Indústria têxtil do Brasil acumula déficit de US$ 644 milhões

Em: 10 de junho de 2008
Diniz Filho disse que o recuo da cotação do dólar em relação ao real e a crescente competição dos produtos chineses são alguns dos principais motivos para o déficit histórico do setor.
Diniz Filho disse que o recuo da cotação do dólar em relação ao real e a crescente competição dos produtos chineses são alguns dos principais motivos para o déficit histórico do setor.

A balança comercial da indústria têxtil e de confecção deverá registrar este ano déficit de US$ 1,340 bilhão, o pior resultado da história do setor, segundo estimativa do presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Aguinaldo Diniz Filho. De janeiro a maio, o déficit acumulado é de US$ 634 milhões, resultado de importações de US$ 1,564 bilhão e exportações no valor de US$ 929,7 milhões.
Em todo o ano passado, a balança comercial da indústria têxtil ficou negativa em US$ 644 milhões. De acordo com Diniz Filho, o recuo da cotação do dólar em relação ao real e a crescente competição dos produtos chineses são alguns dos principais motivos para o déficit histórico do setor.
Este ano, o presidente da Abit estima que o faturamento do setor deverá ser de US$ 34 bilhões, com crescimento de 4,1% em relação ao resultado de 2007. Os investimentos deverão se situar em R$ 1 bilhão, média histórica da indústria têxtil. “Temos expectativa de que a reforma tributária desonere o setor têxtil. O preço de uma roupa brasileira tem 42% de impostos”, afirmou Diniz Filho, durante entrevista coletiva no Fashion Rio.
Desde 1996, segundo a Abit, a balança comercial do setor têxtil vinha registrando déficits sucessivos até 2001, quando o saldo ficou positivo em US$ 77 milhões. O setor registrou superávit até 2005, com US$ 706 milhões, enquanto ainda prevalecia um acordo de livre tarifa no âmbito do GATT, que originou a OMC (Organização Mundial do Comércio), lembrou Diniz Filho.
O presidente da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), Reginaldo Braga Arcuri, disse que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) já tem tido destaque nos incentivos à indústria têxtil, mesmo antes do lançamento da PDP (Política de Desenvolvimento Produtivo) como meio de alavancar a indústria têxtil.
“Estamos vivendo um momento positivo da economia e da história brasileira. É necessário aproveitar este momento para termos um ciclo de crescimento longo”, afirmou Arcuri.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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