Manaus, 21 de Julho de 2018
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Sorte no jogo, azar no bolso

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
06 Jul 2018, 16h07

Crédito:Antonio Parente
O impacto dos jogos da seleção brasileira já está sendo sentido pelos diversos setores do comércio e de serviços em Manaus. Enquanto para alguns segmentos o mundial tem trazido inúmeros benefícios, outros tem sido influenciado de forma negativa. Para os pequenos varejistas por exemplo, as decorrentes paralisações causadas pelos jogos, tem trazido inúmeros prejuízos financeiros.

"Para o comércio o impacto é maior, principalmente para o pequeno varejo que depende do constante movimento. As interrupções, decorrentes dos jogos, principalmente no fechamento do mês quando os encargos de folha de pagamento e outras obrigações precisam ser quitados no final do mês ou início do mês que se inicia", explicou o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David
Antonio Filho.

Funcionário de uma empresa de material de construção, na zona Norte da cidade, o consultor de vendas, Kleyton Leandro, conta que a situação já comprometeu toda sua renda do mês de junho, isso porque seu salário depende das comissões recebida na comercialização dos produtos da loja. Ele conta a frustração de depender de uma venda que não acontece ou de um orçamento que é fechado, mas, que não é concretizado.

"A situação é totalmente comprometedora e acaba havendo um decréscimo e uma desvalorização no nosso salário. Isso porque na semana dos jogos o movimento cai e a loja fica escassa de clientes e nós acabamos sendo impactado com tudo isso.

Em dias normais eu fecho o mês em torno de R$ 2.400 a R$ 3.250. No final de junho eu fiz o cálculo, e vou retirar R$ 1.350. Na minha situação, esse período de jogo me prejudica muito", conta.
Dono de uma loja de estética automotiva, o empresário Edson Lobão tem deixado de ganhar de R$ 200 a R$ 400 por dia. "Em cima do jogo do Brasil a paralisação é muito grande. Não só para mim, mas para outros amigos que trabalham com isso. Porque muitas pessoas deixam para realizar os serviços de carro para depois e priorizam os jogos. É um prejuízo muito grande. Às vezes chegamos até torcer para o Brasil perder, afinal as contas vão chegando", disse.

Setor de serviços

A expectativa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) projeta uma injeção em média de R$ 1,5 bi no varejo nacional por conta da competição. Um acontecimento que tende a coordenar as ações econômicas, relações sociais, afetividades e bens simbólicos em vários níveis.

Segundo o sociólogo Márcio André Araújo, os impactos econômicos que a Copa do Mundo da Rússia trazem para a cidade de Manaus, geram benefícios no setor de serviços contribuindo para a ampliação da demanda e da oferta de atividades como de aplicativos de transporte, de bares e restaurantes mais frequentados, do consumo de bebidas em geral, de alimentação, de delivery (grupos reunidos em casa ou no escritório), de roupas específicas e mesmo de remédios (antiácidos aliviam excessos).

Para o motorista do aplicativo Uber, Mauro Portugal, as últimas semanas tem sido de bastante retorno com longas corridas e boa lucratividade. "Nessas duas últimas semanas tenho tido um bom faturamento, ganhando em médio R$ 1.200 cada semana. Tem sido um momento muito bom", disse.

"De quebra, é possível que camelôs e ambulantes participem desse impacto a partir dos produtos sazonais vendidos para os consumidores de ocasião. Enfim, é possível verificar um encadeamento de pequenas atividades econômicas,em torno do acontecimento dos jogos, especificamente quando se trata da seleção brasileira", explicou.

Para o economista, Ailson Rezende, os bares sempre terão seus frequentadores, principalmente na sexta-feira, pelo fato do manauara gostar de confraternizar e ter seu momento de de lazer no fim de semana. E com o jogo da seleção brasileira a possibilidade de consumo nos lugares cresce ainda mais. Mas, por outro lado destacou, que apesar do movimento no setor, muitos consumidores ainda estão receosos com os gastos e as dívidas.

"Sempre teremos os bares da nossa capital bem frequentados e com muita gente consumindo e gastando. E neste ciclo consumista, ganham todos os prestadores de serviços, sejam nos bares, nas lanchonetes, serviços de transporte e lazer. A roda da economia gira, criando oportunidades e diversão, mas é preciso cautela por parte dos consumidores para a alegria não se transformar em dor de cabeça, de ressaca e com muitas dívidas", disse.

Fugindo um pouco do tradicional ambiente de música e rock, o Porão do Alemão, tem colhido bons frutos do investimento realizado para gerar mais receita e obter boa lucratividade nos jogos da seleção brasileira. Segundo o proprietário William Robert Lauschner, o impacto tem sido bastante positivo, principalmente com o desempenho do time no Mundial.

"Para nós é um dia a mais que o bar abre e no último jogo teve 700 consumidores fora as crianças. É um volume grande de pessoa e isso tem sido uma oportunidade muito grande de mostrarmos novos cardápios e os nossos serviços e os jogos acabam tornando-se um dia extra. Tanto que antes todo mundo estava pensando que a Copa ia acabar com os negócios, agora estão torcendo para o Brasil continuar ganhando para aquecer mais o mercado. Essa caminhada de vitória do Brasil na Copa tem ajudado bastante, isso porque o consumidor fica mais alegre e acaba gastando mais", disse.

Porém o setor de serviço apresenta outro lado não tão animador, esse é o caso do dentista e empresário Wilson Maia, que tem amargado prejuízos com as constantes paralisações que os jogos da seleção brasileira tem causado. Com um quadro de funcionário bastante grande e com a responsabilidade de colocar as contas em dias, o ortodontista tem sentido dificuldades em manter as receitas do consultório no azul neste mês de junho.

"Particularmente a Copa é muito boa, mas essa cultura do brasileiro de parar tudo devido aos jogos da seleção prejudica os negócios. Deixo de ganhar dinheiro quando não atendo pacientes. Além de ter que pagar o funcionário sem ele vir trabalhar. Sou obrigado a dispensá-los simplesmente porque no momento do jogo as pessoas querem aproveitar. As contas chegam, e eu tenho que arcar com tudo isso para cumprir meus compromissos", disse.

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