E-commerce deve se manter aquecido

Em: 21 de outubro de 2008
As vendas do varejo eletrônico vão se manter aquecidas até o fim do ano, mesmo com a elevação dos juros e a valorização do dólar, prevêem especialistas em e-commerce
As vendas do varejo eletrônico vão se manter aquecidas até o fim do ano, mesmo com a elevação dos juros e a valorização do dólar, prevêem especialistas em e-commerce

As vendas do varejo eletrônico vão se manter aquecidas até o fim do ano, mesmo com a elevação dos juros e a valorização do dólar, prevêem especialistas em e-commerce. A perspectiva de ausência de reajustes de preços, pelo menos até o Natal, vai compensar a piora nas condições de financiamento. A expectativa da E-bit, empresa de informações do setor, ligada à Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, é de incremento de 35% nas vendas em 2008 sobre o ano anterior, ante 10% do varejo tradicional.
A professora do Provar (Programa de Administração do Varejo), da FIA (Fundação Instituto de Administração), Patrícia Vance, afirmou que o maior número de lançamentos de produtos à venda na internet, principalmente no último trimestre, “acaba segurando os preços médios”. O último levantamento do e-flation, do Provar -que mede os preços na ­internet-, mostrou deflação de 1,99% na primeira quinzena de outubro, na comparação com o mesmo período de setembro.
“Nessa época, há muitos lançamentos e uma queima dos estoques com ­promoções”, explicou Patrícia. O sócio-sênior e especialista em comércio eletrônico da consultoria Gouvêa de ­Souza & MD, Alexandre Horta, ressalta que os lançamentos chegam aos sites das varejistas com preços “cheios” e que, em seguida, começam a apresentar queda em seus valores.
O e-flation de outubro apresentou quedas nas categorias de cine e foto (-4,9%), eletroeletrônicos (-3,4%), informática (-0,7%) e linha branca (-0,6%). Em setembro ante agosto, a mesma pesquisa também apontou deflação de 0,23%.
Para o diretor-geral do E-bit, Pedro Guasti, outro fator que vai impedir a alta dos preços na internet é a concorrência no setor.
Ele lembrou que em outubro o Wal-Mart lançou seu portal de vendas na web e que o Grupo Pão de Açúcar ampliou em R$ 40 milhões os investimentos em e-commerce até 2010.
“Os sites não devem registrar repasses significativos nos preços, nem reduções drásticas nas condições de pagamento, pelo menos até o final do ano”, disse.

Venda à vista pode crescer

Dados obtidos pela Agência Estado com o E-bit apontam um aumento das vendas à vista de produtos eletroeletrônicos, como televisores, DVD’s e câmeras digitais, na internet – com alta de 22% para 26% da fatia total de pedidos na primeira quinzena de outubro ante o mesmo período de setembro. A representatividade de parcelas entre seis e onze vezes de pagamento caiu de 31% para 25%. Já as prestações com prazos superiores a 12 meses cresceram, passando de 19% para 22%.
“As empresas com operações de crédito dilatadas vão começar a diminuir os prazos pela menor disponibilidade de capital barato para financiar as vendas aos consumidores”, afirmou Horta. Guasti, do E-bit, ressalta que a redução nas margens das empresas, pela pressão cambial e aumento nos juros, deve provocar a retração principalmente das vendas em mais de 12 vezes, ampliando-se as da faixa média de seis prestações. Ele disse, porém, que esse cenário se configurará principalmente a partir de janeiro.
Patrícia afirmou que, mesmo com a piora nas condições de financiamento, o sentimento do consumidor continua em alta. Pesquisa do Provar registrou em outubro o maior índice de intenção de compras na internet da série histórica iniciada em janeiro em 2005. De acordo com o levantamento, que consultou 4.700 domicílios no Estado de São Paulo, 90,9% das pessoas que já realizaram compras na internet vão repetir a dose no último trimestre deste ano.

Espera positiva

O final do ano é responsável por aproximadamente 20% das vendas totais do ano na internet, que vão atingir R$ 8,5 bilhões nesse ano, na projeção do E-bit. “Não estamos blindados contra a crise, mas temos agora a injeção do 13º salário e o Natal”, avaliou Guasti. Ele ressaltou, inclusive, que as empresas vão reduzir suas margens para não perder vendas. “A redução dos prazos e o aumento dos preços iria afastar o consumidor”, resumiu a professora do Provar.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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