As indústrias de Manaus ampliaram em 7,23% o número de empregos formais durante o primeiro trimestre deste ano, somando em 102.083 postos de trabalho preenchidos contra 95.194 do mesmo período no ano passado.
As informações, divulgadas pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), apontam que a ampliação dos índices de emprego na indústria local pode ser resultado da alta de 25,55% no faturamento do PIM, que atingiu US$ 6.806 bilhões nos três primeiros meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado, quando foi alcançado pouco mais de US$ 5.42 bilhões.
O superintendente interino da Suframa, Oldemar Ianck, disse que os números apresentados no primeiro trimestre permitem antever a manutenção do processo de crescimento do PIM (Pólo Industrial de Manaus), com destaque especial para a retomada do crescimento da exportação.
Produtos chineses reduzem vagas
Apesar dos índices razoáveis de emprego, o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, afirmou que esse volume de mão-de-obra poderia ser maior se as indústrias do pólo eletroeletrônico não fossem atingidas pelas importações desenfreadas de produtos chineses. Segundo o executivo, apesar da qualidade inferior, as chinesas vêm ganhando cada vez mais espaço no mercado industrial justamente porque são oferecidas a preços menores.
Périco ressaltou que o governo brasileiro tem instrumentos para conter a entrada desenfreada de importados eletroeletrônicos, embora a política industrial federal resguarde a participação chinesa no mercado de componentes e bens finais. “É o que vem acontecendo, por exemplo, com as indústrias de DVDs e dos aparelhos de som e ar-condicionado. Essa importação livre e desembaraçada dos bens finais, partes ou peças sem o resguardo de uma política industrial está criando emprego e gerando renda na Ásia” asseverou.
Já o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Valdemir Santana, foi mais contundente ao avaliar a situação de empregos no PIM, criticando a produção de cabos de força, carregadores de celulares e bobinas desmagnetizadoras, cuja indústria não vem cumprindo a norma de produzir pelo menos 10% do volume total no Estado.
Santana afirmou ainda que as indústrias de bens intermediários são as que mais geram empregos no Amazonas por atuarem como coadjuvantes nos pólos de duas rodas, eletroeletrônicos e telefonia celular. Segundo o dirigente sindical, a prática de ‘maquiagem’ da indústria de bens secundários fez a taxa de demissão atingir 3.800 trabalhadores no ano passado, cerca de 20% do contingente empregado, cuja maioria é formada por jovens de primeiro emprego.
“A Seplan, a Suframa e a Sefaz têm condições de fiscalizar essas empresas que vêm lesando o modelo Zona Franca e o Estado como um todo. O que está em jogo não é apenas um setor. Estamos falando de um modelo que inclui o conjunto de segmentos, entre os quais o comércio, os serviços e a própria ordem social. Ou há alguma dúvida entre o fenômeno do desemprego e o enfraquecimento das instituições e equipamentos sociais?”, disse Santana.
Mercado
interno
O economista Augusto César Fragoso explicou que, enquanto o Brasil projeta alcançar novo recorde em exportações neste ano, com a cifra de US$ 132 bilhões, a China vem exportando US$ 1 trilhão por ano. O sucesso chinês, segundo o especialista, é reflexo do imenso mercado consumidor interno, cuja população estimada em 1,3 bilhão proporciona produções em elevada escala. “Além disso, a oferta de mão-de-obra barata reduz os custos de produção. E é justamente nesse aspecto que a indústria local perde competitividade”, explicou.
Os indicadores da Suframa apontam ainda que, dentre os setores industriais com melhor incremento de produção, destacam-se o de duas rodas, com faturamento superior a US$ 2 bilhões e crescimento de 50,04%, além das indústrias metalúrgicas, que faturaram US$ 463.42 milhões, crescendo 36,55%.
Pólo relojoeiro se dest






