Produção de ovos e de leite encolhe no Amazonas

Em: 6 de outubro de 2021

Em sintonia com a redução do gado bovino do Amazonas, registrada entre 2019 e 2020, a produção leiteira do Estado também andou para trás, no mesmo período. O mesmo se deu na produção de ovos de galinha, em que pese o crescimento do plantel amazonense de galináceos, na mesma comparação. A produção de mel de abelha, por outro lado, apresentou recuperação, mas ainda é a quarta menor em todo o país. É o que revelam os dados da PPM (Pesquisa da Pecuária Municipal) 2020, do IBGE.

No ano passado, com um total de 93.122 vacas ordenhadas, o Amazonas produziu 43,533 milhões de litros de leite, com produtividade de 467 litros por vaca ao ano. Houve decréscimo de 0,71% no confronto com 2019 (43,844 milhões de litros), sendo esta a quantidade mais baixa desde 2017 (42,925 milhões de litros). O valor de produção, no entanto, cresceu 6,72%, de R$ 64,901 milhões (2019) para R$ 69,263 milhões (2020) – mas representou apenas 0,1% do total registrado pelo país, em igual intervalo de tempo.

Em contraste, a produção nacional de leite chegou a 35,4 bilhões de litros em 2020, com um aumento de 1,5% em relação ao ano anterior, sendo esse o maior volume já registrado na pesquisa, conforme o IBGE. O Amazonas, entretanto, seguiu a trajetória negativa experimentada pela região Norte (-4,54% e 2,1 milhões de litros), ode ocupa a quarta posição do ranking da atividade – atrás de Rondônia (1,128 bilhão de litros de leite), Pará (606,661 milhões) e Tocantins (399,346 milhões).

Os cinco principais municípios produtores de leite no Amazonas, em 2020, foram Autazes (11 mil litros), Careiro da Várzea (7,8 mil litros), Apuí (5,9 mil litros), Parintins (3,5 mil litros) e Manicoré (3,3 mil litros). De acordo com o IBGE, todas as localidades citadas apresentaram “estabilidade” na produção leiteira, na passagem de 2019 para 2020, “com pequenas oscilações na quantidade produzida”.

Ovos e mel

A produção amazonense de ovos de galinha somou 62.823 mil dúzias, no ano passado, representando 1,3% da produção nacional. A comparação com 2019 (63.663 mil dúzias) apontou para uma diminuição de 1,2%, além de representar o pior dado para o Estado, desde 2018 (62.202 mil dúzias). O valor de produção foi de R$ 237,476 milhões, representando um incremento de 3,99% sobre o registro de 2019 (R$ 228,368 milhões).

A média brasileira (4,8 bilhões de dúzias), em contraste, cresceu 3,5%, sendo que 83,1% foram provenientes de granjas de médio e grande porte, de acordo com informações da pesquisa mensal de POG (produção de ovos de galinha), também do IBGE. Com rendimento de R$ 17,8 bilhões, a produção nacional foi mais um recorde da série histórica que, desde 1999, aumenta a cada ano. 

Manaus segue como o principal produtor amazonense de ovos de galinha, mas amargou recuo de 4,87% entre 2019 (42,574 mil dúzias) e 2020 (40,500 mil dúzias), o pior desempenho desde 2017 (34,022 mil dúzias). O valor de produção não passou de R$ 141,750 milhões, 0,97% a menos que em 2019 (R$ 143,131 milhões). Iranduba (8.303 dúzias e R$ 33,210 milhões), Manacapuru (5.194 dúzias e R$ 19,009 milhões), Rio Preto da Eva (1.496 dúzias e R$ 5,234 milhões) e Itacoatiara (1.090 dúzias e R$ 4,469 milhões) aparecem nas posições seguintes do ranking municipal do Amazonas.

Em todo o país, o maior número veio novamente do Sudeste, que representou 43% da produção nacional. São Paulo (25,6% do total) seguiu como o maior Estado produtor, superando as ofertas totais das demais regiões. Na sequência estão o Sul (22,7%) – com destaque para o Paraná (9,4%) e o Rio Grande do Sul (7,5%). Os cinco principais municípios produtores foram Santa Maria de Jetibá (ES), Bastos (SP), Primavera do Leste (MT), São Bento do Uma (PE) e Itanhandu (MG). 

A produção de mel do Estado, por sua vez, foi de 32,898 mil quilos, no ano passado. Houve elevação de 1,09% sobre o dado do exercício anterior (32,542 mil quilos), após a virtual estagnação apresentada no levantamento precedente (-0,11%). Com isso, o Amazonas figurou na 24ª colocação do ranking nacional. O valor de produção praticamente empatou entre 2019 (R$ 1,144 milhão) e 2020 (R$ 1,164 milhão). Os cinco maiores produtores municipais amazonenses estavam localizados em Humaitá (5.250 quilos), Manaus (4.300 quilos), Maués (2.650 quilos), Urucará (2.000 quilos) e Parintins (1.820 quilos).

A produção brasileira de mel (51,5 mil toneladas) avançou 12,5% em relação a 2019 e o valor de produção também aumentou, para R$ 621,5 milhões. As principais regiões produtoras foram Sul (38,1% do total) – com destaque para o Paraná (15,2%) e o Rio Grande do Sul (14,5%) – e Nordeste (37,5%) – principalmente Piauí (11%), Bahia (9,7%) e Ceará (7,6%) – ambas com aumentos. O ranking da produção nacional é liderado pelas duas unidades federativas sulistas (com 98,619 milhões e 97,043 milhões de quilos, respectivamente), seguidas por Santa Catarina (54,416 milhões de quilos), São Paulo (52,310 milhões de quilos) e Bahia (51,770 milhões de quilos).

Demanda x oferta

Em sua análise para a reportagem do Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressalta que a produção de leite do Estado é “bem pequena” e não atende à crescente demanda local, justamente porque a criação de bovinos “é praticamente toda voltada” para a pecuária de corte. A situação das outras atividades primárias analisadas na pesquisa, conforme o pesquisador, não apresentam panorama muito diferente.

“Manaus se destaca como o nono município do país com a maior plantel de galinhas poedeiras. Por isso, a produção de ovos no Estado é puxada pela capital, além de vários municípios de seu entorno. No entanto, essa oferta não é suficiente para atender nem mesmo seu consumo. Por isso, esse produto ainda é importado de outras unidades federativas brasileiras. Já a produção de mel coloca o Amazonas entre os menores produtores do país”, resumiu.

Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, a supervisora da Pesquisa da Pecuária Municipal, Mariana Oliveira, atribui a produção brasileira recorde de ovos de galinha ao fato de que o produto foi uma “fonte de proteína alternativa mais acessível”, em tempos de pandemia. No caso do mel, o principal indutor teria sido o câmbio e a demanda global. “Houve aumento de 52,2% nas exportações, favorecidas pela alta do dólar ao longo de 2020, resultando na redução da oferta de mel em solo nacional. Isso levou ao aumento do preço, o que contribuiu para o acréscimo de 26,2% do valor de produção”, concluiu.

Foto/Destaque: Divulgação

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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