O Banco Central anunciou nesta quinta uma nova mudança nos depósitos compulsórios para colocar mais dinheiro na economia. Será alterada a forma de recolhimento de cerca de R$ 40 bilhões, o que representa quase 20% de todo o compulsório depositado hoje no BC.
O compulsório adicional sobre depósitos à vista, a prazo e poupança (chamado pelo BC de “exigibilidade adicional’’), que hoje é recolhido em espécie, passará a ser recolhido em títulos públicos a partir de 1º de dezembro.
A remuneração desse dinheiro, que atualmente é igual à taxa básica de juros (Selic), será agora igual à do título (IPCA, IGP-M, Selic, juros prefixados).
Os bancos são obrigados a manter depositada no BC uma parte do dinheiro aplicado pelos seus clientes. Essa parcela é chamada de depósito compulsório. Quando o BC reduz o compulsório, coloca mais dinheiro na economia, o que ajuda a aumentar o crédito nesse momento de crise.
Segundo o BC, a nova mudança visa a reequilibrar os volumes recolhidos em títulos e espécie, que foram alterados nas mudanças anteriores, para preservar a liquidez do sistema financeiro.
Mudanças anunciadas
No final de setembro, todos os recolhimentos compulsórios somavam R$ 272 bilhões. Com as mudanças já anunciadas pelo BC, que diminuiu os valores a serem colhidos, o valor caiu para R$ 215,947 bilhões até o dia 7 de novembro.
Ao todo, as medidas do BC podem significar a liberação de mais de R$ 100 bilhões para injetar mais crédito na economia.
Muitas das mudanças anunciadas pelo BC dependem ainda dos próprios bancos, que só terão o desconto no compulsório depois de comprarem a carteira de bancos pequenos. Outras já foram anunciadas, mas ainda não tiveram efeito na economia.
Controle do dinheiro
O depósito compulsório é um dos instrumentos que o Banco Central usa para controlar a quantidade de dinheiro que circula na economia. O mecanismo influencia o crédito disponível e as taxas de juros cobradas.
Por meio do compulsório, os bancos são obrigados a depositar em uma conta no próprio BC parte dos recursos captados dos seus clientes nos depósitos à vista, a prazo ou poupança.
Quando reduz o compulsório, o BC dá aos bancos mais dinheiro para emprestar aos seus clientes. Isso pode ajudar a reduzir os juros bancários ou, em momentos de mais escassez de dinheiro, impedir que sequem as fontes de crédito para o consumidor e para empresas.
A piora da crise nos EUA e na Europa prejudicou principalmente os bancos menores no Brasil, que têm dificuldade de captar dinheiro no exterior. Por isso, o BC decidiu mexer nas regras do compulsório para liberar até R$ 160 bilhões na economia. Isso equivale a mais da metade de todo o dinheiro que era recolhido por meio do compulsório há dois meses (R$ 270 bilhões).







