Manaus, 22 de Julho de 2018
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"Cumpro o que prometo. Essa é a diferença"

Por: Caubi Cerquinho especial para o JC
09 Jul 2018, 15h02

Crédito:Divulgação
Reunido com a imprensa na sede do partido, o senador Omar Aziz (PSD) foi apresentado como pré-candidato ao governo do Estado nas eleições deste ano. Ele é o segundo oficialmente a se pré-candidatar ao cargo. O primeiro foi o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado David Almeida (PSB). A Expectativa agora é pelo lançamento da candidatura do governador Amazonino Mendes. Na entrevista coletiva, Omar estava ao lado da esposa Nejmi Aziz e de diversos apoiadores. Com perguntas dos colegas jornalistas de outros órgãos de imprensa, registramos aqui as principais respostas do senador que de imediato se colocou como adversário político do atual governador e se mostrou bastante afável com o prefeito Arthur Neto. Além disso, falou sobre uma nova forma de governar em que a fiscalização da sociedade, por meio de conselhos, é fundamental. Ao falar sobre as acusações de desvios de recursos, Omar se mostrou tranquilo e disse nada temer. Chegou a dizer que renuncia ao mandato de senador e a própria candidatura ao Governo se alguém provar que ele é primo do principal acusado da operação Maus Caminhos, Mouhamad Mustafa. "Assim como índio chama todo mundo de parente, árabe chama todo mundo de primo", explicou.

Jornal do Commercio - Que perspectivas sua candidatura pode oferecer ao Amazonas?

Omar Aziz - O Amazonas e o Brasil passam, talvez, pelo pior momento político, econômico e social que temos conhecimento. No campo político temos o desgaste de todos os políticos perante a sociedade. A população tem hoje uma grande desconfiança dos seus representantes ou de qualquer políticos com mandato ou sem mandato. Na questão social temos o desemprego que assola o país com mais de 13 milhões de desempregados e o Amazonas vem sofrendo muito, faltando muitos empregos para as famílias amazonense. Nós temos problemas sérios na área de segurança pública, na área de saúde, de gestão e principalmente na área de oportunidades para a juventude. Eu tenho ouvido muitas pessoas e o momento que queremos proporcionar é um novo governo, um novo jeito de governar com uma transparência, não apenas da boca pra fora. Durante a campanha vamos apresentar essas propostas e poder mostrar para a população que é possível sim ter novas ideias, um novo momento para o Amazonas e criando uma nova expectativa. Tive a oportunidade de ser governador por quatro anos e se fizer um comparativo com outros que tiveram oportunidade de ser governador por mais anos do que eu, tenho certeza de que o meu saldo é positivo em políticas públicas para a juventude, para as crianças, para as mulheres e para as pessoas de modo geral. A idéia foi sempre ter como prioridade as pessoas. Levar programas para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Só que isso, depois de alguns anos, nós temos que trabalhar um novo modelo, uma nova expectativa e uma nova forma de governar o Brasil e também o Amazonas.

JC - Falando em alianças partidárias, como estão as conversas com o PSDB do prefeito Arthur Neto?

Omar - Primeiramente, digo que a minha relação com o prefeito Arthur é muito antiga e ele como líder político tem toda a liberdade de escolher as alianças. Independente se ele vai me apoiar ou não, a minha relação com ele vai continuar a mesma, de amizade. Até porque eu não sou apenas amigo do Arthur. Pra quem não sabe eu fui muito amigo do pai dele, o senador Arthur Virgílio Filho. Muitos jovens formados na Ufam (Universidade Federal do Amazonas), não sabem, mas foi ele quem criou a Ufam. Eu também sou formado pela Ufam. Penso que ele é pouco reconhecido pela sociedade amazonense. Por isso minha relação como Arthur não é só política, ela ultrapassa, e uma decisão política que ele venha a tomar, me apoiando ou não será vista como um processo político natural, mas é lógico que ter o prefeito ao seu lado é importante para qualquer candidato, pela história e conhecimento que ele tem no Amazonas, mas, seja qual for a decisão dele, eu respeitarei. Tenho certeza que o carinho e a amizade que existe entre nós não será abalada por questões políticas. Além do Arthur todos os partidos são bem vindos e estamos conversando e no dia 4 de agosto vamos apresentar uma chapa completa com vice e para outros cargos.

JC - Senador, como ex-secretário de Segurança como o senhor está vendo o atual momento do Amazonas nessa questão?

