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Apostas do setor de brinquedos para Dia das Crianças e Natal

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09 Out 2018, 17h03

Crédito:Divulgação
O Dia dos Crianças é uma das datas mais importantes do ano para o setor de brinquedos.

Tradicionalmente, as vendas realizadas entre o Dia das Crianças e o Natal representam cerca de 70% do movimento de todo o ano. Por isso, a indústria reserva seus principais lançamentos para este período.
Apesar do fraco desempenho da economia, o setor acredita que as vendas de brinquedos fecharão o ano com um crescimento de ao menos 5% em relação a 2017, patamar muito superior ao esperado para o PIB, que deve avançar 1,4%, segundo última previsão do Banco Central.

A explicação para esse bom desempenho, segundo executivos do setor, está na relação entre pais e filhos. "O ciclo de vida entre um lançamento e outro está cada vez mais curto. A criança permanece muito tempo sozinha em casa, bombardeada por informações e novidades, vindas pela TV ou internet. Essa informação quebra a hierarquia da família e é a criança que define o consumo da casa. Ela sabe o que quer", diz o diretor de marketing da Estrela, Aires Fernandes.

Mesmo em tempos de corte de gastos, os pais economizam em outras áreas para manter a compra do brinquedo do filho. "Os pais preferem economizar com eles mesmos, deixar de comprar para eles, do que deixar de comprar o brinquedo para o filho", afirma Sharon Czitrom, diretora de marketing da Sunny.

Ricardo, Wako, gerente de marketing da Hasbro, diz que esse tem sido o comportamento das famílias nos últimos anos, reforçando que o setor de brinquedos é mais resiliente à crise do que outros. Mas diz que não sabe se isso se repetirá em 2018. "Os fabricantes fazem uma grande aposta para este período. Mas não sabemos se será assim, todo ano é grande emoção."

Segundo ele, o setor de brinquedo reserva boa parte dos lançamentos mais caros para este período. "O objetivo é deixar o consumidor embasbacado, com muitas novidades e inovações e dessa forma elevar as vendas. No primeiro semestre costuma haver a venda de itens mais acessíveis. No segundo, são itens mais caros."

Cristina Lorenzo, vice-presidente de marketing da Mattel para América Latina, diz em nota que 2018 tem sido um bom ano para a empresa. "Sabemos que as famílias precisam adaptar seus custos à realidade econômica, especialmente quando enfrentam um ano desafiador. Mas os maiores picos de vendas de brinquedos acontecem durante o Dia das Crianças e o Natal."

O presidente da Ri Happy, Héctor Núñez, também atribui ao perfil do pai brasileiro o bom desempenho de vendas do setor. "Os pais brasileiros gostam de presentear os filhos, não apenas no Natal. Eles costumam dar mimos para os filhos no dia a dia, é uma espécie de carinho. Entendem que brinquedo não é só divertimento, mas ajuda no desenvolvimento da criança", diz o presidente da Ri Happy, Héctor Núñez.

Colecionáveis

Após a febre das minibonecas LOL, várias empresas decidiram apostar em brinquedos colecionáveis-surpresa, ou seja, aqueles em que desembrulhar - o famoso unbonxing - também é parte da brincadeira.
Na Candide, uma das novidades dessa linha são os Ready 2 Robot. Na Hasbro, um dos sucessos são os gatinhos da linha Lost Kitties. A Sunny aposta nos ovinhos de dragão da linha Hatchimals.
A Mattel possui linhas colecionáveis não-surpresa, como Hot Wheels e Barbie.

Conexão com Youtube e jogos

Outra tendência forte são brinquedos atrelados a filmes e animações de YouTube ou jogos na internet.
"Graças à internet, os lançamentos acontecem quase que simultaneamente no mundo todo. Por isso, as tendências são muito parecidas. E por isso a variável online é muito importante", diz Wako, da Hasbro.

Aires, da Estrela, diz que a convergência entre o mundo físico e o digital é muito importante para o setor de brinquedos. "A criança não brinca mais só no mundo físico, ela leva a brincadeira para o digital".
Os Transformers, por exemplo, estão ligados aos lançamentos do cinema. Já os jogos Detetive e Banco Imobiliário foram repaginados para incorporar a convergência com o mundo digital.

Slime

O slime, espécie de geleca que ficou famosa a partir de vídeos de crianças ensinando como fabricar a massinha em casa, conquistou a indústria de brinquedos.

Um dos lançamentos da Candide é a unicórnio Poopsie. Os robôs, da linha Ready 2 Robot, também vêm com potinhos de slime.

Bonecas quase humanas

As empresas também apostam em bonecas quase humanas, que graças à tecnologia aprendem palavras com as crianças. Esse é o caso da Luvabella, da Sunny, vendida por mais de 1.000 reais. Quanto mais a criança brincar com ela, mais palavras ela aprenderá. O anúncio diz que tem expressões faciais, responde ao toque e é possível sentir seus 'batimentos cardíacos'.

A Baby Alive, uma das bonecas campeões de vendas do país, também ganhará sua versão inteligente. Tanta novidade também custa caro: 999 reais.

Cozinha e casinha

Uma tendência que vem se repetindo é a de brinquedos ligados ao hábito de cozinhar. A Mattel lançou a linha Cozinhando e Criando, com versões da boneca em uma pizzaria, estação de doces, hortinha e com cozinha cheia de utensílios de última geração.

A Hasbro diz que um dos seus carros-chefe são as cozinhas e geladeiras, que permite que as crianças brinquem de casinha, se espelhando nos pais.

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