Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Alta do milho afeta agronegócios no Amazonas

Por: Andréia Leite
08 Nov 2018, 18h41

O milho considerado o principal ingrediente na composição de alimentos para animais sofreu um aumento de 65% no valor do produto. Representantes do setor do agronegócio no Estado, já sinalizam um impacto para o segmento.

Para que o valor seja reajustado e revisto, a Faea (Federação de Agricultura do Estado do Amazonas), já tem se movimentado. Segundo o presidente da entidade, Muni Lourenço, a Faea já está encaminhando pleito para a presidência da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), em Brasília para que esse significativo reajuste seja revisto o mais breve possível.

Ele sustenta que o preço do milho do ProVB (Programa de Venda em Balcão) estabelecido recentemente, está praticamente em um patamar proibitivo, em se considerando a natureza de política pública com condição subsidiada para pequenos criadores do programa.

"Nesse valor atual há grande comprometimento da viabilidade da atividade criatória de pequenos avicultores, suinocultores e bovinocultores em nosso Estado, principalmente pelo aumento do custo de produção".

Ele considera que o valor traz um impacto altamente negativo, tornando as margens desfavoráveis para as atividades criatórias de pequenos e médios criadores dependentes do programa.

Como o Estado importa todo o milho que é consumido, principalmente a avicultura, essa política de aumento no valor do produto influencia de uma forma direta, segundo o diretor-presidente do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas), Luiz Herval.

"O milho nessas composições são 70% da ração. Esse aumento afeta os pequenos e médios criadores do Estado. A tendência é um repasse quase imediato, tanto da carne quanto dos ovos aqui no Amazonas".
Herval aguarda que a decisão do governo federal seja revista e que a bancada do Amazonas quando assumir seus respectivos cargos essa questão seja repensada. "Que seja revisto para que possamos ter preços mais competitivos no Estado e que o preço possa ser diminuído para o consumidor final", frisou

Luiz Herval, ressaltando a importância de alternativas para desenvolver políticas agrícolas no Amazonas que propicia uma produção com mecanização diária, logística e também recuperação das estradas. "Falta investimento. Se o governo oferecesse isso, poderíamos produzir esse milho, e não depender de outros Estados. Geraria renda e ajudaria a combater esses altos preços. Ainda mais diferenciação de preços sem aviso prévio", finalizou.

Na avaliação do presidente da AAMA ( Associação Amazonense de Avicultura), Kunya Takano, a Conab deveria facilitar no valor do produto e praticar a mesma cota dos outros Estados. "O milho está muito 'salgado', R$ 45 a saca". Outro aspecto frisado por Takano, é a dificuldade logística que é um entrave muito grande no Amazonas.

"Os produtores não têm como comprar milho para seis meses, é muito caro. A dificuldade em estocar também é ruim. Nenhum produtor tem condições de comprar sacas e mais sacas de milho para mais de três meses". Kunya Takano disse que antes das eleições, representantes do setor tiveram no Mapa (Ministério Agricultura Pecuária e Abastecimento) para um encontro com o ministro Blairo Maggi sobre a possibilidade de considerar um preço diferenciado no valor da saca de milho e que fosse mensal. "Seria uma cota especial.

Para os pequenos produtores, foi proposto que a venda no balcão igualasse aos demais Estados, por exemplo, o Sul tem mais poder de compra. Aqui na região Norte o pequeno tem uma cota que os outros Estado não têm", explicou o presidente da AAMA, frisando que nada ficou definido e que espera que no novo governo esse impasse se resolva.

Patamar de 65%

Em artigo publicado no Jornal do Commercio, o especialista na gestão da informação ao agronegócio, Thomaz Meirelles, refutou bem sobre o tema. É possível observar que com o fim do subsídio o milho no Amazonas passou de R$ 0,55/kg para R$ 0,91/kg. Isso significa passar de R$ 27,50 para R$ 45,50 a saca. Um aumento de 65%. "Isso é um absurdo vai prejudicar os criadores rurais cadastrados no ProVB numa atividade que produz carnes e ovos, itens prioritários, básicos na alimentação diária da população".

Thomaz declarou ainda que a prática desse preço evidencia que o preço ao consumidor vai aumentar e a concorrência fica ainda mais desleal com as granjas localizadas nos Estados produtores de milho. Além de frisar que o milho é de estoque público, portanto tem que ter um olhar diferenciado para o Norte e Nordeste, em especial para o Amazonas.

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