As transações correntes do Brasil com o exterior, importante indicador que mede a vulnerabilidade externa do país, registrou um déficit de US$ 2.111 bilhões em julho.
Com isso, o resultado negativo acumulado no ano já chega a US$ 19.5 bilhões -no mesmo período do ano de 2007, o resultado era contrário, um superávit de US$ 1,7 bilhão, segundo dados do Banco Central.
A conta de transações correntes é formada pelo superávit da balança comercial (US$ 3.3 bilhões em julho), pelas transferências unilaterais (US$ 372 milhões) e pelos serviços e rendas (-US$ 5.785 bilhões).
A principal diferença em relação ao ano passado é o superávit menor da balança comercial, devido ao aumento das importações, e o aumento das remessas de lucros e dividendos das multinacionais, com a importância de US$ 3.24 bilhões no mês e de US$ 22.8 bilhões no ano.
Dentro da contas de serviços e rendas destacam-se também os gastos dos brasileiros em viagens internacionais, que atingiram US$ 1.3 bilhão no mês de julho e US$ 6.84 bilhões no ano.
Transações correntes
O Banco Central prevê um déficit na conta de transações correntes de US$ 21 bilhões em 2008, pior resultado desde 2001. Apesar de o resultado ser negativo, ao contrário do que acontecia no começo da década, o déficit está sendo causado por remessas de lucros obtidos no Brasil por conta do bom momento que a passa economia brasileira.
Em 2001, esse problema estava ligado ao aumento de saída de dinheiro para pagar dívida. Essa mudança, de acordo com o Banco Central, faz com que a solidez das contas externas do país não seja abalada como ocorria com facilidade em épocas passdas.
Investimento
estrangeiro
Outro fator importante é que o déficit nas transações correntes continua sendo financiado pelos investimentos estrangeiros no país, tanto no setor produtivo como no mercado financeiro, que bateram recorde no ano.
Os investimentos estrangeiros produtivos no país chegaram a US$ 3.24 bilhões em julho e US$ 19.942 bilhões no ano.
Os investimentos estrangeiros em carteira (no mercado financeiro) somaram US$ 4.18 bilhões em julho e US$ 17.465 bilhões no acumulado do ano.
Com esses dois resultados (transações correntes e investimentos estrangeiros), o Brasil registrou superávit de US$ 2.362 bilhões no balanço de pagamentos em julho e de US$ 21.6 bilhões nos sete meses do ano.
Aumento da
dívida externa
O valor da dívida externa total alcançou US$ 208.5 bilhões em julho, aumento de US$ 3,3 bilhões em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados pelo Banco Central.
A dívida de curto prazo soma US$ 42.4 bilhões, e a dívida de médio e longo prazo, US$ 166.1 bilhões de dólares.
Já as reservas internacionais fecharam o mês de julho em US$ 203.6 bilhões. As compras do Banco Central registraram a soma de US$ 16.9 bilhões no ano e US$ 1.7 bilhão no mês.
Reservas brasileiras
Durante o mês de junho, as reservas brasileiras atingiram pela primeira vez a marca simbólica de US$ 200 bilhões.
No início final de 2007, estavam em cerca de US$ 180 bilhões. Apesar do aumento da dívida externa, o Brasil continua sendo credor externo em US$ 19.160 bilhões.
Além das reservas, o país possuía em julho US$ 2.68 bilhões em créditos no exterior e US$ 21.449 bilhões em haveres de bancos comerciais.
Gasto de brasileiros no exterior segue com recorde
Os gastos de turistas brasileiros no exterior bateram novo recorde no ano. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, foram US$ 6.84 bilhões até julho.
Os gastos de estrangeiros que visitam o país também foram recorde nesse período, com US$ 3.367 bilhões. Com esses dois resultados, o país teve uma saída de dólares de US$ 3.474 bilhões.
O Banco Central estima para este ano uma saída de dólares de US$ 5 bilhões em viagens (diferença entre os gastos dos brasileiros no exterior e dos estrangeiros no Brasil). A conta das viagens internacionais é parte do relatório do Banco Central sobre o setor externo.
Balança de pagamentos
Elas fazem parte do balanço de pagamentos, que computam os investimentos estrangeiros no país (no setor produtivo e no mercado financeiro) e as transações correntes (comércio, serviços e rendas).
Dentro das transações correntes está a conta de serviços e rendas, que inclui os gastos dos turistas estrangeiros no Brasil e as despesas dos brasileiros no exterior. Esses valores não consideram as despesas com passagens aéreas, que não são computadas pelo Banco Central nessa conta -entram junto com os gastos com fretes.







