O custo da construção civil no Amazonas reforçou alta, na passagem de agosto para setembro. O indicador pontuou 3,11% de expansão na variação mensal, em um novo repique, após o índice já renovado do mês anterior (+1,08%). Desta vez, o dado local correspondeu a mais do que o triplo do número brasileiro (+0,88%), além de bater com folga a inflação do período (+1,16%). Também foi a maior variação mensal desde setembro de 2019 (+3,54%). Com isso, o valor do metro quadrado local passou de R$ 1.375,15 (agosto) para R$ 1.417,92 (setembro). É o que revela o Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), divulgado pelo IBGE, nesta sexta (8).
Mas, diferente do ocorrido nos meses anteriores, o aumento no custo local da atividade foi puxado pelos dispêndios com mão de obra, que passou de R$ 511,29 para R$ 550,02, entre julho e agosto. O atípico aumento de 7% mais que compensou a marca anterior (-1,69%). Já o passivo das construtoras amazonenses com materiais –que na sondagem do mês passado havia subido 2,80% –desacelerou e bateu em R$ 867,90 (setembro) contra R$ 863,86 (agosto), uma diferença de 0,47%.No acumulado dos oito primeiros meses de 2021, o indicador já acumula expansão de 11,72%, ao saltar de R$ 1.297,97 (janeiro) para R$ 1.417,92 (setembro). Em 12 meses, já avançou 18,93% de elevação.
O incremento mensal do Sinapi do Amazonas bateu novamente a inflação oficial, na variação mensal, conforme o mesmo IBGE. Pressionado novamente pelo aumento de preços da energia elétrica e dos combustíveis, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo subiu 1,16%, em setembro, após a desaceleração de agosto (+0,87%). Foi o maior percentual para o mês desde 1994 (+1,53%). Mas, a diferença entre o indicador da construção civil e o IPCA segue apontando vantagem para o primeiro, tanto no acumulado do ano (+11,72% contra +6,90%, na ordem), quanto no aglutinado anualizado dos últimos 12 meses (+18,93% contra +10,25%).
O aumento na variação mensal (+3,11%) fez o Estado decolar do 11º para o segundo lugar do ranking nacional de maiores altas percentuais, além de se manter novamente acima da média nacional (+0,88%). Perdeu de Goiás (+3,13%), por uma pequena margem, sendo seguido bem de longe por Mato Grosso do Sul (+1,83%). Em contrapartida, Rondônia, Minas Gerais (ambos com +0,16%), Maranhão (+0,17%) e Rio Grande do Norte (+0,29%) figuraram nas últimas posições, em uma lista sem deflações.
Abaixo da média
Mesmo com a alta renovada, o custo por metro quadrado no Amazonas (R$ 1.417,92) segue bem abaixo da média nacional (R$ 1.475,96). Com o aumento no Sinapi acima do dado brasileiro, o Estado subiu da 19ª para a 17ª colocação, entre os maiores valores do país. Santa Catarina (R$ 1.685,99), Rio de Janeiro (R$ 1.623,90) e São Paulo (R$ 1.566,60) seguiram no pódio. Os valores mais baixos, por outro lado, se situaram em Rio Grande do Norte (R$ 1.289,58), Sergipe (R$ 1.311,77) e Alagoas (R$ 1.323,30).
A despeito do aumento reforçado no mês passado (+7%), o custo de mão de obra da construção do Amazonas (R$ 550,02) ainda permaneceu como um dos mais baixos do país, mantendo-se inferior ao da média nacional (R$ 598,61), mas escalou da 23ª para a 15ª posição do ranking brasileiro. Santa Catarina (R$ 781,98), Rio de Janeiro (R$ 724,70) e Paraná (R$ 697,91) representaram os maiores valores. Em contraste, Sergipe (R$ 464,49), Alagoas (R$ 482,65) e Rio Grande do Norte (R$ 491,59) ficaram no fim da fila.
A alta mais fraca (+0,47%) no custo de materiais para a construção civil fez o Amazonas (R$ 867,90) retroceder da 12ª para a 15ª posição do ranking nacional do IBGE, ficando aquém do número brasileiro (R$ 877,35). Os maiores números se situaram no Acre (R$ 953,18), Tocantins (R$ 936,50) e Distrito Federal (R$ 930,33). No outro extremo, Rio Grande do Norte (R$ 797,99), Espírito Santo (R$ 817,99) e Pernambuco (R$ 824,78) ficaram com os menores números.
“Estagnação e dissídios”
Em seu comentário para a reportagem do Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforça que o vilão do aumento do indicador do custo das construtoras amazonenses em setembro foi a mão de obra. No entendimento do pesquisador, sem novos reajustes salariais para a mão de obra no curto prazo, a tendência é de equilíbrio para o indicador nos próximos meses, dada a desaceleração nos reajustes dos materiais.
“Como resultado de um acordo entre patrões e empregados, tivemos reposição nos salários dos trabalhadores, e isso elevou consideravelmente o índice do mês. Os materiais subiram pouco, indicando uma possível estagnação nas elevações para os próximos meses. O Amazonas ainda tem um dos menores custos médios por metro quadrado do país. Não que aqui os reajustes não tenham ocorrido, mas as outras praças também elevaram seus preços nos últimos meses”, comparou.
Em texto divulgado pela Agência de Notícias IBGE, o gerente do Sinapi, Augusto Oliveira, ressaltou que o aumento atípico no custo do trabalho na construção civil do Amazonas também se deu em Goiás –que registrou a maior elevação –e Rio Grande do Sul, em função de dissídios. Segundo o pesquisador, isso acarretou em aumento de 0,40% na parcela da mão de obra, enquanto o aumento nos valores da fatia relativa aos insumos para a atividade estaria perdendo força.
“A taxa de 0,88% não só é a menor do ano, como mostra uma desaceleração que vem ocorrendo desde julho. Isso ocorre muito em decorrência de uma acomodação dos preços dos materiais, que começaram a ter altas menores. Todos os segmentos de insumos estão desacelerando. O aço, que teve peso muito grande nos últimos meses, ainda apresenta alta, mas de forma menos impactante. Mas, vale ressaltar que a taxa ainda é muito alta em relação à série histórica”, ponderou.
Inflação e juros
Em entrevistas anteriores à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Amazonas), Frank Souza, já havia previsto que o reajuste concedido aos trabalhadores, mediante acordo, iria refletir no indicador de setembro. Mesmo assim, o dirigente apontou que o descolamento entre os custos dos materiais e da mão de obra na composição do preço do metro quadrado local já indicava uma vantagem de 63% sobre 37%, respectivamente.
Frank Souza salientou que, a despeito da continuidade dos aumentos dos preços de materiais, os preços já apresentavam desaceleração, especialmente em “capitais de maior porte”, o que apontaria para uma bem-vinda tendência de estabilização, nos próximos meses. O jogo de gato e rato entre IPCA e juros básicos, contudo, ainda preocupa o setor. “O ponto negativo é que o custo ainda está acima da inflação, fator que já está corroendo o salário do interessado em comprar imóveis. E isso puxa a taxa Selic para cima, encarecendo a prestação para o comprador”, encerrou.
Foto/Destaque: Divulgação







