A greve dos auditores fiscais poderá chegar ao fim na próxima quarta-feira, 30, com a assembléia deliberativa convocada pelo Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), na qual serão apresentados para votação, além da nova fórmula de avaliação das promoções na carreira, o plano de salários e aposentadoria.
O diretor-secretário do Unafisco, Ricardo Skaf Abdala, foi incisivo uma vez mais ao negar que o movimento tenha perdido fôlego com a decisão da Justiça Federal de determinar a formação de uma comissão para desembaraço de cargas, utilizando os analistas fiscais do Estado do Amazonas.
Skaf afirmou que o fim da greve pode estar próximo, apesar do entrave na mudança do cronograma de implementação dos reajustes salariais, estendido pelo governo até 2010, o que incidirá sobre os vencimentos dos auditores com 15 meses de atraso. Segundo o dirigente, o plano de carreira, um dos pontos nevrálgicos que emperram o retorno definitivo dos grevistas ao trabalho, foi aceito pelo governo. “O sistema de promoção e progressão foi melhorado não mantendo os entraves que existiam anteriormente.(plano de carreiras). Hoje, foi aprovado que o auditor leve até 18 anos para alcançar o posto máximo da carreira”, ressaltou.
Mas o ponto de discordância entre os grevistas e o governo federal continua sendo o calendário para o pagamento do aumento de salário.
Segundo Ricardo Skaf, o governo quer dividir o reajuste em três partes, a serem pagas nos meses de julho de 2008, 2009 e 2010, enquanto os auditores querem o reajuste até abril do próximo ano. “A assembléia de hoje foi apenas informativa para discutir essa nova proposta do governo. No entanto, qualquer deliberação sobre novos encaminhamentos em relação aos rumos da paralisação só deverá acontecer na próxima quarta-feira”, explicou.
Skaf afirmou ainda que em Manaus, os auditores estão em operação padrão para evitar a sobrecarga de contêineres quando a greve terminar. Com relação aos prejuízos da ordem de R$ 1,2 bilhão, o diretor-secretário apontou que o volume superestimado pelos empresários serviu como forma de pressionar o governo para o fim da greve.
Opinião
pública
O dirigente reconheceu, entretanto, que a volta às atividades durante o movimento grevista pode ser entendida pela opinião pública como um esvaziamento da ação deflagrada no dia 18 de março, início oficial da greve. “A imagem do Unafisco foi desgastada junto a opinião pública , mas essa é uma possibilidade que ocorre toda vez que se faz greve. Por isso, vamos nos empenhar a liberar, em no máximo 30 dias, todo o volume de cargas acumuladas”, ressaltou.
A participação dos analistas fiscais em substituição aos auditores no desembaraço das mercadorias retidas nos terminais de carga recebeu duras críticas de Skaf, segundo o qual representa a atitude típica de pessoas que, sem a qualificação adequada, aproveitam as oportunidades para tomar espaço profissional em uma determinada atividade para a qual não estão preparadas. “A operação padrão, sem dúvida, é uma forma atípica de protesto. Na prática, seria mais fácil mostrar nosso descontentamento através da paralisação total, mas não queremos dar espaço para os analistas fiscais, cuja ‘trairagem’ nos pegou de surpresa”, desabafou o dirigente, acrescentando que a idéia de dar mais poder aos analistas da Receita pode ser o início de um ‘trem da alegria’, com analistas virando auditores sem terem feito concurso.







