Guido Mantega diz que não teme invasão de capital especulativo

Em: 7 de maio de 2008
O que ocorre é uma entrada maior e “salutar” de dinheiro estrangeiro na bolsa.
O que ocorre é uma entrada maior e “salutar” de dinheiro estrangeiro na bolsa.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o governo não teme uma entrada em massa de capital especulativo por causa da obtenção do grau de investimento pelo Brasil na semana passada. A classificação foi concedida pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.
“Não se teme que haja uma invasão de capital especulativo de curto prazo. Nós olhamos as contas desde que nós colocamos aquele IOF sobre aplicações estrangeiras em renda fixa e houve uma diminuição bastante sensível dessa modalidade de aplicação”, disse Mantega, que esteve reunido com o presidente Luiz Inácio e com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Segundo ele, o que está havendo é uma entrada maior e “salutar” de dinhei-ro estrangeiro na bolsa, além do investimento direto no setor produtivo. “Não muda muito”.
Após a euforia do governo na última quarta-feira, quando o ministro Guido Mantega disse que a notícia do grau de investimento significava que o Brasil havia entrado no clube dos “países considerados sérios”, o ministro afirmou na quarta-feira que a nova classificação “não chega a mudar muito” a avaliação dos investidores.
“Nós já estávamos com condições de grau de investimento, o que significa que não chega a mudar muito. O Brasil já era considerado pelos investidores estrangeiros interessados em fazer aplicações sólidas como um país bastante atraente.”
Ele disse esperar que apenas os fundos de investimentos estrangeiros mais conservadores, que só investem em países classificados como grau de investimento pelas agências internacionais, venham se somar aos investidores que estão no país.

Fluxo cambial
fica positivo
“O que poderá haver agora é a entrada de fundos de pensão mais conservadores, que só aplicam em países que têm o grau de investimento”, afirmou.
O fluxo cambial do país, que mede a entrada de capital estrangeiro no comércio e na área financeira, ficou positivo em abril. Segundo dados do Banco Central, houve entrada de US$ 6.723 bilhões no mês passado.
Com isso, o saldo no ano está positivo em US$ 15.663 bilhões, abaixo do registrado no mesmo período de 2007. Neste ano, o saldo foi prejudicado pela crise externa, que afetou os resultados de janeiro e fevereiro.
No comércio exterior, o saldo em abril foi de US$ 8.427 bilhões (diferença entre exportações e importações). Na área financeira, o resultado foi negativo (-US$ 1.704 bilhão), ou seja, houve mais saída do que entrada de dólares. No ano, o saldo da balança comercial está em US$ 21.928 bilhões e o saldo da conta financeira negativo em US$ 6.265 bilhões.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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