Após quatro anos seguidos de quedas sucessivas no desempenho fabril, amargando retração acumulada de 162,3% nas vendas, a Monark da Amazônia S/A anunciou o fim das suas linhas de produção de bicicletas no PIM (Pólo Industrial de Manaus). O custo Brasil e a concorrência predatória das empresas chinesas e de bicicletarias do Nordeste foram apontados como principais responsáveis pelo fim do namoro da empresa com a Zona Franca.
A decisão da empresa contraria os números do setor, já que a produção saltou de 736,36 mil unidades, observadas em 2006, para mais de 1,141 milhão de bicicletas fabricadas no ano passado. O volume de investimentos das indústrias locais também cresceu, pegando carona no panorama da política cambial e encerrou o ano passado registrando mais de US$ 115.255 milhões ante os US$ 67.716 milhões observados em 2006.
O diretor da Monark da Amazônia, Athaídes Mariano Félix, afirmou que a decisão de encerrar a fabricação das bicicletas no Amazonas foi a saída encontrada pela empresa para diminuir os prejuízos que, apenas no ano passado, alcançaram R$ 1,5 milhão com a perda de mercado ocasionada pela entrada das chinesas nos principais mercados consumidores da marca. “De um total de 900 pessoas da força produtiva, restavam apenas 48 operários até o fim do ano passado, para uma produção de aproximadamente 4.000 mountain bikes por mês com lucros irrisórios que comprometiam o orçamento final da empresa”, explicou o dirigente.
Athaídes disse ainda que, com a valorização do real frente a moeda americana, as redes de hipermercados do Sul e Sudeste do país passaram a comprar mais bicicletas importadas da Ásia a preços que oscilam entre R$ 80 e R$ 120, enquanto os produtos montados no Pólo Industrial de Manaus custam em média entre R$ 200 e R$ 400. “Os grandes atacadistas têm sua marca própria de bicicletas ou já possuem contratos firmados com fábricas de outros Estados. Em alguns casos, as redes de atacado ou de varejo nem compram mais o produto no país”, explicou o dirigente.
Além da concorrência oriental, Athaídes afirmou que as bicicletarias nordestinas (lojas que revendem peças e acessórios para bicicletas) se tornaram pequenas indústrias nos últimos anos, passando a diluir mercado com a oferta de produtos de baixa qualidade amparada na lei de incentivos às pequenas e microempresas. “Nesses estabelecimentos, o cliente personaliza a sua bicicleta e pode até colocar um adesivo com as logomarcas das empresas instaladas no pólo industrial. Essa prática foi lesiva a nossa empresa”, disse o dirigente.
Vendas da empresa em 2007 caíram em 50% por conta da crise interna
A crise interna parece ter tido o estopim no primeiro semestre do ano passado, quando a Monark parou de produzir por falta de material entre janeiro e abril e só retomou as atividades em maio. Por causa das sérias dificuldades enfrentadas, as vendas da corporação caíram 50% na primeira metade do ano, no comparativo com o mesmo intervalo de 2006.
“Aquele primeiro semestre foi péssimo. Voltamos a produzir em maio, com o ‘freio puxado’. Dessa forma, não tivemos condições de amortizar os investimentos feitos”, lamentou Athaídes Mariano Félix
O diretor da empresa lembrou que, dois anos após a chegada ao pólo industrial em 1976, a Monark passou de montadora a fabricante de bicicletas, investindo em novas tecnologias e aperfeiçoando recursos humanos. A tecnologia utilizada na fabricação dos modelos, inicialmente de origem sueca, passou a ser totalmente desenvolvida por técnicos e engenheiros brasileiros. “Outros fatores que se configuram como barreiras no crescimento das fabricantes locais de bicicletas são a elevada carga tributária e o custo da energia elétrica que as empresas têm de pagar. Isso acaba por encarecer a produção”, asseverou Félix.
O fim do namoro da Monark com o PIM, entretanto, trouxe um alento aos últimos 48 funcionários especializados da fábrica. Eles serão absorvidos em sua totalidade por uma empresa de metalurgia local especiali







