Pirarucu em cativeiro gera sustentabilidade

Em: 25 de novembro de 2008
O pirarucu, um dos símbolos da bacia amazônica e o maior peixe escamado de água doce do mundo, é também a maior fonte de renda de grande parte das famílias ribeirinhas da região Norte do país
O pirarucu, um dos símbolos da bacia amazônica e o maior peixe escamado de água doce do mundo, é também a maior fonte de renda de grande parte das famílias ribeirinhas da região Norte do país

O pirarucu, um dos símbolos da bacia amazônica e o maior peixe escamado de água doce do mundo, é também a maior fonte de renda de grande parte das famílias ribeirinhas da região Norte do país.
No entanto, a pesca extrativista vem reduzindo fortemente os estoques naturais desse peixe. Para encontrar soluções sustentáveis que diminuam o impacto ambiental e gerem mais renda para a comunidade, foi criado em 2007 projeto cujo foco é descobrir melhores práticas de criação do pirarucu em cativeiro.
Trata-se do Projeto Integrado de Desenvolvimento do Pirarucu da Amazônia, que é realizado em seis estados do Norte do país (Acre Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins). A proposta do projeto é buscar respostas como a melhor forma de engorda do peixe, o aumento de reprodução em cativeiro, formas de manejo, e até mesmo verificar como seria sua comercialização. O projeto de conhecimento e tecnologia vai desenvolver metodologias e manuais para facilitar o cultivo do peixe por produtores interessados. O projeto será apresentado durante o Amazontech 2008, realizado em São Luís (MA), de 25 a 29 de novembro. Na programação, há palestra do consultor Eduardo Ono sobre a criação do pirarucu em cativeiro. Haverá também a comercialização de alevinos por parte da empresa Só Peixes da Amazônia, que participa do projeto.
Em cada estado, foram montadas três unidades de criação do peixe que servem para a observação dos pesquisadores. Em Rondônia, por exemplo, nas unidades que ficam em Pimenta Bueno, a 500 quilômetros da capital Porto Velho, os resultados já começaram a aparecer. De 3.000 alevinos em cativeiro, a produção aumentou para 30 mil por safra, que vai de novembro a fevereiro.
O consultor do projeto, Martin Halverson, afirmou que a parte mais complicada tem sido a reprodução dos peixes em cativeiro. Segundo ele, trata-se de uma espécie que forma casais para se reproduzir e por isso não dá para, em um primeiro momento, intervir aplicando hormônio para que o peixe desove, como é feito com muitas criações de outras espécies. “Temos que respeitar essa natureza do peixe e intervir para acelerar o processo. Estamos trabalhando como verdadeiros cupidos, formando os casais”, contou.
No quesito relacionado à engorda dos peixes, os resultados são satisfatórios. Nesse experimento são testadas diferentes rações. De acordo com o zootecnista e consultor do projeto Jacob Kehdi, o pirarucu se alimenta normalmente de tilápia ou lambari. “Nesse processo, o peixe cresce, mas são formados poucos indivíduos grandes. Com a ração, os resultados são mais positivos”, destacou.
Ele exemplificou comparando as duas alimentações. “Numa represa de 10 mil metros podemos ter, em um ano, dez peixes de 20 quilos se o pirarucu se alimentar de lambari. Mas, nesse mesmo espaço, se a alimentação for de ração, podemos ter 600 peixes de dez quilos”, disse.
Da primeira unidade implantada naquele estado foi feita uma despesca neste mês de novembro de 300 animais para um festival gastronômico do pirarucu. “O objetivo do evento é despertar e estimular o consumo e mostrar a variedade de pratos que podem ser criados com esse pescado regional”, contou a coordenadora regional do projeto pelo Sebrae/RO, Roberta Figueiredo.
Esse tipo de promoção do pirarucu também foi realizado em Roraima. Lá foi promovido um curso de beneficiamento do pescado. “Trabalhamos os diferentes tipos de corte, como costela, filé e medalhão. Também repassamos aos empresários como fazer subprodutos do peixe, como salsicha, empanados e pirarucu defumado”, explicou técnica responsável pelo projeto nesse Estado Itamira Soares.
Em Roraima também foi realizada uma oficina gastronômica com 42 pessoas entre donos de restaurantes, hotéis e encarregados de cozinha. “As pessoas só conheciam o pirarucu do extrativismo e por isso encontramos essa forma de divulgar o peixe criado em cativeiro, alimentado com ração e ecologicamente correto”, disse Itamira. Na oficina foram feitos carpaccio, medalhão, canelloni e lasanha de pirarucu. “Foi uma forma de mostrar que é possível fazer pratos simples com um peixe exótico”, completou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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