Manaus, 10 de Dezembro de 2018
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Crescimento frustrante em 2018

Por: Andréia Leite
30 Nov 2018, 17h20

Crédito:Walter Mendes/Acervo JC
O setor de Eletroeletrônico foi o principal segmento que alavancou o faturamento do PIM (Polo Industrial de Manaus), nos três primeiros trimestres. O setor apresentou um volume de 19,1 bilhões respondendo a 28,21% do faturamento total. O levantamento foi divulgado pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).

Apesar da resposta do faturamento do polo de Eletroeletrônicos ser positiva, para representantes da indústria, o resultado ainda não é satisfatório, pois representa uma recuperação lenta frente ao longo período de perdas. Segundo diretor da Jabil do Brasil e membro do conselho superior do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Celso Piacentini, é um número sem tanta expressividade, frente à perdas na participação da economia do Estado. "Estamos começando um período de recuperação, mas ainda muito tímida, a passos lentos. Na verdade ainda estamos longe de comemorar uma fase de bom desempenho. O que podemos atribuir ao resultado, foi o ano de Copa do Mundo, maior consumo e procura por TVs, além do aparelho celular que sempre surge como um dos produtos de maior consumo.

Celso Piacentini explica que para termos um cenário estabilizado é necessário haver aumento na elasticidade do crédito, mas com a mudança de comando no governo isso deve acontecer. "O crédito ainda é muito restrito. O consumidor precisa ter confiança. Como vai contrair dívidas sem ter poder de consumo? O aumento da oferta de crédito no mercado é preponderante".

Para o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, é importante frisar a grande participação do setor para o resultado global, mas não é o momento de 'soltar fogos' e comemorar. " Isso ainda é resultado do reflexo de um crescimento sazonal, ainda é um momento muito crítico. Não podemos considerar um impacto significativo, mas percebemos uma estabilização. Lembrando que estamos falando de recuperação".

Outro momento bom, para o segmento, considerado relevante para o resultado foi a campanha da Black Friday, o incremento em cima de aparelhos de TVs, trouxe oportunidade para troca do produto por conta de grande oferta. Mas para o presidente da Fieam, o PIM tende a superar a defasagem e manter um patamar relativamente satisfatório. Para garantir um cenário melhor e que possibilite a meta, de ao menos resgatar o que foi perdido face à grave crise econômica, Silva considera que o novo governo será fundamental para trazer soluções para o PIM.

Mas a ideia é buscar alternativas porque ainda podemos ser afetados pela tecnologia como um todo. Ele menciona ainda que a licença ambiental para a exploração do potássio para o polo de fertilizantes seria essencial para abertura de outras linhas econômicas que agrega uma infinidade de produtos e traria um grande desenvolvimento para as empresas do Polo Industrial. "A manufatura é importante para manter uma indústria forte em todo o Brasil, em especial aqui no Estado". frisou Silva. Ele disse ainda que projeta otimismo para que até o fim do ano, com as vendas para época natalina, haja maior desempenho para todos os setores.

Na avaliação do superintende da Suframa, Appio Tolentino, os resultados foram bons, mas se trata de uma recuperação ainda pós greve dos caminhoneiros que espelhou o resultado. Apesar dos níveis não estarem dentro do esperado, produtos que não tinham crescimento, aparecem com resultados positivos no indicativo, como por exemplo o ar condicionado, com alta de 102,55%.

"A economia está reagindo. São números positivos sim. Embora as reformas aplicadas pelo presidente Temer não estão dentro do que foi planejado, houve uma repercussão favorável para a ZFM. Ainda teremos mais três meses para garantir um desempenho melhor. Final do ano sempre é favorável para economia", destacou Appio Tolentino, superintende da Suframa. Ele considera que as futuras medidas econômicas previstas para o novo governo devam deixar o empresário mais otimista, mas ele lembra que precisa ter parceria e esforço entre o governo e entidades do setor. "É necessário tornar o bloco econômico mais forte com uma economia sustentável. Explorar mais os nosso potenciais, ter uma política clara de desenvolvimento regional. E trabalhar de forma mais coesa, com esforço e parceria. Vamos aguardar as medidas do novo governo entre estas, as reformas e o programa de desburocratização".

Levantamento

O faturamento das empresas do PIM somou R$ 67,8 bilhões, e crescimento de 15,32% em relação ao mesmo período do ano passado que registrou R$ 58,8 bilhões. Outro dado aponta ainda que em comparação ao dólar, houve resultado positivo com faturamento de US$ 18,8 bilhões, com crescimento de 1,24% ante o mesmo intervalo de 2017 US$ 18,6 bilhões.

De acordo com as informações fornecidas pelas empresas incentivadas à Suframa os segmentos de Bens de Informática ocupou o segundo lugar com faturamento de R$ 14,1 bilhões (20,87%), seguido do polo de duas rodas R$ 9,59 bilhões (14,14%) e o polo químico R48,8 bilhões (12,98%).

Na avaliação do superintendente da Suframa, Appio Tolentino, o mês de setembro confirma uma recuperação das atividades econômicas do PIM se compararmos aos últimos três anos. "Fica demonstrado , mais uma vez, a resiliência do modelo ZFM e sua capacidade de superar profundas crises como a que enfrentamos a partir de 2015".


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