Manaus, 22 de Outubro de 2018
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Novos planos econômicos afetam o PIM

Por: Antonio Parente
11 Out 2018, 16h16

Em meio a corrida eleitoral do segundo turno, representantes da indústria e economistas do Amazonas, comentam futuro do PIM (Polo Industrial de Manaus), no plano de governo dos dois candidatos à presidência da república. Eles alertam, que apesar das especulações, possibilidade de extinção do principal modelo econômico do Amazonas são mínimas diante do atual cenário político.

Para o economista Ailson Rezende, o Brasil não possui um plano para a indústria nacional, e que cabe uma agenda governamental para ouvir as necessidades do modelo Zona Franca, além da importância de cada estado fazer seu próprio planejamento industrial.

"Tem que fazer um grupo de estudo por segmento. Temos empresas de todo mundo, alemã, portuguesa, coreana e outras. Não tem como dar uma canetada e acabar já virou uma proporção global. Não acredito que haja um fim do dia para o outro. E os investimentos internacionais não conta?. Quase toda Europa tem investimento aqu. É preciso esses candidatos ouvirem as dificuldades do setor", disse.

Rezende explica, que devido a ausência de políticas federais para a indústria, as ações governamentais servem mais para apagar incêndios de cada segmento do que propriamente investir no desenvolvimento deles "Os setores da industrial, do comercial e de serviço que precisam de algum apoio, vão ao governo federal e tentam obter o máximo de benefícios fiscais. Não existe um plano de governo que inclua eles", ressaltou.

Rezende citou o plano do governo Omar, onde foi criado um grupo para pensar o planejamento estratégico do estado até 2030, por meio de estudos de novos nichos de mercados e polos de crescimentos. E lamentou que o projeto não tenha continuado e nem aproveitado pela esfera federal.

"Doutores e mestres alugaram seus conhecimentos para formação de estudos de novos nichos de mercados e polos de crescimentos, aproveitando as potencialidades do Estado.
identificando a vocação de cada município e a forma de explorar a riqueza daquela área, transformar a riqueza em trabalho e renda para a população local. Não entendo porque não houve continuidade desse plano", disse.

Rezende destacou que a participação de representantes das indústrias é fundamental para pressionar os candidatos a se posicionarem em relação ao modelo zona franca. " Para o segundo turno, precisamos pressionar a FIEAM e a CIEAM para nos defender. Estas instituições devem levar aos candidatos suas cartas de intenções com as propostas para preservar o PIM. Mas a decisão de quem administra o país é do povo. Estamos numa democracia, e o povo tem o governo que escolhe", frisou.

Segundo o vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Nelson Azevedo, apesar dos dois candidatos não apresentarem planos específicas para o modelo Zona Franca, cada um recebeu da federação, propostas e planos que mostram as necessidades e o desenvolvimento do PIM, visando a melhoria do setor.

"Tivemos uma reunião com cada candidato e apresentamos a proposta da indústria para o plano de governo deles. Na proposta estão inseridas questões na parte tributária, desenvolvimento regional e segurança jurídica para investimento no país", disse.

Azevedo destacou, que a indústria espera que o plano apresentado aos dois candidatos, seja discutida e analisada com suas equipes técnica, e seja implantada como plano de estado e não apenas como projeto de campanha.

"Foi apresentada a nossa proposta no modo geral. Gostaríamos que o próximo presidente eleito, convide o setor industrial para discutir e criar melhorias para o segmento, que atualmente é importante para a geração de emprego e renda na região. O PIM é fundamental para atrair investidores para o país", frisou.

Apesar de não notar propostas específicas para o polo industrial de Manaus, o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco Mourão, explica que a atuação dos deputados federais e senadores eleitos, será fundamental para defender os interesses do PIM no congresso e reforçar a importância do governo atentar para as necessidades do setor.

"Os planos de governos não são regionais. O que vai nos fortalecer serão os nossos deputados federais e senadores eleitos. Eles que vão defender os interesses do PIM. Tirando a questão partidária o Pauderney sempre mostrou compromisso e empenho com o modelo. Ele tinha muito tempo de casa e muita influência. E esperamos que os novos deputados eleitos José Ricardo e Plínio Valério assumam a liderança de defender os interesses da Zona Franca. Apesar de sermos amparados pela constituição, eles vão ter que guerrear. Eu acredito na capacidade deles", disse.

Análise

Em artigo publicado na plataforma Medium, o ex superintende da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), e especialista em reforma tributária, Thomaz Nogueira, disse que o modelo Zona Franca de Manaus é uma excepcionalidade econômica e criticou o plano de governo do candidato Jair Bolsonaro, afirmando que a sua estratégia referente ao setor será danosa para Manaus.

"O que produzimos aqui são 'bens duráveis não essenciais'. Não produzimos vestuário, nem alimentos. Por isso, precisamos que a economia esteja bem, que o cara tenha algum sobrando, além do que gasta no feijão, na roupa, na conta de luz; caso contrário não sobra para a moto, celular, TV de LED, etc. Partindo disso, mostra-se que essa política neoliberal (agora defendida pelo Capitão) que privilegia uns poucos, não apenas mantém a penúria atual, mas a aprofunda, e é extremamente danosa para Manaus", disse no artigo.

Nogueira criticou a política do candidato do PSL e apoiou plano defendido pelo petista Fernando Haddad. E ressaltou que a zona franca não se encaixa no plano de governo de Bolsonaro. "A Zona Franca não cabe na cartilha neoliberal. A adesão do empresariado do PIM à esse trem, é muito mais que falta de inteligência (...). As políticas liberais produzem pobres e miseráveis aos borbotões. Aqueles que assustam a tantos. Eu tenho horror a pobres e miseráveis. Vamos transformá-los todos em cidadãos consumidores. Supere o preconceito e aja racionalmente, Haddad tem melhores propostas", disse em artigo.

No artigo ele destacou, que no PIM, dos 123 mil postos de trabalho, foram perdidos 40 mil no maior recuo desde o Plano Collor. "De uma média de 5 mil carros que eram emplacados em Manaus, vamos ladeira abaixo para pouco mais de 1200. Desemprego, gera desconfiança, que reduz consumo, que gera desemprego", disse.

Em entrevista concedida ontem (10), a rádio Jornal em Recife, o candidato Fernando Haddad afirmou, que fará uma reforma tributária que vai zerar o imposto dos pobres e cobrar dos ricos que não pagam. O candidato disse ainda, que não vai nomear banqueiro para ministro da Fazenda e fará de tudo para fazer os juros baixar. "Posso assegurar que não será um banqueiro que vai ocupar Ministério da Fazenda. Tem que ser alguém comprometido com a produção, com a geração de empregos e não com a lucro fácil que os bancos têm no Brasil", disse.

Para o economista Ailson Rezende, o discurso do petista foi equivocado no que diz respeito aos juros e criticou o posicionamento do ex superintendente da Suframa Thomaz Nogueira. "Juros e emprego não se determina ou cria por decreto. Estas variáveis aumentam ou diminuem dependendo das oscilações do mercado. Quanto ao artigo do Thomas, ele é um excelente exemplo de má gestão, na Suframa e na Seplan. Não entende que os 40 mil empregos foram perdidos por políticas do PT. Ainda é contra o Bolsonaro, que está tentando colocar ordem no caos. O PIM alcançou dimensões internacionais, não pode acabar por querer do Ministro ou do Presidente", frisou.


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