Para indústria, decisão afetará crescimento

Em: 12 de dezembro de 2008
Representantes da indústria, do comércio e dos trabalhadores criticaram a decisão do Copom de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A decisão vai afetar o crescimento do país em 2009 e trazer prejuízos ao emprego e à renda
Representantes da indústria, do comércio e dos trabalhadores criticaram a decisão do Copom de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A decisão vai afetar o crescimento do país em 2009 e trazer prejuízos ao emprego e à renda

Representantes da indústria, do comércio e dos trabalhadores criticaram a decisão do Copom de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A decisão vai afetar o crescimento do país em 2009 e trazer prejuízos ao emprego e à renda.
Para Armando Monteiro Neto, presidente da CNI (confederação da indústria), o comitê deveria ter alterado a dinâmica da política monetária do Brasil, assim como fizeram outros países. “A perda de intensidade da atividade econômica, em virtude dos efeitos da crise financeira internacional e das dificuldades do mercado de crédito, justificaria plenamente uma ação nesse sentido”.
De acordo com a CNI, há importantes razões para promover uma queda nos juros. “A economia mundial passa por um forte momento deflacionário, com amplo impacto nos preços em escala mundial, e há recuo na atividade interna, com desaceleração nos preços e custos domésticos”.
Em tom de ironia, Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias Paulistas), afirmou que, “desse jeito, já começo a sentir saudade de 2008”, ao se referir à manutenção da taxa de juros. “O governo brasileiro, ao insistir em não reduzir a Selic, coloca-se na contramão do que países como Japão, Estados Unidos e outros da Europa estão praticando: cortes drásticos nos juros para proteger emprego e renda”. Segundo o empresário, “é absurdo manter a taxa de juros em nível tão elevado, quando a inflação está sob controle e precisamos lutar para impedir que haja uma queda brusca do crescimento”.

Copom ignora risco de contágio

Na avaliação de Abram Szajman, presidente da Fecomercio SP (federação do comércio), o Copom ignora risco de contágio pela recessão mundial e se faz “de cego” diante do risco de recessão. “Pode-se dizer que, mesmo parada, a Selic subiu até 2% nos últimos meses, em comparação com os juros vigentes nos EUA e na Europa, que têm sido drasticamente reduzidos pelos seus bancos centrais. Enquanto isso, o nosso BC ignora o risco do contágio pela recessão mundial e se preocupa com o perigo mais imaginário do que real da inflação”, diz Szajman.

Aumentar diferencial

A Fecomercio avalia que, além de aumentar o diferencial entre os juros internos e externos, a manutenção da taxa envia para o mercado sinal contraditório das autoridades monetárias. “Por um lado, o BC libera o compulsório e insiste para que os bancos emprestem os recursos, sem represar a liquidez; ao mesmo tempo e paradoxalmente, mantém elevada a remuneração dos títulos de curto prazo, o que desestimula empréstimos ao setor privado”. Para a entidade, não seria desmedida um corte nos juros de até quatro pontos percentuais.

Pressão reabre debate sobre BC independente

Dado o conservadorismo habitual do BC, o mercado financeiro recebeu sem surpresas a manutenção dos juros em 13,75%, apesar de ter aumentado nos últimos dias a parcela dos analistas que esperavam um corte de 0,25 ponto na taxa Selic. Como os diretores admitiram discutir a possibilidade de reduzir a taxa, a expectativa é que aconteça no início de 2009.
Analistas voltaram a discutir o grau de independência do BC diante das pressões sofridas dentro e fora do governo. Com a decisão unânime do BC, analistas discutem se a autoridade monetária fez questão de reafirmar sua posição conservadora como forma de responder a essas pressões.
Para Fausto Gouveia, economista da Infra Asset, essa dúvida pode, inclusive, ter levado o BC a uma atitude mais conservadora, com o objetivo de demonstrar que “continua no comando” da situação. “Tem realmente esse mal-estar. Boa parte do lado petista está atirando para tirar força do BC. Pelas características de Meirelles, presidente do BC, a pressão pode, sim, ter levado a uma decisão mais conservadora. Sempre que ele se sentiu pressionado, veio uma decisão unânime e seca indo contra o governo”. “Se cortasse o juro agora, poderia criar algum ruído no mercado de que o BC pode ter cedido, em parte, às pressões do governo”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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