Manaus, 11 de Dezembro de 2018
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Crise coloca olarias contra a parede

Por: Antonio Parente
04 Out 2018, 17h54

Fábricas de olaria no interior do Amazonas sofrem com os reflexos negativos da economia e com a baixa venda no mercado. De acordo com representantes do setor, em 18 meses as vendas caíram em torno de 65%, levando o fechamento de 11 fábricas no interior do estado. Com o preço do produto abaixo do mercado, a previsão é que mais 5 fábricas tenham suas atividades encerradas.

De acordo com o presidente do Sindicer-Am (Sindicato das Indústrias de Olarias do Estado do Amazonas), Sandro dos Santos, além do cenário negativo na comercialização dos tijolos, as 26 fábricas espalhadas nos 51 municípios do Amazonas, sofrem com o alto custo dos combustíveis e da energia elétrica.

"Além da queda nos preços dos tijolos que estão muito abaixo do valor de mercado, o setor tem como grande vilão que são os gasto com combustível e energia elétrica. Com esses custos elevados e a redução nas vendas muitas fábricas partiram para uma briga de preço, onde cada uma reduziu o valor até o limite. Isso gerou um prejuízo a elas levando o fechamento de algumas", disse.

Segundo o Sindicer-Am, o setor tem hoje como principal pólo os municípios de Iranduba e Manacapuru. E no auge da sua produção e boa demanda no mercado, as fábricas chegaram a gerar cerca de 4 mil empregos diretos nos municípios. "Nosso setor aqui no polo chegou ao pico de 4 mil empregos diretos. Hoje temos abaixo de 900 empregos. Hoje muitas famílias correm o risco de perder seus postos de trabalho", frisou.

De acordo com Sandro, a baixa procura da construção civil para aquisição dos tijolos, também tem sido um dos fatores que tem preocupado o setor. Ele espera que a definição no cenário político seja o primeiro passo para melhorar a economia e consequentemente ter o mercado mais aquecido.

"A construção civil é o nosso maior comprador seguido das revendas. Hoje está praticamente parado. Esperamos que o resultado das eleições sejam positivas e as propostas dos candidatos tragam uma retomada da economia o mais rápido possível. E que a construção civil na área de moradias venha ter um crescimento bom. Sabemos que o momento é difícil para todos os setores, mas a área da construção provou ser um dos setores com uma recuperação mais rápida gerando empregos", disse

"Uma das principais dificuldades do setor hoje é o licenciamento ambiental para extrairmos a argila. Queremos uma fiscalização dos órgãos e uma sintonia melhor desses órgãos. O nosso combustível de queima. COmpramos lenha de Roraima porque aqui ainda não é legalizado. As duas principais matérias prima são os dois grandes problemas que temos devido falta de legislação e o trabalho dos órgão.

Segundo o empresário José Henrique de Oliveira, dono de uma olaria no município de Iranduba, em 2014, o milheiro do tijolo era vendido no mercado a R$ 440. Hoje em função da crise do setor, o valor comercializado está em torno de R$ 350 o milheiro. "Tivemos uma redução de volume e de preço. Não é a venda que está ruim e sim o mercado. A construção civil que alavancou nosso setor hoje está parada.Os preços que vendemos não atende ao custo operacional. O aumento do diesel reflete na nossa produção com as máquinas e caminhões. É um setor que sofre duas vezes", explicou.

Outro ponto citado pelo oleiro é a burocratização dos órgãos ambientais em legalizar o transporte da argila e lenha para as fábricas. Segundo ele, a demora no atendimento e a falta de organização dos serviços acabam atrasando o processo de produção das fábricas causando prejuízo. "Precisamos da lenha para a queima de combustível e da argila para a produção. Os órgãos não facilitam no transporte. Eles autorizam o corte e a extração, mas demoram autorizar o transporte. Se estamos fazendo conforme a lei, porque tanta demora para liberar essas matérias primas para as fábricas? É uma situação crítica e difícil de se resolver", frisou.

Otimismo

Segundo o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), a expectativa de melhoria para o setor é grande, devido a novos empreendimentos imobiliários que vem surgindo na cidade. "O setor está contratando mais devido ao aumento no número de vendas de imóveis e ao surgimento de novas obras imobiliárias. Após as eleições, esperamos que o consumidor volte mais confiante em comprar e assim termos um mercado aquecido. Acreditamos de uma boa retomada no setor", destacou.

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