Manaus, 14 de Novembro de 2018
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Divergência nossa de cada dia

Por: Joubert Balbino
08 Nov 2018, 18h50

Existem momentos em que dói viver neste mundo, em que os interesses pessoais, os benefícios financeiros, a maldade e o egoísmo parecem ganhar sempre a batalha.

Os conflitos começam quando há uma discordância ou oposição em termos de valores, crenças ou interesses entre duas ou mais pessoas. A divergência não é o conflito em si, mas é a sua causa. O conflito surge quando essa discordância nos leva a tomar medidas para eliminar, neutralizar ou minimizar o oponente. Afinal, como podemos conviver com opiniões divergentes?

Às vezes, o confronto ocorre em termos verbais. O objetivo é persuadir ou impor ao outro os seu próprios motivos. Em outras ocasiões, os conflitos geram ações diretas que podem ser uma violência direta ou velada. Em todos os casos, o objetivo é sempre o mesmo: que uma das opiniões ganhe e prevaleça sobre a outra.

No entanto, existem circunstâncias nas quais nenhuma das partes consegue derrotar a outra. As discordâncias, por vezes, acarretam em severas discussões que avançam para o terreno da moral e da ética. Somos ofendidos de forma barata por aqueles dão seu palpite de forma súbita, sem ponderar suas palavras e medir o poder de destruição que elas tem quando nos atingem.

Nesses casos, existem três caminhos para resolver a questão. O primeiro deles é "virar a página", ignorando a contradição e fortalecendo outros aspectos do relacionamento. Uma variante disso seria resolver o problema através da construção de novos acordos que satisfaçam ambas as partes. O segundo caminho é estabelecer um limite e manter distância: o conflito põe fim ao relacionamento. O terceiro caminho é persistir na discordância e manter o relacionamento, apesar de tudo. Neste caso, o conflito acaba se enraizando.

Nestas situações, precisamos de bons exemplos.
Geralmente a decepção e o desconsolo que isso nos gera nos fazem acreditar que as pessoas boas sumiram e que as poucas que existem não conseguirão fazer nada que seja realmente significativo.
No entanto, as pessoas boas são as que mantêm o mundo em equilíbrio, completando o quebra-cabeças com sua sinceridade, sua honestidade, seus bons exemplos e boas ações. Todas aquelas pessoas merecedoras por alguma razão do adjetivo "boas" representam aquilo que gostamos de ter como exemplo. As demais, simplesmente, nos parecem insuportáveis.

Voltaire, ensaísta, escritor e filósofo da França, tem uma frase que expressa de maneira muito clara essa questão: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las". É assim que tem que ser, doa a quem doer. Seu direito de opinar é o mesmo que o outro tem de dizer o que também pensa. Nem sempre opinar sobre algo é necessário. É preciso, sim, ter coragem para falar. Mas em outras vezes, é preciso ter sensibilidade para ficar calado. É uma questão inquietante de uma linha tênue entre a discordância e o respeito. Refletir sobre essa questão nos deixa mais maduros e firmes.

É claro que, onde há seres humanos, há conflito. De fato, muitos desses conflitos são insolúveis, no entanto, aprendemos a lidar com eles. Sabemos que determinada pessoa não concorda conosco em alguma questão, mas em vez de "colocar lenha na fogueira", aprendemos a conviver com opiniões divergentes e minimizamos a importância dessa contradição. É uma maneira adaptativa e saudável de lidar com esse tipo de dificuldade. O que não é saudável é nutrir a discordância e sempre levá-la ao limite.

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