Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Shopping do Artesanato é opção para presentes

Por: Evaldo Ferreira - evaldo.am@hotmail.com
07 Nov 2018, 17h41

Crédito:Evaldo Ferreira
Com a principal época de dar presentes se aproximando, o manauara acabou de ganhar um local com uma inimaginável quantidade de itens para se presentear aos outros e a si mesmo: o Shopping do Artesanato, inaugurado no final de outubro com 82 lojas coordenadas pela Setrab (Secretaria de Estado do Trabalho). O Shopping do Artesanato está localizado na Galeria +, na av. Djalma Batista, estrategicamente posicionado entre o Amazonas Shopping e o Manaus Plaza. O ambiente é todo climatizado e funciona diariamente, em horário comercial.

"E ainda tem mais. Cada uma das lojas é ocupada por três a quatro permissionários, que se revezam no espaço, ou seja, em cada loja o cliente terá produtos idealizados e confeccionados por três a quatro cabeças distintas, o que proporciona uma variedade maior de itens", esclareceu Simone Araújo, gerente de Economia Solidária, da Setrab.

"Aqui dentro está reunida uma variedade tão grande de profissionais que, para facilitar, podemos definir seus trabalhos em dois segmentos: artesanato e manualidade (confecções, crochês, artigos natalinos, produção de doces)", falou.

Jeane Silva ocupa a loja dos artistas plásticos, logo na entrada do Shopping. O espaço é dividido com os também artistas Neilon Batista, Lázaro Areque e Marivaldo. Cada um fica um dia na loja, onde pintam seus quadros enquanto aguardam os clientes. "Tenho quadros expostos no Palacete Provincial e no Chaminé, e participo de feiras como a Feira do Paço e o FUÁ. O artista plástico tem que correr atrás, porque é difícil vender quadros. Às vezes dá sorte. Logo na inauguração do Shopping o Neilon colocou aí fora um belo quadro confeccionado com galhos e folhas. Vendeu em pouco tempo por mil reais", lembrou.

Pintando quadros num estilo que ela classifica como surreal anárquico, Jeane elogia o novo espaço. "É muito bom. A estrutura é ótima. Precisamos de mais espaços assim na cidade. Muitas pessoas podem até não ter dinheiro para comprar uma obra de arte, mas gostam de vê-las e admirá-las, e isso ocorre em lugares como este", ensinou.

União de vários povos
Jomara Araci é dessana, povo que habita o alto rio Negro. Ela divide uma loja com Maria Leda, tukano, também habitante daquela região. "Mas tem outra loja aqui com parentes sateré, cocama, mura, tikuna, cada um mostrando um pouco do artesanato do seu povo", disse.

Nas paredes da loja são tantas as variedades de cada item, que fica até difícil escolher o mais interessante. Como exemplo o espaço dos brincos, dos colares, das pulseiras. "Fazemos com sementes de frutos como o açaí, mas também usamos miçangas, mas informamos isso aos clientes, porque os feitos com miçangas deixam de ser artesanato. Artesanato é o que representa a região onde vivemos", explicou.

Vários dos produtos confeccionados por Jomara e Maria são feitos a partir do tucum, fibra retirada de uma palmeira cujo caule é coberto por espinhos. "As fibras são transformadas em fios depois de serem enroladas, num vai e vem, na perna de um parente. Depois, usamos o fio nos colares, nas pulseiras, nos brincos e nos filtros dos sonhos. Com a fibra um pouco mais larga, confeccionamos os porta-jóias", mostrou.

Da semente da jarina surgem brincos e anéis. "E temos aqui uns feitos de acrílico, para as pessoas verem a diferença. Os de jarina são muito mais bonitos", garantiu.

"Ainda temos cestos, luminárias, chapéus e abanos feitos da palha de arumã, e cerâmicas com estilo marajoara", concluiu.

Criatividade inacabável
A loja de Marivaldo Gomes é das marchetarias (arte de unir numa mesma peça, madeiras, metais, pedras, entre outros materiais). "Meu pai começou fazendo embarcações, no interior do Pará, com o pai dele. Em Manaus, continuou com esse trabalho até a lei proibir a construção de barcos de madeira, então ele passou a fazer pequenas peças com madeira certificada, inclusive barcos ornamentais, e uma variedade imensa de objetos de decoração", contou Mariene Souza, filha de Marivaldo. "Ele também se especializou nas fotos naturais, que são paisagens amazônicas produzidas a partir da casa de cupim, serragem, escamas de pirarucu, galhos, palhas de açaí, piaçava entre outros materiais da natureza", falou.

Jussára Barroncas se enquadra na categoria manualidades. Seus trabalhos são todos confeccionados em tecidos: guardanapos, capas para botijão de gás e garrafões de água, tapetes, buquês de flores e patchworks (peças feitas com retalhos recortados e costurados artisticamente), mas o que faz muito sucesso mesmo são as bonecas, as famosas bruxas, montadas completamente com tecidos. "Faço de todos os tamanhos, formatos e cores, e todas vendem", revelou. "Ainda tem as carteiras porta cédulas, os porta níqueis e os pesos de porta no formato de galinhas, tudo feito de tecidos", completou.

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