Manaus, 21 de Julho de 2018
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Medo do desemprego cresce no Amazonas

Por: Antonio Parente - aparente@jcam.com.br
12 Jul 2018, 14h18

Crédito:Walter Mendes
Instabilidade política em ano eleitoral, mostra perda de confiança de geração de emprego por parte dos amazonenses, afirmam especialistas. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), no mês de maio, o Amazonas registrou uma queda de 0,31% no número de empregados. Setores da construção civil e da indústria foram os mais afetados, registrando uma baixa de 1,83% e 0,99% respectivamente.

Os números confirmam os dados divulgados pelo IMD (Índice de Medo do Desemprego), realizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), que cresceu 4,2 pontos em relação ao verificado em março. Em junho deste ano, o índice atingiu 67,9 pontos, o maior valor da série histórica iniciada em maio de 1996, empatado com os valores registrados em maio de 1999 e em junho de 2016.

Para a presidente da ABRH-AM (Associação Brasileira de Recursos Humanos do Amazonas), Kátia Andrade, o medo do desemprego relatado na pesquisa, faz todo sentido em função do momento que o país está vivendo, com os constantes escândalos políticos que acabam desestabilizando a economia e afastando investidores, causando insegurança no amazonense.

"No início do ano estávamos com a expectativa que fosse dá uma aquecida na economia, e fomos surpreendidos com novos escândalos e novas denúncias. O ambiente político tem influenciado muito na retomada do crescimento econômico e é natural que as lideranças empresariais esteja cautelosas para fazer novos investimentos", disse.

Andrade explicou que a ausência de investimento, alinhado ao ano eleitoral, criou um ambiente instável, mesmo com os índices crescentes das indústrias de Manaus no mês de abril. Os volumes de produção ainda estão muito longe de chegar aos níveis desejados no ano de crise.

A pesquisa da CNI relatou que o receio de ficar fora do mercado de trabalho afeta mais os homens do que as mulheres. Enquanto entre elas o medo cresceu 2,8 pontos entre março e junho de 2018, entre eles o aumento é de 5,6 pontos. No entanto, as mulheres (com 71,1 pontos) continuam com mais medo do desemprego que os homens (64,5 pontos).

O receio de ficar fora do mercado é maior entre os brasileiros com menor grau de instrução. Entre os que possuem até a quarta série do ensino fundamental, o indicador sobe de 62 para 72,4 pontos, ou seja, um aumento de 10,4 pontos. Entre os que possuem educação superior, o IMD passa de 59,9 para 60,5 pontos, menor variação entre graus de instrução. Kátia destacou a importância do trabalhador se qualificar mais para a abertura de novas oportunidades.

"As pessoas precisam se qualificar cada vez mais para serem absolvidas em outras funções e muito provavelmente vão está surgindo profissões que ainda não conhecemos. Aqui em Manaus especificamente ainda temos como alternativa a bio economia, que é um potencial econômico importante na nossa região ainda pouco explorado", disse Kátia.

Para o economista Ailson Rezende, devido ao ano político, o amazonense está cauteloso achando que não vai melhorar a questão do emprego. E reforçou que apesar da reação positiva da indústria no início do ano, a greve dos caminhoneiros foi outro fator que desestabilizou o crescimento criando receio no trabalhador.

"A situação dos caminhoneiros desestabilizou um pouco o crescimento econômico, e a situação fez com que os investidores ficassem mais cautelosos, e refletiu no comportamento do brasileiro. E agora entramos em um período de eleição e os investidores esperam o que vai acontecer. O cenário econômico depende muito da política", disse.

Apesar das dificuldades que o país vem passando, e o sobe e desce das atividades do polo industrial, o industriário Francisco Diniz, não tem receio de ficar desempregado, e como medida de prevenção, já busca qualificação em outros ramos de atuação, com o objetivo de não ser pego de surpresa.
"O mais importante é você confiar em Deus e nas suas competências profissionais. Não tenho medo de ficar desempregado, mas caso isso aconteça, tenho em mente outras áreas onde tenho experiência, como o setor de alimentos e o ramo de construção civil. Estou buscando me qualificar a cada dia, dando continuidade aos meus estudos", disse.

Kátia Andrade destacou, que no PIM (Polo Industrial de Manaus), maior motor econômico do Estado, as empresas acabam tendo que usar de alternativas para se manterem competitivas no mercado. Uma delas foi a diminuição dos processos fabris onde as fábricas automatizaram a produção industrial dependendo menos da mão de obra sem a qualificação exigida.

"Como nosso motor econômico em Manaus ainda é a indústria outros segmentos também são afetados. A automação está sendo o principal investimento das indústrias, e estará cada vez mais presente no processo produtivo. As empresas estão redefinindo os seus leiautes, seja nas indústrias, seja no comércio e serviços. Com esse novo modelo elas vão investir em trabalhador especializado e capacitado. Então, esses profissionais relatados na pesquisa, com o nível de escolaridade e classificação menor, com certeza serão os mais atingidos, com o medo do desemprego", explicou.

Além da questão de competitividade e investimento, outro fator citado por Kátia, foi a questão cultural do amazonense, onde os homens se sentem mais responsáveis pelo sustento da família, aumentando ainda mais o temor do desemprego. "No Amazonas é natural aparecer um percentual maior de homens com receio de perder o emprego. Esse medo do homem trata-se de fator natural, cultural, sendo ele o responsável pelo sustento da sua família", disse.

Rezende explicou, que após a formação básica, as mulheres têm buscado se qualificar mais do que os homens. E além da mudança do mercado, que abre mais espaço para o público feminino, a capacitação das mulheres torna-se um ponto positivo na conquista de espaço e geração de confiança.
"Se você ver o nível de escolaridade, as mulheres estão estudando mais que os homens. Mesmo depois de formada procuram se qualificar melhor. E também o mercado de trabalho era muito restrito, e hoje existe muito espaço para a área feminina", disse.

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