas internas superam largamente as externalidades -equivocadas causadas por:
    Custo Brasil;
  • Infraestrutura precária;

  • Carga tributária desproporcional;

  • Assimetrias no desenho federativo;

  • Investimentos ineficientes em educação técnica;

  • Barreiras alfandegárias protecionistas;


  • A despeito de seu regime político amplamente autoritário, pautado naquilo que os analistas chamam de Consenso de Pequim, a China tem obtido sucessos econômicos nos últimos anos, o que a credencia a ser a maior economia nos próximos anos, ao passo que o Brasil consolidou uma democracia política, mas ainda patina em agendas macroeconômicas atrasadas, incapazes de superar a persistente desigualdade social.

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