Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Palavras que viajam pelos rios da Amazônia

Por: Evaldo Ferreira - evaldo.am@hotmail.com
05 Nov 2018, 18h50

Crédito:Divulgação
Partiu na manhã de hoje, rumo a Itacoatiara, a embarcação Comandante Souza, levando os nove integrantes do projeto Amazônia das Palavras, cujo objetivo principal é apresentar a seis cidades do Amazonas (Itacoatiara, Nova Olinda do Norte, Borba, Novo Aripuanã, Manicoré e Humaitá) e duas capitais da Amazônia (Manaus e Porto Velho), ações que estimulem, principalmente em crianças e adolescentes, o hábito da leitura. O projeto está dividido em várias atividades culturais, todas gratuitas, sempre envolvendo a literatura.

O Amazônia das Palavras foi idealizado pelo casal de cineastas Jurandir Costa e Fernanda Kopanakis, da Associação Mapinguari, já envolvidos com outros projetos culturais, na área de cinema, sempre realizados na Amazônia.

"É a primeira edição do Amazônia das Palavras e esperamos que aconteçam outras nos próximos anos. Apesar de não sermos daqui, amamos essa região. Esse projeto foi o único do Norte contemplado pelo edital do BNDES", falou Jurandir.

"Vimos a demanda por literatura e poesia, pelo lúdico e pela escrita, então direcionamos o projeto para essas áreas, como as nossas outras atividades, sempre levadas para um público que vive quase isolado. Ao final, faremos um filme e um livro sobre a experiência", completou Fernanda.

Em Manaus, as ações do Amazônia das Palavras aconteceram na noite de ontem, 5, no Centro Estadual de Tempo Integral Gilberto Mestrinho. Na ocasião foi entregue ao poeta Thiago de Mello o projeto do 'Memorial Esperança Thiago de Mello', criado pelo artista multimídia Rudney Prado em conjunto com a arquiteta Letizia Esposito.

O memorial é um grito em defesa da floresta. Um muro de tijolinhos mostra o perfil de Thiago de Mello e seus cabelos representados por árvores dos cinco grandes biomas brasileiros que, juntas, alertam para a necessidade da preservação da diversidade brasileira.

Nesta edição, o Amazônia das Palavras homenageou o poeta da floresta "em reconhecimento ao conjunto de sua obra e sua luta, através da literatura, em defesa da diversidade da floresta amazônica e na exaltação da denúncia contra a opressão", explicou Jurandir.

De dia e de noite
As atividades do Amazônia das Palavras acontecerão de dia e à noite em escolas públicas. Durante o dia serão realizadas, nas dependências das unidades de ensino, as oficinas literárias, onde escritores e artistas tratarão, junto com os alunos, de temas variados. Serão cinco oficinas: 'Contação de histórias indígenas', com José Ribamar Bessa; 'Produção de contos', com José Roberto Torero; 'Sons do cotidiano', com Bira Lourenço; 'Poesia: narrativa e escuta', com Eliseu Braga; e 'Animação: palavra animada', com Leo Ribeiro.

À noite serão apresentadas as 'Aulas espetáculo memórias da Amazônia'. Em Manaus e Itacoatiara a aula espetáculo 'Catando piolhos, contando histórias: minhas memórias da Amazônia', será ministrada pelo professor Daniel Munduruku. Nas demais cidades do trajeto a aula espetáculo 'Cinco idéias equivocadas sobre os índios', será dada pelo professor José Bessa.

Ainda à noite acontecerá o espetáculo circense 'Cloro, o palhaço que engole letras', apresentado pelo artista argentino Diego Gamarra, que interpreta o palhaço Cloro com sua mala carregada de livros e histórias, passeando pelo universo mágico da literatura.

O Amazônia das Palavras começou em Manaus, ontem, e segue até o dia 21, terminando em Porto Velho, numa viagem de cerca de 1.300 km navegados pelos rios Negro, Amazonas e Madeira. O trajeto será o seguinte: dia 7, Itacoatiara, no rio Amazonas; depois, no rio Madeira, dia 9, Nova Olinda da Norte; dia 12, Borba; dia 14, Novo Aripuanã; dia 16, Manicoré; e dia 19, Humaitá.

Uma semente e uma mensagem
"O Amazônia das Palavras acredita que a arte-educação tem um papel fundamental na construção de um futuro sustentável, no despertar da criatividade, da inovação, de um pensamento crítico e na capacidade para uma cultura emancipadora, de igualdade e responsabilidade social justos, de um olhar ambiental equilibrado e de uma visão política ética, quebrando as barreiras entre áreas do saber e proporcionando espaços únicos de aprendizagem.

O Amazônia das Palavras não irá plantar apenas uma semente para despertar o gosto pela leitura, mas também deixará uma mensagem de sustentabilidade em cada cidade, plantando mudas de Pau Brasil (Paubrasilia echinata) em conjunto com os jovens e adolescentes participantes.

Assim, o Amazônia das Palavras estará estimulando a leitura e o acesso à literatura de língua portuguesa e de autores e produções da própria Amazônia".



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