Manaus, 11 de Dezembro de 2018
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O destino dos food trucks

Por: Evaldo Ferreira - evaldo.am@hotmail.com
08 Out 2018, 17h16

Crédito:Evaldo Ferreira
Os food trucks surgiram em Manaus, em 2015, e várias pessoas viram naquele novo segmento gastronômico uma maneira fácil de ganhar dinheiro. Um trailer, que poderia ser levado de um lugar para outro, dentro do qual se produziriam e comercializariam os lanches. Logo ficou claro que não era tão fácil assim se ganhar dinheiro com eles. A febre passou e os food trucks foram, um a um, sendo encostados e postos à venda.

"Mandei fazer o 'Rock Chef' há dois anos e meio, no auge dos food trucks em Manaus. Com o tempo fui vendo que, como qualquer outro empreendimento, era necessário saber trabalhar naquele novo empreendimento", falou Sara Mariúba, proprietária do Rock Chef.

"O 'Bora Lá', o primeiro de todos, já fechou. O WTS, outro pioneiro, foi vendido pelo dono e hoje está no Park Vieiralves, sob nova direção. Esses food trucks foram feitos em São Paulo, mas logo apareceram oficinas aqui em Manaus, fabricando o veículo, como o meu", contou.

"O grande problema é que tudo você paga. A prefeitura não te autoriza ficar na rua se não pagar taxa; a Manaus Energia te cobra taxa pelo uso da energia; se fica num determinado local, particular e fixo, o dono te cobra aluguel; se vamos pra um local de eventos temos que pagar, aí o lucro vai quase todo embora", reclamou.

"Em eventos, shows e festivais pagamos um valor bem alto para ocupar determinado espaço, mas é o que está valendo a pena. Felizmente nesses lugares o faturamento é bom. Em local fixo, fico dentro de um condomínio fechado, que também compensa. O ideal é ter outros food trucks com linhas de produtos diferentes", explicou.

O food truck de Sara vende hambúrgueres, hot dogs e sanduíches com carnes especiais. "O carro chefe é o Metaleiro (picanha fatiada, queijo coalho, cebola caramelizada, barbecue, alface e tomate dentro de uma mini baguete)", listou.

"O negócio ficou tão ruim que a garagem da oficina onde mandei fazer meu food truck tem mais de 20 deles parados, para venda", revelou.


Satisfeito e vai continuar
Bruno Rafael Tavares segue os mesmos caminhos da amiga Sara Mariúba. Proprietário do food truck 'Pastelaria do Gordão', fixo ele fica no condomínio Itapuã, no Parque Dez, e quando há eventos pela cidade, ele segue para lá com os seus pastéis.

"Tenho o 'Pastelaria do Gordão' há dois anos e meio e, como a maioria dos outros, eu mandei fazê-lo aqui em Manaus, na Norte Reboque, por R$ 18 mil. Ele é pequeno. Não é no estilo dos americanos, compridos. Queria desse tamanho mesmo", garantiu.

No food truck de Bruno, como o nome já diz, ele só vende pastéis. "Tenho, atualmente, no cardápio, 27 itens entre doces e salgados. Quando vou para eventos, levo uns 15 itens", falou. Os carros chefes são o Mixtão (carne moída temperada com cheiro verde, queijo coalho e ovo), o Caboquinho (queijo coalho e tucumã); e o Nutella com morango.

"A questão da 'quebra' da maioria dos food trucks foi as pessoas investirem alto achando que era fácil manter o negócio, e que os lucros seriam fáceis. Não é bem assim. Primeiro você tem que estar todo documentado. Tem muita burocracia na prefeitura e outros órgãos de serviços públicos. É um negócio como outro qualquer. Depois, obedecer as regras do segmento. Como o food truck é um espaço pequeno, você precisa seguir determinada linha de produto. Tinha food truck vendendo até cinco linhas diferentes de produtos. Não focava só num e ainda atrapalhava os outros. Por fim, você precisa ser 'o cara'. O faz tudo. Eu mesmo preparo as massas dos pastéis, os recheios e depois os frito, na hora, na frente do cliente. No máximo preciso de um auxiliar", ensinou.

"Eu estou satisfeito com o meu food truck e vou continuar enquanto estiver dando bem", finalizou.

Box
Um fenômeno mundial
Segundo a 'Food Trucks no Brasil', um dos motivos da queda do segmento é que muita gente aproveitou a onda e entrou no mercado sem preparo. Além disso, a dificuldade de circular pelas ruas por conta da legislação acabou afetando muito os empreendedores.
Rolando Vanucci, dono do 'Rolando Massinha' e presidente da Associação Paulistana de Comida de Rua, disse que os clientes estão mais exigentes e por isso os food trucks têm que trabalhar para atrair o cliente que não vê mais novidade em comer em pé o que ele poderia comer em um restaurante, sentado.
Muitos donos de food truck optaram pelos eventos, que é sempre uma boa opção em baixas temporadas. A vantagem de trabalhar em eventos, é que o público já vai com a intenção de gastar. Isso porque não se trata somente de matar a fome como nas ruas, mas sim, de desfrutar um momento de lazer que compartilham com os amigos ou com a família.
Apesar de alguns empreendedores estarem voltando para o formato tradicional de restaurante, os food trucks são um fenômeno mundial. É muito improvável que o mercado acabe. Como qualquer negócio, o segmento está suscetível a oscilações do mercado. Sempre existe espaço para o profissional bem preparado. Por isso, é essencial ter um bom planejamento para adaptar às mudanças, inovar, se diferenciar dos concorrentes. E é claro, manter sempre a qualidade dos produtos.



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