Economistas e analistas do mercado financeiro aumentaram novamente suas previsões para a inflação em 2008, de acordo com a pesquisa semanal do Banco Central conhecida como relatório Focus.
A expectativa para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que serve como meta de inflação, subiu pela 14ª semana seguida. O IPCA deve fechar o ano a 6,3%, acima dos 6,08% esperados até a semana passada. Se confirmado, o indicador ficaria acima do centro da meta de inflação para esse ano, que é de 4,5%, mais ainda dentro do teto da meta, de 6,5%. Para 2009, a previsão para o IPCA subiu de 4,78% para 4,8%.
Na semana passada, no Relatório Trimestral de Inflação divulgado pelo BC, a instituição admitiu pela primeira vez que a inflação deve ficar acima dos 6%.
Os demais indicadores de inflação pesquisados pela instituição também tiveram as projeções para 2008 elevadas pelo mercado. O maior destaque foram os IGPs, que servem de base para o reajuste de aluguéis e tarifas.
A expectativa do mercado para o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) subiu de 11,02% para 11,36%; o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) teve a previsão aumentada de 10,36% para 11%; e o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômica) ficaria em 5,85%, ante 5,79% da semana anterior.
Juros devem continuar aumentando
Os economistas mantiveram a previsão de que a taxa básica de juros (Selic) termine 2008 em 14,25% ao ano, feita na semana passada. Para o final de 2009, a estimativa é de que a Selic deve fechar em 13,50% ao ano.
No início do mês, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) aumentou a taxa básica de juros de 11,75% para 12,25% ao ano. Na ata da reunião, os diretores do BC dizem que continuarão aumentando os juros “enquanto for necessário”.
A previsão para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) se manteve em 4,8% em 2008. Para 2009, foi mantida a taxa de 4%. A estimativa para o dólar caiu de R$ 1,68 para R$ 1,67 no final deste ano. Para dezembro de 2009, a previsão ficou em R$ 1,77.
A previsão do saldo da balança comercial em 2008 ficou em US$ 23 bilhões. Para 2009, subiu para US$ 15.21 bilhões.
Contas externas
Foram mantidas as expectativas de investimentos estrangeiros diretos, de US$ 34 bilhões (2008). Para 2009, foi mantida a previsão de US$ 30 bilhões.
Houve ligeira mudança na previsão para a relação dívida/PIB, de 41,10% para 41% neste ano. A expectativa para o saldo em conta corrente foi mantida em um resultado negativo de US$ 23 bilhões em 2008.
Previsão de crescimento
O BIS (Banco de Compensações Financeiras, na sigla em inglês) prevê que o Brasil crescerá 4,8% neste ano, com uma taxa de inflação de 6,4%, e que, assim como toda a América Latina, deverá fazer frente à desaceleração dos EUA.
Sobre a AL, o BIS prevê que o crescimento será de 4,5% e terá taxa de inflação de 6,3%, em perspectivas contidas no 78º relatório anual do grupo, no qual analisa a situação da economia global de 1º de abril de 2007 a 31 de março deste ano.
O BIS que ontem realizou sua assembléia geral anual, acredita que o crescimento econômico do México será, em 2008, de 2,6%, com uma taxa de inflação de 4,1%. “Os últimos aumentos colocaram a inflação acima dos objetivos previstos para 2008”, disse a instituição. Isso se deve, principalmente, à alta dos preços das matérias-primas em virtude do crescimento da demanda, que não foi suprida por aumentos de oferta.







