‘Pacto com as Nações Unidas vai fortalecer pecuária no Brasil’, diz Muni Lourenço

Em: 4 de novembro de 2021

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, vai participar da Cop-26 (26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), que acontece em Glasgow, na Escócia. O encontro é a principal cúpula da ONU para o debate sobre as questões climáticas.

Lourenço disse acompanhar discussões relevantes sobre agricultura e pecuária, dois temas que são alvos constantes de grandes controvérsias, contribuindo para o aumento dos gases de efeito estufa, segundo argumentam ambientalistas.

Ele estará dia 8 de novembro em Glasgow. Lourenço aponta importantes acordos fechados com a conferência das Nações Unidas, principalmente sobre o compromisso firmado pelo Brasil para a redução em 30% na emissão de gás metano, uma decisão assumida pelo governo brasileiro. E referendada por mais de 100 países.

“O objetivo é dar celeridade às medidas que reduzam esses impactos negativos contra o ambiente, em especial à rica biodiversidade amazônica, tão importante para manter o equilíbrio do ecossistema mundial”, avalia Muni Lourenço.

Na Escócia, ele anunciou que reforçará a importância de se introduzir novas tecnologias para a integração do tripé – lavoura, pecuária e floresta, possibilitando um desenvolvimento econômico sustentável para preservar o meio ambiente e ao mesmo tempo também gerando mais empregos e renda à população da região.

Para Muni Lourenço, o pacto com as Nações Unidas vai melhorar a eficiência do setor agropecuário no Brasil. “É importante a inovação tecnológica para a redução dos gases nocivos ao meio ambiente. E, ao mesmo tempo, também é essencial recuperar pastagens e introduzir novos aditivos para alimentação bovina”, acrescentou o gestor. Muni Lourenço também é vice-presidente da CNA (Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil).

Ele falou à imprensa antes de viajar à Escócia, onde participará das discussões da Cop-26.

Lideranças apontam que a pecuária é uma das maiores ameaças contra a rica biodiversidade amazônica. Mas a sobrevivência econômica do homem amazônico parece estar sempre relegada a um segundo plano. Como avalia essa questão?

Muni Lourenço – Claro, é evidente que todas essas riquezas naturais devem gerar benefícios à população da região. Mas não devemos esquecer a importância de priorizar projetos sustentáveis que preservem a natureza e gerem ao mesmo tempo mais empregos e renda. É uma questão muito controversa, mas aos poucos caminhamos para soluções.

Como vê os acordos firmados entre as Nações Unidas e o governo brasileiro para a redução em 30% do nível de emissão de gases até 2030, uma decisão referendada por mais de 100 países?

Muni Lourenço – Estamos acompanhando para que esses acordos de aceleração da redução de gases de efeito estufa possam, de um lado, mais uma vez, sinalizar o compromisso da pecuária brasileira em contribuir com a questão climática. São medidas importantes envolvendo questões referentes à pecuária e agricultura.

Mas os países envolvidos na questão têm que garantir financiamentos para que o Brasil possa ampliar políticas de difusão de novas tecnologias de redução de gases de efeito estufa como, por exemplo, a integração do tripé lavoura, pecuária e floresta.

De que forma podemos explorar uma pecuária sustentável? A região tem vocação para essas atividades?

Muni Lourenço – Estudos científicos apontam que a pecuária é viável na Amazônia, podendo ser uma atividade sustentável. O problema é que predominam ainda as velhas práticas no campo num momento em que o mundo passa por grandes revoluções no agronegócio.

A assinatura desses acordos pode vir a ser um incremento no aumento da eficiência da pecuária brasileira, mas para isso consideramos importante que haja investimentos.

Tem que investir em tecnologia, criando novos aditivos para o gado e novas formas de criação, mas protegendo o ambiente. Sou defensor de boas práticas no campo que preservem a biodiversidade, a nossa maior riqueza. Temos que priorizar a tecnificação, uma opção que pode agregar mais serviços e aumentar a produção. O desenvolvimento pode vir por aí, mas claro sempre preservando a natureza.

Como ter acesso a novas tecnologias para atividades no campo?

Muni Lourenço – As Nações Unidas devem dar essa contrapartida. As tecnologias serão fundamentais para todo o universo de pecuaristas no Brasil, que são cerca de 2,5 milhões. Com apoio para que produtor rural faça esse esforço adicional que consta nesses acordos. Atualmente, a agropecuária brasileira faz uso das tecnologias disponíveis em duas frentes: melhoramento genético e nutrição animal.

Foto/Destaque: Lucas Silva

Marcelo Peres

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