Ao falar da situação financeira mundial que aflige particularmente os principais mercados consumidores dos produtos do PIM (Pólo Industrial de Manaus), a superintendente da Suframa, Flávia Grosso, disse que apesar da turbulência do último trimestre, o pólo está encerrando o ano com saldo positivo, batendo mais um recorde –vai fechar 2008 com faturamento de US$ 30 bilhões, o que representa um crescimento de 17% ante a 2007. O resultado demonstra, segundo ela, que a indústria local está preparada para enfrentar o período de crise econômica, que não tem data para terminar.
Para 2009, Flávia Grosso disse que a perspectiva é de que a indústria local recupere os empregos perdidos nos últimos três meses de 2008 e que o faturamento continue crescendo com as mesmas taxas que vem mantendo ao longo dos últimos cinco anos.
Na opinião da superintendente, o empresariado continua acreditando no modelo ZFM (Zona Franca de Manaus), a prova disso são os 50 novos projetos aprovados recentemente na última reunião do CAS (Conselho de Administração da Suframa) que projetam 1,6 mil novos empregos afora as demais reuniões do conselho que vêm adicionando emprego para os próximos três anos. Neste ano foram aprovados 321 projetos pelo CAS, sendo 116 de implantação e 205 de diversificação, ampliação e atualização “Por tudo isso, a gente afirma que o crescimento do PIM deva ser mantido”, assinalou Flávia, ressaltando que até outubro foram gerados 113 mil empregos, sendo a média anual de admissões maior que o volume total de demitidos. “Isso representa um crescimento 65% maior em relação a 2003 e 9% se comparado a 2007”, completou.
Dados do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) dão conta de que em novembro a indústria de transformação local eliminou mais de 2,6 mil postos de trabalho.
No balanço, a superintendente apontou que as demissões e férias coletivas anunciadas por algumas empresas, originaram-se, em parte devido à restrição de crédito no mercado, impactando não só a demanda pelos principais produtos fabricados, com a geração de postos de trabalho no PIM.
“Essa preocupação foi amenizada por medidas anunciadas e implementadas pelo governo federal, com a participação do governo do Estado. Quanto às férias coletivas anunciadas, é importante destacar também que tradicionalmente algumas empresas adotam essa política no fim de ano quando a produção reduz”, disse Flávia.
Modelo tem conquistado reconhecimento
Ao fazer um balanço da atuação da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) em 2008, Flávia Grosso disse que a cada ano o modelo ZFM ganha espaço e reconhecimento nacional e internacional. “O Brasil inteiro passa a olhar a região amazônica com outros olhos, identificando a ZFM como a mais bem sucedida política do governo federal para a Amazônia, cujas conquistas econômicas, relação com o meio ambiente e benefícios sociais que dela se espraiam para toda a região, são incontáveis”, disse.
As vendas externas em 2008, apesar da crise, contabilizaram um crescimento de 8% em relação ao ano passado, devendo fechar o ano em US$ 1.2 bilhão. Este resultado positivo na opinião de Flávia Grosso tem origem no alto nível de competitividade dos produtos do PIM colocados no mercado, aliado ao esforço apoio do Mdic (Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior), que abriu espaço para que a Suframa divulgue as bases bem sucedidas do modelo ZFM em suas missões diplomáticas e comerciais. “O destaque foi o crescimento da participação do Equador que ocupava a 23ª posição no ranking, passando para a 7ª colocação”, apontou.
Flávia informou que o aumento das exportações tem relação direta com o trabalho de inserção internacional desenvolvido pela Suframa em parceria com o Mdic, com a diversificação do destino dessas exportações mediante Acordos de Complementações Econômicas firmados com o Mercosul (Mercado Comum do Sul) com blocos econômicos ou países, bem como a criação de instrumentos que respaldam o comércio intrabloco para acessar mercados que até então não era possível acessar, como é o caso do Acordo Bilateral entre Brasil e Uruguai (64º Protocolo Adicional ao ACE-18) que respalda o comércio de produtos originários das Zonas Francas de Manaus, no Brasil, e Nova Palmira e Colônia, no Uruguai, com o estabelecimento de uma lista de produtos importantes da pauta exportadora do PIM. “O que tem contribuído para o fortalecimento do modelo ZFM no cenário internacional”, assinalou a superintendente da Suframa.
Segundo Flávia, o ano de 2008 também foi dedicado à revisão e atualização do planejamento estratégico da Suframa. O propósito maior dessa revisão é alinhar e conciliar as ações da Suframa relativas ao período de 2008 a 2011 às demandas regionais, bem como, elaborar um cenário prospectivo com horizonte até 2025. A partir de 2009, a Suframa tem o grande desafio de implantar ações a serem consignadas no seu planejamento estratégico. “Ações essas que visam fortalecer os aspectos próprios da atividade autárquica e de controle dos incentivos fiscais, outras de natureza estratégica visando consolidar a autarquia como uma agência sub-regional de apoio ao desenvolvimento da sua área de jurisdição”, disse.







