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E-bikes na mira dos investimentos

Por: Andréia Leite
05 Dez 2018, 16h22

Crédito:Divulgação
A partir de maio, a produção de bicicletas no PIM (Polo Industrial de Manaus) deve ganhar um reforço com a inauguração de uma nova fábrica com foco na motorização elétrica. Conhecidas como e-bikes, os modelos chegaram para ficar, embora a participação das vendas desse tipo de produto totalizem 0,35%, o empresário Bruno Antônio Caloi Júnior vai investir cerca de R$ 10 milhões com a capacidade inicial para 3 mil unidades ao ano.

De acordo com levantamento da DOX Consultoria (baseado na Suframa (produção local) e Mdic (importações) -nos oito primeiros meses de 2018, a produção de e-bikes no Brasil saltou 51% na comparação com todo ano de 2017 (janeiro a dezembro). A estimativa é que em 2018 a produção de e-bikes para o mercado brasileiro chegue a 12 mil unidades.

Para o diretor da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) José Eduardo Gonçalves, o aumento da demanda por bicicletas elétricas no Brasil é algo realmente esperado pela indústria em função do que acontece no exterior e pelas características de mobilidade dos brasileiros.

"Na Europa, por exemplo, já quase 40% das bicicletas em circulação são elétricas, mostrando a grandiosidade deste veículo para resolver as principais questões de mobilidade. No Brasil, 3/4 das fabricantes associadas da Abraciclo, já tem produtos elétricos e tendem a aumentar a sua linha de produtos com esse tipo de veículos".

Ele explica ainda que a grande questão que se coloca, é como é uma bicicleta elétrica dentro da regulamentação brasileira. "Então se olharmos para resolução 465 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que foi publicado em dezembro de 2013, lá está dito claramente que a bicicleta elétrica é uma bicicleta que não pode ter aceleradores manuais ou de qualquer outro tipo e sim ter a sua movimentação utilizada pelos pedais chamados pedelec, a potência máxima é de 350 watts a velocidade máxima de 25km/hora , ou seja, a partir dessa velocidade, o motor é cortado e a circulação passa a ser, diretamente com o pedal. Então dentro dessas condições, considerando a necessidade de melhorar a mobilidade das cidades brasileiras esse tipo de produto é muito bem-vindo e tende a crescer nos próximos anos".

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Para o CEO da Sense Bike, Henrique Ribeiro, o mercado brasileiro de bicicleta está em franco aquecimento e ainda existe muito espaço para crescer nas próximas décadas. "É fácil entender esta perspectiva, principalmente, quando analisamos três grandes movimentos atuais: a mudança do conceito de mobilidade nas grandes cidades; o aumento da conscientização das pessoas que passaram a buscar uma vida mais sustentável e em prol do planeta; e principalmente, a procura por atitudes mais saudáveis com o aumento do número de pessoas praticando atividade física".

Ele enfatiza que é possível perceber que, no Brasil, não houve apenas o crescimento do número de ciclista e de bicicletas, mas uma mudança na mentalidade do consumidor que já procura produtos de melhor qualidade que se adequem a esta nova realidade, tanto para o esporte como para locomoção. "O ciclista deixou de olhar a bicicleta apenas como um meio de lazer, ela agora é um meio de vida".

Ele destaca a importância desse tipo de investimento, pois percebe a necessidade de expandir as possibilidades do uso da bicicleta, não apenas modernizando os modelos já disponíveis, como desenvolvendo outras soluções capazes de conquistar um público ainda não atendido. "Isso justificou a aquisição da Swift Carbon em abril deste ano -importante fabricante mundial de bikes em fibra de carbono, abrindo espaço para vendas em mais de 40 países, entre Europa, Ásia, América e Oceania. Com esta aquisição avançamos em 15 anos nosso portfólio e conhecimento em tecnologia, o que permite desenvolver no mercado brasileiro produtos de qualidade internacional, mas com preços bastante competitivos".

Levando em consideração os sistemas produtivos, tecnologia embarcada, parcerias de primeira linha e quantidade de produção, é possível afirmar que hoje a Sense não tem concorrente nacional; nossos concorrentes são as marcas importadas.
O coordenador do Pedala Manaus, Paulo Aguiar, comemora a possibilidade do setor ser fortalecido com mais uma fábrica. Esse nicho já é uma tendência no mundo inteiro e começando a fortalecer no Brasil. "Temos a Caloi, a Sense Bike e agora a Tito Bike, essas empresas já estão se posicionando em relação a essa necessidade. Esse tipo de veículo facilita a vida e a mobilidade, principalmente em locais que existem um grau de geometria acentuada. No Amazonas, vai virar tendência também".

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