Brasil busca acordo de biodiversidade na Rodada Doha

Em: 22 de julho de 2008
As determinações fazem parte de um acordo já existente, chamado de “convenção da biodiversidade” -um mecanismo reconhecido globalmente.
As determinações fazem parte de um acordo já existente, chamado de “convenção da biodiversidade” -um mecanismo reconhecido globalmente.

Entre as negociações travadas pela delegação brasileira em Genebra está um acordo em biodiversidade que, segundo estimativas do Itamaraty, poderia render grandes lucros ao país.
O Brasil e a maioria dos países latino-americanos, africanos e asiáticos pretendem inclui-lo em um acordo mais amplo da Rodada Doha, que voltou à mesa de negociações na reunião ministerial na sede da OMC (Organização Mundial do Comércio), em Genebra.
O entendimento que está sendo discutido prevê a obrigatoriedade de que toda empresa que queira explorar recursos naturais de uma determinada região especifique, no rótulo do produto final, de onde vem a matéria-prima utilizada e o conhecimento para sua utilização.
Dessa forma, por exemplo, um laboratório norte-americano que produza um medicamento à base de uma planta da Amazônia cujas propriedades farmacológicas foram descobertas por uma determinada tribo indígena teria que citar a tribo no produto final. Pelo acordo, parte do lucro gerado pelo produto teria de ser destinado a beneficiar o responsável pelo conhecimento para utilização da matéria-prima – no caso hipotético, a comunidade indígena que descobriu as propriedades da planta.
Essas determinações fazem parte de um acordo já existente, chamado de “convenção da biodiversidade” -um mecanismo que é reconhecido globalmente, mas que está sem força de implementação ou regulamentação.
Uma das falhas desta convenção é não especificar a porcentagem dos lucros a ser repassada para a comunidade responsável pela descoberta da matéria-prima nem esclarecer como esse pagamento poderia ser feito.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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