O governo de Lula da Silva é inconseqüente nas questões ambientais e essa característica atingiu Marina Silva que apesar de não ser um denso esteio teórico do modelo de desenvolvimento harmônico e sustentável, indiscutivelmente é uma forte aliada dessa utopia possível. Seu prestígio internacional dava um toque de credibilidade ao discurso superficial do presidente, cuja baixa escolaridade e falta de leitura sistemática e contumaz estão na raiz de suas declarações e posicionamentos ambientalmente bisonhos.
Se um dia alguém perguntar para Lula o que é meio ambiente vai se deparar com um rosto aparvalhado, pois ele é totalmente incapaz de formular uma resposta condizente com sua tola aspiração de ser coroado como salvador ambiental do planeta.
Os biocombustiveis
Durante alguns anos fiz parte do Fórum Brasileiro de Energias Renováveis e fui escolhido relator do grupo da Amazônia que discutiu o uso regional dessas fontes alternativas, cujo relatório foi apresentado em um Evento Nacional.
Sou um adepto fervoroso do uso de biocombustíveis desde que, diante da crise mundial do petróleo em 1973, vi o Brasil responder eficiente e rapidamente ao caos que se instalou na economia mundial em razão da abrupta alta no preço do barril de petróleo decretada, de forma unilateral, pelos donos das jazidas.
O uso do álcool como combustível líquido alternativo para os automóveis, foi a demonstração definitiva de que a comunidade científica brasileira responde com presteza e eficiência a problemas concretos quando recebe os incentivos financeiros indispensáveis para a inovação.
Um registro da história
No dia 23 de agosto de 2000 a Comissão de Energia da Câmara Federal reuniu pesquisadores, centros de pesquisa, representantes industriais e membros de governos, para ouvir um diagnóstico do estado da arte e dos projetos em execução no campo das energias renováveis e aqui nesta coluna, no dia 04/09/2000, noticiei esse evento, dando notícias do que vi, ouvi e debati naquele momento importante para o futuro energético do Brasil.
A ambição destrói o sonho
Naqueles tempos de desenhar o futuro existiam aqui na Amazônia várias projetos executivos de uso de energias renováveis e até a poderosa Siemens chegou a apresentar à Suframa um Projeto Produtivo Básico para fabricação de placas solares.
Outro exemplo foi dado pelo Dr. Willfried Buss representante, no Brasil, das empresas alemãs Wurth Solar e Worth Solergy que apresentou, na Associação Comercial do Amazonas (08/01/2000), um projeto para implantar pontos de geração de energia a partir de fontes alternativas em escolas, residências, centros comunitários, postos de saúde, comunidades isoladas, etc., embora o ponto central da proposta fosse o uso da energia eólica e solar nos barcos que navegam pelos rios amazônicos.
Um fato curioso dessa reunião foi o depoimento do ex-senador Evandro Carreira que disse ter ouvido, naquela mesma sala da ACA, 40 anos antes, o empresário Cosme Ferreira Filho defender o uso da energia solar. Com sua verve oratória o ex-senador manifestou sua esperança de que 40 anos mais tarde outro apelo semelhante não se repetisse naquele mesmo local, totalizando 80 anos de espera pela supremacia da inteligência.
Nessa época, a comunidade científica identificou muitas espécies vegetais que poderiam fornecer óleo de excelente qualidade para fabricação de biocombustíveis, seguindo uma “dica” do criador do motor diesel –Rudolf Diesel– que ao apresentar sua invenção ao mundo, no século 19, revelou que “aquela máquina podia ser alimentada por óleos vegetais”.
O álcool no Brasil foi uma inovação sem paralelo no mundo, mas presidentes sem visão do futuro ou subservientes aos Hugo Chaves da época, optaram pelo petróleo.
Nos dias atuais o mundo se defronta com o problema ambiental e Lula da Silva vislumbrou, bisonhamente, a idéia de entrar para a história como salvador do planeta, um projeto pessoal que surtiu algum efeito até todos perceberem que seu discurso apenas tan