Omar - Essa é uma questão que afeta a todos. Outro dia fiquei surpreso, pois veio aqui o ex-prefeito de Nova York dizer que temos que fechar as fronteiras. Acabaram de descobrir a roda. Quem é que não sabe que as fronteiras são as portas de entrada de drogas para o Brasil?. Se paga uma fortuna para uma pessoa vir nos dizer o que já sabemos há muito tempo. Esse é o erro. Um novo modelo de gestão, em qualquer uma das áreas de atividade fim e não é só na segurança, precisa ser criado a partir do momento em que se ouve os principais atores do processo. Na segurança, no caso, os policiais civis e militares. Eu criei o Ronda no Bairro e conseguimos durante um tempo reduzir os índices de criminalidade. Ele teve êxito, só que agora já está ultrapassado. Nós precisamos cada vez mais aproximar a polícia da comunidade. Por sua vez, a comunidade precisa ter confiança no policial. O Ronda no Bairro foi importante em determinado momento, hoje o pensamento é muito mais além do Ronda no Bairro. Aliada à tecnologia, a modernização tem que ter a valorização do policial. E eu que quando fui governador deixei o plano de carreiras e salários de todas a categorias, estabelecendo a data-base de reajuste, pensei que essa questão já estava resolvida no Amazonas. Hoje ainda vejo polêmica de um ponto que já devia ter sido ultrapassado. Isso acontece, por que não se cumpre uma regra mínima com quem deve oferecer segurança, com quem atende num hospital ou com quem está na sala de aula dando aula, que é a data-base do servidor. Enquanto governador eu cumpri essa data-base. Voltando à segurança pública, tenho muita experiência, pois fui um bom secretário e como governador fui o único que criou programas para essa área, tanto repressivos, quanto preventivos. Cito como exemplo, o Galera Nota Dez. Numa época em que Manaus sofria com a violência juvenil, nós conseguimos acabar com as galeras não prendendo, mas, sim, dando oportunidade para que aquele jovem tivesse uma atividade extra curricular. Na prevenção fui o governador que mais construiu escolas de tempo integral, mantendo a criança e o jovem o dia todo dentro de uma escola. Ficando na escola ele é um a menos a se envolver com drogas e outras coisas que não prestam. Nós também tínhamos uma viatura e duas motos a cada três quilômetros, funcionando com tecnologia, com cada cidadão da cidade de Manaus com o telefone do policial, mas, infelizmente, acabaram com isso. O custo desse aparato é bem menor que o que se paga hoje para não se ter viaturas nas ruas. Tem que se ter um novo modelo de governar.

JC - E como seria esse novo modelo?

Omar - Primeiro, vamos acabar com essa história de secretário ser o dono da pasta, achando que pode tudo. Nós vamos criar nas secretarias, uma organização não governamental que terá todos os poderes para fiscalizar absolutamente tudo, dando transparência à aplicação dos recursos públicos, sem deixar nenhuma dúvida na hora de um aluguel de viatura, quando se comprar um remédio ou quando se comprar um quilo de arroz, a população vai saber que está se comprando por um preço justo e a sociedade vai estar fiscalizando. O secretário não pode ser um semideus que recebe aquele que bem entende, deixando de atender quem realmente tem a necessidade. Essa comissão terá representantes dos empresários, das mulheres, das associações de bairros. Esses serão os verdadeiros fiscais dos recursos públicos e quem tentar fazer algo errado será denunciado no ato, sem esperar anos pelo julgamento do Tribunal de Contas. Esse é um exemplo do que pode ser o novo. Eu cumpro o que prometo. E eu prometo melhorar a qualidade de vida das pessoas.

JC - Senador, qual é a diferença entre o senhor e o possível adversário, governador Amazonino Mendes ?

Omar - É simples, tudo que eu prometo, eu cumpro. Isso me diferencia dele e de muitos outros.

JC - Senador e sobre a privatização da Eletrobras?

Omar - Eu sou contra, pois se for privatizada a conta vai subir e as pessoas no interior e muitos na capital, não terão condições de pagar. Eles querem só o filé e deixar a carne de pescoço para os outros.

JC - Senador, o senhor tem algum parentesco com principal acusado na Operação Maus Caminhos?

Omar - Essa é uma oportunidade boa para falar sobre isso. Alguns blogs disseram que eu sou primo dele. Não tenho nenhum grau de parentesco com o Mouhamed. Se alguém provar que tenho qualquer grau de parentesco com ele, renuncio o meu mandato de senador e nem sou candidato a governador. O que aconteceu foi que assim como os índios chamam todos de parente, os árabes chamam todos de primo. No meu governo ele teve um contrato irrisório. Não estou preocupado com as acusações que são feitas a mim. Eu e minha família estamos sendo investigados há mais de três anos e a única pena que sinto no coração é que minha mãe, ouviu as acusações,sofreu muito, mas agora ela não tem condições de saber que estou sendo inocentado. Fica uma dor muito grande para toda a família. E não adianta uma nota em qualquer veículo de comunicação, dizendo que o Omar está sendo inocentado. Isso não tem recuperação. Não tenho receio de alguma coisa, pois se tivesse não estaria com essas pessoas que estão hoje aqui ao meu lado. No caso da ponte fui inocentado e no caso da Arena, são três anos de investigação pela Polícia Federal e pelo Ministério Público e nenhuma denúncia foi encaminhada. Estou preparado e repito não tenho receio de nada, somente da vontade de Deus. E peço que Deus possa me permitir governar novamente esse Estado de uma forma melhor.

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