A representante comercial dos Estados Unidos, Susan Schwab, disse ontem que seu país mantém as ofertas feitas nas negociações da Rodada Doha, que terminaram na terça-feira com um fracasso após nove dias de discussões em Genebra, diante da persistência de desacordos entre as principais potências comerciais. “Se os outros estiverem prontos para seguir adiante e responder a nossos oferecimentos de forma significativa, aqui estamos”, disse.
As negociações entraram em colapso definitivo na terça-feira, depois que EUA, Índia e China não conseguiram chegar a um acordo sobre tarifas de importação para o setor agrícola. Sem um acordo final, a União Européia não terá de oferecer maior abertura para seus mercados agrícolas para a produção dos países emergentes -estes, por sua vez, não terão de abrir seus mercados de produtos industriais e de serviços para as empresas dos países ricos. Ao responder se a Rodada Doha continua ou está definitivamente encerrada, a representante americana respondeu que deve começar um período de reflexão, “para ver qual é o caminho pelo qual se pode avançar”. Já o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ponderou que uma nova rodada pode sair apenas em 2013, destacando o período de complicações com as eleições no EUA.
O ministro do Comércio da Nova Zelândia, Phil Goff, disse ser improvável que um novo encontro de ministros aconteça antes do segundo semestre de 2009. “Vai ser muito difícil conseguir realizar quaisquer discussões significativas antes que ocorra a mudança na Casa Branca e haja eleição na Índia”, afirmou.
Shwab atribuiu o fracasso das negociações a duas das sete principais nações que participavam do processo, dizendo que elas (Índia e China) se entrincheiraram em suas posições e rejeitaram um acordo de “compromisso” que estava sobre a mesa.
Mecanismo de salvaguardas
Sem citar nomes, Schwab responsabilizou os dois países pelo fracasso, por terem defendido com todo rigor um novo mecanismo de salvaguardas que lhes teria permitido subir suas tarifas em caso de um grande aumento das importações agrícolas ou de uma queda dramática dos preços internacionais.
Schwab disse que, até aquele momento, os negociadores tinham um acordo realmente ao alcance das mãos, mas a situação se reverteu rapidamente. “Cinco dos sete (principais negociadores) estavam prontos, mas não pudemos capitalizar essa situação e automaticamente as negociações se bloquearam na questão das salvaguardas especiais”, afirmou.
“Foi muito triste terem adotado uma postura tão ferrenha”, disse a representante comercial americana.
Para Schwab, o mecanismo proposto “teria resolvido as legítimas preocupações sobre a subsistência dos agricultores (nos países pobres) no caso de uma inundação de importações”, mas os países que defendiam essa posição “pediam mais e mais”.
Segundo a americana, as exigências “incluíam uma ferramenta para fechar os mercados” e teria se transformado em uma barreira maior ao comércio a respeito da situação atual.
O diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy, tinha proposto um limite de 40% de aumento das importações a partir do qual seria possível ativar esse mecanismo, mas vários países em desenvolvimento -liderados pela Índia- exigiam uma redução do teto de até 15%. Antes disso, os EUA já haviam aceitado diminuir seus subsídios agrícolas de cerca de US$ 40 bilhões para US$ 14.5 bilhões.







