Manaus, 22 de Outubro de 2018
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Gargalo logístico ainda é barreira

Por: Andréia Leite
04 Out 2018, 17h51

Com as obras paradas por falta de licenciamento ambiental, o descaso com a liberação da BR-319 é tratada como principal empecilho que emperra a cadeia produtiva da Zona Franca de Manaus e parte da região Norte do país. O entrave que limita a logística do Estado, tem sido uma das principais bandeiras levantadas por candidatos, mas para representantes de algumas entidades, os discursos precisam dar lugar a prática.

Para atrair a indústria o problema logístico do Amazonas precisa ser resolvido e o principal gargalo é a falta de estrutura de pavimentação da BR 319, explica o presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), José Jorge Junior. "A BR 319, é a verdadeira integração de Manaus com o resto do país. Por uma visão míope de que pode causar desmatamento a pavimentação está inviabilizada".

O problema de fiscalização do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) é mais um fator apontado por José Jorge envolvendo a questão "A fiscalização da chegada dos produtos precisa ser mais massiva. O Estado precisa no mínimo, de vinte fiscais hoje só possui cinco", disse José Jorge ao destacar que não adianta ter scanner, plataforma estrutura hard, se não existe uma quantidade expressiva de fiscais.

Celeridade

"São 600 indústrias que poderiam estar utilizando a estrada. Mas por uma visão míope existe essa inviabilidade. A celeridade na entrada e saída de produtos bem como a melhoria da situação dos portos reduziram os custos de logística estes são algumas das vantagens se o trecho fosse liberado".
Ele acredita que o atual momento de indefinição política atrapalha a resolução desses problemas. "São demandas que trabalhamos há algum tempo e dependem muito do poder público. A questão da estrada, por exemplo, é uma decisão que cabe aos próximos governos do estado e federal,"concluiu.

Reflexos

No ponto de vista do gerente-executivo do CIN-AM (Centro Internacional de Negócios do Amazonas), Marcelo Lima, a falta de empenho e a má vontade de muitos que tiveram 'a faca e o queijo na mão' e nada fizeram, é apontado como um dos grandes reflexos para a rodovia ainda está empacada. "Todos têm sua parcela de culpa, governos, órgãos, ministros. Isso se posterga há anos é bem difícil acreditar num avanço para solucionar o problema da BR-319", avaliou Lima destacando a necessidade da liberação da rodovia para o favorecer a implantação da agroindústria na área de Humaitá.

"Precisam entender definitivamente, se concluída vai facilitar a logística, resolveria a importação e daria um fluxo maior em função do tempo de comboio de Porto Velho a Manaus. Lembrando que sofremos problemas sérios em período de secas onde transporte fluvial é afetado", reforçou.

Lima almeja que o futuro governo tenha tenha olhos para a Amazônia e perceba que a necessidade de avançar nesse aspecto é indispensável para a região Norte e para o Brasil ele conclui "A logística é fundamental para o desenvolvimento".

Problema antigo

Na edição de terça-feira do Jornal do Commercio, o presidente do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas) Wilson Périco, comentou sobre a limitação do Estado quando se pensa em logística. "O isolamento rodoviário não faz sentido algum, sendo um dos oito entes federativos que mais recolhem recursos do que recebem da União Federal, permanecermos isolados do resto do Brasil por via terrestre. Há duas décadas aguardamos a recuperação dessa conexão rodoviária da BR 319, construída pelo governo militar na década de 70.
Em outra declaração Périco já havia afirmado que a falta de infraestrutura nas vias do Distrito Industrial, nos Portos e a BR-319, são condições básicas para a atração de investimentos para o Estado continuar crescendo e contribuindo com a região e com o País.
Reféns

Uma estrada que já houve trafegabilidade e foi mal utilizada hoje está no centro de discursos falidos e demagogos, avalia o primeiro secretário do Setcam (Sindicato das Empresas de Agenciamento, Logística , Transportes Aéreos e Rodoviários de Cargas do Estado do Amazonas), Raimundo Augusto de Araújo. Em decorrência da necessidade de outros acesso a via terrestre a outros Estados "Estamos reféns do Estado do Pará porque não temos rodovia e a carga precisa ser transportada". Ele afirma que a estrada traz meios de ir vir e que não e não podemos ficar isolados por conta de uma legislação com interesses escusos de ambientalistas que insistem em dizer que é uma questão ambiental. " O Estado precisa estar à frente para coibir qualquer prática que prejudique a preservação. É só fiscalizar", disse.

Araújo ainda salientou que a facilidade de entrada e saída de mercadorias, aliada a condição de redução de tempo de vários locais diminuiria prazos e trazia economia em torno de menos estoques, além de dar a condição para não depender apenas do uso modal.



Comentários (2)

  • carlos alberto17/10/2018

    Gente, sinceramente, eu não sei os motivos que a imprensa de Manaus insiste na reconstrução dessa estrada. Vocês já fizeram alguma pesquisa para saber quantos empresas fariam uso dessa estrada para transportar ou importar seus produtos entre Manaus e o Sudeste do país? Bom, eu posso adiantar as respostas! Nenhuma, empresa de grande porte não fará uso dessa estrada, se fizessem isso, provocaria uma elevação de seus custos em , no mínimo, 30% de seu valor do frete! Continuariam transportando por hidrovia e, apenas alguns gatos pingados iriam fazer uso dessa rodovia. Outro detalhe, essa estrada, por pertencer ao governo federal, não receberia manutenção. adequadamente, para permanecer e manter em condições permanente em trafegabilidade, haja visto as estradas de Mianas Gerais onde há a maior rede de rodovias federais e encontram em péssimas condições de trafegabilidade. As estradas vicinais do Amazonas não recebem manutenção adequada pelo governo do estado. O mais interessante seria usar o leito dessa estrada e construir uma ferrovia, isso sim, iria resolver todos os problemas de integração entre o Amazonas e todo o restante do Brasil com custos da Ton/Km três vezes nais barata e muito mais rápida que estrada.

  • mario marcelo05/10/2018

    O Brasil que eu quero é um Brasil onde as decisões que beneficiem a população fosse tomadas rapidamente .Porém o que vemos é um emaranhado de entraves, verdadeira teia de aranha empreendida pelos articuladores do atraso. No final, caso uma obra passe para a fase prática,ainda corre-se o risco de superfaturamento, corrupção, péssima qualidade,desperdícios,obra inacabada,etc.O caso dessa rodovia que tantos benefícios traria, está esse abandono.

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