Crise dificulta compra de imóveis e comprador deve ser cauteloso

Em: 13 de novembro de 2008
Num cenário em que faltam no país mais de 7 milhões de moradias, a possibilidade da aquisição da casa própria causa ansiedade nos interessados, o que diminui seu senso de realidade e os coloca em risco de assumir um compromisso inviável a longo prazo
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Num cenário em que faltam no país mais de 7 milhões de moradias, a possibilidade da aquisição da casa própria causa ansiedade nos interessados, o que diminui seu senso de realidade e os coloca em risco de assumir um compromisso inviável a longo prazo

Num cenário em que faltam no país mais de 7 milhões de moradias, a possibilidade da aquisição da casa própria causa ansiedade nos interessados, o que diminui seu senso de realidade e os coloca em risco de assumir um compromisso inviável a longo prazo.
Esse comportamento é natural: certamente, as cerca de 700 mil famílias ­brasileiras que enfrentam hoje algum tipo de problema para o cumprimento do seu contrato de financiamento habitacional estavam muito entusiasmadas e otimistas quando assinaram esses contratos.

Parcelas mais gordas

A AMM (Associação dos Mutuários e Moradores das Regiões Sul e Sudeste do Brasil), que existente há dez anos e que atende hoje a mais de 8.000 mutuários de São Paulo, Minas Gerais e Rio ­Grande do Sul, está sendo procurada por pessoas desejosas de adquirir a casa própria, mas que estão ­enfrentando dificuldades para aprovação de crédito.
Os agentes financeiros e construtoras estão mais ­exigentes. Na venda direta ao comprador, as construtoras estão diminuindo prazos e engordando as parcelas. Muitas exigem uma entrada de 20% a 30%, quando há pouco tempo cobravam de 10% a 15%, facilitando esse pagamento em várias vezes.

Especialista dá dicas sobre contratos

Segundo o diretor da AMM, Tiago Antolini, não há muito o que fazer, a não ser esperar que as empresas se adaptem à crise e se sintam novamente fortalecidas financeiramente e mais seguras quanto aos recursos que as alimentam.
Mas, por conta dessa mesma crise, o especilista alertou para os cuidados que o comprador deve ter, os quais muitas vezes são esquecidos por conta da ansiedade: “os muitos problemas que hoje acometem 700 mil mutuários brasileiros decorrem da prática do chamado contrato de adesão: havendo poucas oportunidades e muitas dificuldades para a obtenção do financiamento, em muitos casos os compradores têm de se decidir simplesmente por assinar ou não um contrato padrão não passível de negociação. Além disso, o comprador não sabe ler o contrato e nem imagina que o teor pode reservar problemas para o futuro”, explicou Antolini.

Cuidados da compra

Em época de crise, o principal cuidado é quanto à solidez da empresa vendedora quando se compra imóvel que ainda não esteja pronto; mas há outros também importantes.
-Verificar quais são as empresas envolvidas no empreendimento. Saber se elas têm reclamação nos órgãos de proteção ao consumidor e de que tipo.
-Solicitar às empresas as certidões de praxe, que demonstrem sua idoneidade comercial, jurídica e financeira.
-Verificar quais garantias o contrato faculta ao comprador quanto ao prazo de entrega do imóvel. Não admitir tolerância superior a seis meses de atraso e exigir claúsula de cessação do pagamento e/ou desistência a partir do vencimento do prazo de entrega.
-Dar preferência a contratos que incluam seguro contra desemprego, desde que os custos adicionais não sejam abusivos.
-Verificar no contrato que garantias há para a devolução do dinheiro já pago em caso de desistência legal do comprador por descumprimento do contrato pela vendedora.
-Não comprometer mais que 20% da renda no paga­mento do imóvel + condomínio, porque os atuais contratos não possuem vínculo com a equivalência salarial e qualquer possível aumento acima do ­normal nos índices da TR (fator de correção das prestações) pode comprometer todo o financiamento.
Sobre essas duas últimas recomendações são justificáveis porque os bancos utilizam a Alienação Fiduciária, que lhes dá maior facilidade para a ­retomada do imóvel. A ­partir de um atraso de 60 dias na ­parcela, o banco poderá tomar rapidamente a propriedade e revendê-la em leilões/feirões. Em caso perceber-se tendendo a uma situação de inadim­plência, o mutuário deve ­procurar ajuda especializada, para que soluções administrativas ou jurídicas evitem as consequências acima.
-Procurar financiamentos com recursos do FGTS, pois neles as taxas são mais reduzidas.
-É financeiramente vantajosa a utilização do FGTS e dinheiro de poupança para uma amortização inicial do valor total, porque a sua remuneração é sempre menor do que os juros pagos na compra do imóvel.
-Comparar o teor dos contratos propostos pelos diversos agentes financeiros para um mesmo imóvel, para verificar qual é o mais vantajoso.
-Comparar o teor dos contratos propostos pelas diversas construtoras para imóveis equivalentes e levar em consideração as vantagens de cada proposta.
-Perguntar ao vendedor sobre todos os pontos do contrato a respeito dos quais tenha dúvidas. Insistir até que a explicação seja convincente.
-Conferir no contrato se as taxas de juros, parcelas intermediárias e outros encargos estão descritos conforme conversado. Tudo o que for tratado, tem de estar escrito no contrato.
-No caso de condomínio, o imóvel deve ser recebido juntamente com toda a infra-estrutura prometida.
-Se o imóvel já existir, não comprá-lo sem examiná-lo antes, sem consultar a vizinhança sobre o que ­ocorre no local e sem consultar ­vizinhos de condomínio ­sobre as condutas e cobranças praticadas.
-Nunca comprar imóvel ocupado, porque não há quem possa garantir sua desocupação dentro dos prazos estimados.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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