Manaus, 10 de Dezembro de 2018
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Incentivo para a produção de mel

Por: Antonio Parente
30 Nov 2018, 17h52

Crédito:Divulgação
Os produtores de mel do estado do Amazonas ganharam um grande aliado para consolidar o desenvolvimento do setor de forma sustentável no estado. Com a aprovação do projeto de lei de de nº 202/2017, de autoria do deputado Dermilson Chagas (PP), pequenos produtores de meliponicultura passam a ter segurança para investir na atividade para gerar emprego e renda no interior.

A política estadual de meliponicultura foi aprovada, na última quarta-feira (28), na Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas), e encaminhada para ser sancionada pelo governador Amazonino Mendes. O principal objetivo do projeto é promover e incentivar o desenvolvimento da criação de abelhas sem ferrão no estado, contribuir com os serviços ambientais e ampliar a oferta de produtos e subprodutos de mel no Amazonas.

Segundo o presidente da ACAM (Associação dos Criadores de Abelha do Amazonas), Emerson Rodrigues de Aquino, a lei estadual de Meliponicultura no foi uma grande vitória para o setor, e foi construída com a participação, de instituições de pesquisa, organização civil, órgãos estaduais e municipais. E atualmente o estado conta com cerca de 5 mil famílias envolvidas na atividade em todos os municípios.

"Com apoio o deputado Dermilson Chagas, que apresentou a necessidade de normatizar os procedimentos para a criação de abelhas nativas da Amazônia, temos agora um instrumento legal para conduzir a meliponicultura de forma profissional e empreendedora. Agora podemos contribuir para o agronegócio sustentável no estado. O mel de abelha ainda é o principal produto comercializado, mas, na medida que os criadores vão se profissionalizado na atividade, há o interesse da comercialização de outros produtos", disse.






Emerson conta, que a associação tem buscado junto ao estado e a iniciativa privada, estruturar a cadeia produtiva da apicultura e meliponicultura, para geração de empregos e renda contribuindo com a economia do estado. Ele explicou, que a ideia é ofertar produtos elaborados pelas abelhas para atender o mercado de alimentos e cosméticos.

"Com a regulamentação podemos investir mais em produtos criados da abelha ( mel, pólen, própolis, cera, geleia real )e contribuir para economia do estado gerando emprego e renda. Pretendemos com apoio da SEPROR, implantar uma casa de mel na capital, para o beneficiamento dos produtos com os devidos registros para atender a comercialização, com aval do órgão de vigilância sanitária", explicou.

Para o técnico agrícola, Gil Viana de Oliveira , com a política estadual, o Amazonas passar a atender todas exigências dos órgãos de fiscalização para desenvolver a atividade, tanto para criação quanto para a produção do mel. Ele destacou que a produção de mel ainda está voltado para o mercado local, e destacou se a sanção do governo da lei será um grande passo para expandir a comercialização do mel para outros estados.

"A meliponicultura é uma atividade que vem crescendo muito no agronegócio brasileiro, e no Amazonas não é diferente. Antes era impossível conseguir recursos porque o estado não possuía regras para a criação. Com a legalização da atividade no estado, o produtor rural passou a ter segurança no que se trata de investimentos na atividade, principalmente por se tratar de criação de animais silvestres", disse.

O trabalho para criação do projeto iniciou em abril de 2016, quando o deputado Dermilson Chagas (PP), realizou uma audiência pública com as lideranças do setor para discutir os entraves para o desenvolvimento da atividade no Amazonas. No término da reunião, foi relatado que o estado não possuía nenhuma legislação vigente à atividade. A partir daí, foi criado um grupo de trabalho com a participação de representantes de algumas instituições para construção da Política Estadual de Meliponicultura.

Segundo Dermilson Chagas, o Projeto foi construído e protocolado na Aleam no dia 08 de novembro de 2017. "Com o fomento, a meliponicultura vai gerar emprego e renda no interior. Cerca de 10 mil famílias estão envolvidas na atividade e temos que incentivar que mais produtores se envolvam com a criação de abelha sem ferrão, já que se trata de uma produção rentável de baixo impacto ambiental. O projeto tramitou na Casa durante um ano e agora apto, vamos torcer para que seja aprovado", disse.

Meliponicultura no Amazonas

Segundo a bióloga do Datef (Departamento de Assistência Técnica e Extensão), do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas), Eliane Soares, a meliponicultura tem uma importância considerável para a conservação da espécie de abelha manejada e conservação das florestas através da polinização natural de grande parte da flora nativa. Os produtos extraído dela, como mel, pólen, própolis, podem ser vendidos e consumidos pela família, por meio do manejo correto.

"O Manejo de Abelhas Nativas proporciona o reflorestamento de áreas desmatadas para a realização de atividades agropecuárias. O mel produzido é muito utilizado na medicina cabocla, para o tratamento e prevenção de diversas doenças. E ainda mais, pois a meliponicultura pode evitar a derrubada de árvores e promover o reflorestamento de áreas desmatadas, além da geração de alimento e renda para as pessoas que manejam esses animais", disse.

A bióloga explica, que a atividade vem crescendo em todo estado desde a intensificação de assistência técnica no setor em 2009. Na época, a atividade contava inicialmente com 143 produtores e 658 colmeias, com uma produção 1.266 litros de mel comercializados. Atualmente, o Amazonas conta com mais de 13 mil colmeias em produção de mel distribuídas entre mais de 700 famílias produtoras.

"Há potência de consumo no mercados e feiras locais e o mercado internacional mostra grande interesse nos produtos de nossas abelhas nativas, inclusive pelo valor agregado por ser oriundo da Amazônia. No entanto, a inexistência de uma legislação que direcione a produção e comercialização dificultava esse processo", explicou.

Município que se destacam

Segundo o Idam, a meliponicultura é uma atividade que está em pleno crescimento no Amazonas, e tem garantido uma série de serviços ambientais e renda às comunidades tradicionais do estado. O mel é o produto mais comercializado, com o valor de R$ 80 à R$ 120 reais o preço por Litro. Os municípios de Boa Vista do Ramos e Itapiranga, são os maiores produtores de mel no estado .

Segundo a Coopmel ( Cooperativa dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia), o município de Boa Vista do Ramos, a 271 quilômetro de Manaus), foi o primeiro do Amazonas, e o segundo do Brasil, a conquistar o selo do SIE ( Serviço de Inspeção Estadual) da região para a comercialização desse tipo de mel.

De acordo com o presidente da Coopmel, Jair Rodrigues Arruda, o selo do SIE atende aos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e reforçou que a aquisição dele, significa que a cooperativa está produzindo um produto alimentar para o consumo humano de acordo com as normas sanitárias exigidas. "O selo representa a alta qualidade do produto comercializado pela Coopmel. É uma conquista muito grande para os produtores, principalmente pelo fato de a certificação possibilitar que o produto seja comercializado nas prateleiras dos supermercados do Estado, o que antes não era possível", disse.

Segundo o GPA (Grupo de Pesquisas em abelhas) do Inpa/MCTI (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), em termos de abelha sem ferrão, o Brasil só tem duas certificações: uma no Paraná, com as abelhas indígenas Jataí, e no Amazonas, com a abelhas Jandaíra.



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