Follow-Up – Saúde e biodiversidade

Em: 6 de junho de 2008
À primeira vista pode não haver nenhuma relação entre biodiversidade e saúde humana. Porém, um exame mais acurado mostra que a saúde pode depender de substâncias presentes na natureza.
À primeira vista pode não haver nenhuma relação entre biodiversidade e saúde humana. Porém, um exame mais acurado mostra que a saúde pode depender de substâncias presentes na natureza.

À primeira vista pode não haver nenhuma relação entre biodiversidade e saúde humana. Porém, um exame mais acurado mostra que a saúde pode depender de substâncias presentes na natureza. Daí, a importância de se preservar a biodiversidade da Amazônia e de outros biomas e regiões naturais do planeta.
Para uma dupla de pesquisadores da Universidade de Harvard, Aaron Bernstein e Eric Chivian, autores do livro “Sustaining Life: How Human Health Depends on Biodiversity” (Sustentando a Vida: Como a Saúde Humana Depende da Biodiversidade), recém-lançado nos Estados Unidos pela Oxford University Press: “A maioria das drogas que você compra na farmácia não existiria se não tivesse sido inventada pela natureza”.
A cura do câncer, portanto, pode estar, sim, em alguma planta da Amazônia, ou do Cerrado, da Mata Atlântica, ou da flora ou fauna marinha. Cerca da metade dos medicamentos mais importantes da medicina foram desenvolvidos a partir de moléculas da natureza, e é provável – quase certo – que outras descobertas surgirão. A natureza é um valioso manancial de matérias-primas para produzir medicamentos e drogas eficazes no combate aos organismos patogênicos –vírus emergentes e superbactérias– que nos aguardam no futuro.
O livro dos dois cientistas faz uma avaliação sistêmica dos serviços prestados pela biodiversidade em benefício da raça humana, desde os mais fundamentais, como a purificação de água e a polinização de lavouras, até os mais complexos, como a produção de medicamentos. Conservar os recursos da natureza é, sem dúvida, uma decisão estratégica para a humanidade. 
Este é um tema que remete diretamente à CDB (Convenção da Diversidade Biológica), recentemente realizada em Bonn, na Alemanha. Lançada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1992, no Rio de Janeiro (a chamada Rio 92), a CDB tem como objetivo proteger a biodiversidade global, estimular o desenvolvimento sustentável e resguardar a soberania dos países sobre a utilização dos recursos biológicos contidos em seus territórios.     

Amazônia
A Amazônia é particularmente importante por duas razões: pelos serviços ambientais que presta no controle do clima (especialmente do Brasil) e por sua riqueza em biodiversidade. É a maior área de floresta tropical contínua, com o maior reservatório biológico da Terra, possuindo cerca de 30% das espécies terrestres. A região confere ao Brasil o título de país com a maior biodiversidade do mundo, com mais de 50 mil espécies catalogadas de plantas, 1,7 mil espécies de aves e entre 500 e 700 tipos –por categorias– de anfíbios, mamíferos e répteis. Tão grande é a sua biodiversidade que um único arbusto na Amazônia pode conter mais espécies de formigas que todas as Ilhas Britânicas, e um só hectare de floresta pode ter mais de 480 espécies de árvores. Toda essa rica biodiversidade, no entanto, está ameaçada pela combinação destrutiva de desmatamento e mudança climática. Mesmo com tantas incógnitas e incertezas sobre o futuro da Amazônia e do clima mundial, os cientistas concordam que, por causa de sua diversidade genética e do papel crucial da região na definição do clima do planeta, é urgente encontrar as melhores soluções para conservar parte da floresta.

Desmatamento
Em apenas um mês, foram desmatados na região Amazônica 1.123 km² –praticamente o tamanho do município do Rio de Janeiro (1.182 km²) ou cinco vezes o do Recife (218 km²). É a porção de floresta que foi destruída por brasileiros na Amazônia nesse curto espaço de tempo, segundo dados do sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), apresentados nesta semana pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Do total da área em que se verificou corte raso ou degradação progressiva, 794 km² (70,7%) se situavam no Mato Grosso. Roraima vem em segundo lugar entre os Estados da Amazônia Legal com mais desmatamento, com 284,8 km². Em operação desde 2004, o Deter foi concebido como um sistema de alerta para suporte à fiscaliza

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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