Manaus, 10 de Dezembro de 2018
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Vendas do comércio popular oscilam

Por: Antonio Parente
04 Dez 2018, 19h01

Crédito:Antonio Parente
Comerciantes de galerias do centro de Manaus, reclamam dos altos e baixos nas vendas de fim de ano, e projetam um mês de dezembro mais movimentado. Mesmo com o crescimento de 0,8% da economia, divulgados em novembro, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), lojistas ainda não veem reflexos positivos nas receitas, e notam baixo poder de compra do consumidor.

Dono de uma relojoaria no Edifício Manaus Shopping Center, na avenida Eduardo Ribeiro, o empresário José Bernardo conta, que o mês de novembro foi um dos piores períodos do ano para as vendas. Segundo ele, o consumidor pouco tem procurado investir em presentes para o final do ano, e para não ficar no prejuízo, divulga seus produtos nas redes sociais e cria maneiras de levar seus produtos até o cliente.

"O movimento na loja tem sido muito variado. Desde novembro, vendemos uma semana bem e outra não. As vendas oscilam bastante, e isso só não tem afetado a receita, porque eu tenho um público que não costuma vir a loja, eu levo os produtos até eles, oferecendo diversas variedades. Se eu não correr atrás, dificilmente as pessoas vêm até a loja comprar. Pelo menos, esse tem sido o cenário desde novembro pra cá", disse.

Segundo a gerente de um loja de roupas femininas, Claudete dos Santos, na galeria Dubai Shopping Center, na avenida Eduardo Ribeiro, as vendas no mês de novembro deste ano tiveram uma queda de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. E com o início de dezembro, a expectativa é que a comercialização dos produtos melhorem para poder cobrir o prejuízo do mês anterior.

"O mês de novembro foi um dos piores mês do ano, onde as vendas foram mais baixas do que o esperado. Apesar da grande movimentação no centro, notamos que as pessoas estão receosas de comprar e se endividar. Muitas ainda não sabem se terão seus empregos. Procuramos trazer novidades, descontos e facilidade para o cliente comprar", disse.

Consumidor prioriza dívidas

Segundo o professor do departamento de economia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Luiz Roberto Coelho, a ausência dos recursos da segunda parcela do décimo terceiro do Estado e município, que estão programados para serem pagos próximo ao feriado de Nossa Senhora da Conceição e Natal, são um dos fatores, que tem contribuído para reduzir o baixo consumo dos manauaras no comércio.

"A segunda parcela do décimo terceiro salário de servidores do Estado e município têm um peso muito grande no consumo. Geralmente o período que mais o comércio vende é a partir de 20 de dezembro, onde novos recursos são injetados na economia. Com a aproximação do clima natalino as pessoas passam a comprar mais, deixam tudo para a última hora. Isso é normal", explica.

Segundo últimos dados da CDLM (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), o pagamento das dívidas com o décimo terceiro salário é a prioridade para os manauaras. Com as incertezas quanto a economia, a maioria dos consumidores (o equivalente a 22,42%) pretendem pagar as dívidas já contraídas.Para Luiz Roberto, esse é um dos fatores que contribuem para as baixas vendas do comércio no fim do ano.

De acordo com a FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas) , pelo menos 35% dos recursos (R$ 88,5 milhões) que vão entrar em circulação, por meio dos pagamentos referentes ao benefício, serão revertidos para a quitação de dívidas dos servidores públicos com o comércio de Manaus.

"As pessoas estão preocupadas primeiramente em saldar suas dívidas e limpar seu nome para renovar o crédito e isso reduz o consumo. Os lojistas contam com esses recursos que serão injetados no comércio", afirmou Luiz Roberto .

Concorrência de lojas online

Segundo o economista, a concorrência de empresas que utilizam as redes sociais para a venda de produtos online é outro fator que também contribui para a queda no movimento das lojas. Para ele, é necessário que os lojistas se adequem à essa nova realidade para não perderem mercado.

"Os consumidores têm aderido a compra online, então o lojista passa a concorrer com outras lojas do Brasil. As classes que têm acesso à redes sociais estão comprando com preços mais acessíveis. O instagram hoje virou mural de serviços e mercado de compras. Os comerciantes têm que aprender a se reinventar", disse.

É nesse ritmo de adaptação que o comerciante, Márcio André, dono de uma loja de roupas infantis, aderiu ao sistema de vendas online. Com a queda nas receitas, vendas baixa e a necessidade de pagar as despesas de energia e aluguel do ponto, ele passou a fazer entrega dos produtos ao consumidor que realizam o pedido online.

"A ideia é fazer home office, produzir em casa e vender na internet. Essa é a tendência para o novo mercado. Não posso ficar parado esperando o cliente chegar na minha loja. Temos que nos adaptar a essa concorrência na internet. A ideia é fidelizar o cliente. Nem sempre o consumidor tem o dinheiro na hora de comprar. Se ele ver o nosso produto na internet ele tem tempo de se planejar", disse.

Comidas

O baixo movimento do consumidor no centro, não é uma dificuldade enfrentada apenas por lojistas e comerciantes, lanchonetes e restaurantes também tem sentido a queda do movimento nas vendas e nas receitas, e buscam promoções e alternativas para atrair o público.

O gerente da pizzaria La Nono na galeria Dubai Center, Josué Serra, é um dos empresários que procuram formas de alinhar qualidade a preços baixos para atrair o consumidor que vai às compras. "Temos promoções para dois públicos: estudantes e consumidores. Desde fatias de pizzas acompanhadas de um copo de suco com preço de R$ 6, pizzas médias e grande a R$ 15. Temos que criar mecanismo para que o cliente venha. Apesar das pessoas necessitarem comer, elas ainda procuram preços baixos", disse.


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