Cheia do Rio Negro preocupa produtores no AM

Em: 15 de novembro de 2021

O comportamento do rio Negro marcando 5 centímetros no seu nível de cota diária tem preocupado o setor primário. O índice está 3 centímetros maior que no mesmo período do ano passado, o que pode atingir mais cedo a produção agrícola. Para se ter uma ideia, o nível do Negro subiu quase 15 centímentros em poucos dias atingindo na sexta-feira, dia 12, 19,66 metros. 

O Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas), já segue em alerta observando o comportamento e monitorando.  Apesar de ainda não apresentarem perdas nas produções, o Idam já está monitorando os municípios do Alto Solimões, Alto Juruá , Alto Purus e Madeira, que geralmente são os primeiros a serem impactados. 

“A enchente está começando e está adiantada pelo menos em um mês. O nível do rio está registrando uma média de 5 centímetros por dia. Possivelmente os efeitos na produção agrícola devem se antecipar e começar a dar sinais de perdas no fim de dezembro”, Lázaro Reis, extensionista rural do Idam. 

O evento pode comprometer também  o abastecimento de produtos como hortifrutis a Manaus a partir de fevereiro de 2022. Para o presidente da Faea (Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, o compasso acelerado do nível das águas não deixa de acender um sinal amarelo. “O risco e a preocupação diretamente não é com vazante aquém do normal, mas com o risco de uma nova grande cheia e sua antecipação.O nosso maior receio é uma nova grande cheia, mas ainda é cedo para que se tenha conclusões”. 

O receio para o setor  é que o nível das águas venha comprometer a curto e médio prazo a atividade primária do estado principalmente, as áreas de várzea. Considerando que nas últimas semanas a  intensidade dessa subida aumentou. 

A preocupação do setor em torno do nível das águas, tem motivo, até meados deste ano, a subida acelerada das águas trouxe risco ao cultivo de diversos produtos e afetou diversas famílias em vários municípios do Estado. 

De acordo com Lázaro Reis, na cheia passada, o  Idam lançou o primeiro boletim de monitoramento com a coleta referente às perdas em março. “As perdas começaram em fevereiro. O último boletim foi divulgado em junho contabilizando mais de R$200 milhões de prejuízos em cerca de 26 municipios”.

Muni lembra que a produção rural dos municípios, principalmente nas áreas de várzeas, que incluem os municípios nas calhas dos rios Juruá e Purus estiveram entre os atingidos. Impactos na produção de hortaliças e fruticultura, como maracujá e banana, além da alface e do cheiro verde, sofreram efeitos. 

Moderação

O pesquisador do SGB-CPRM (Serviço Geológico do Brasil) André Martinelli, pondera e diz que é preciso aguardar o comportamento do rio Negro na estação de Manaus por mais  uma semana para confirmar se realmente foi iniciada a cheia deste novo ciclo hidrológico 21/22. “Isso porque o rio Negro em suas estações mais à montante ainda está dominado pelo processo de vazante. Essa elevação no rio Negro em Manaus está mais relacionada ao que ocorre na bacia do Solimões, onde o processo de cheia já foi iniciado há cerca de 3 semanas em Tabatinga (estação monitorada mais rio acima)”. 

Ele não afirma que a cheia foi iniciada, e que é preciso avaliar o comportamento desta semana nas estações localizadas rio acima no rio Negro desde São Gabriel da Cachoeira. Segundo ele, sobre as chuvas na região, já é um fato que a bacia do rio Negro por um todo sofreu impactos com anomalias positivas de chuvas, ou seja, chuvas acima do esperado para o período de análise. “Essas anomalias trouxeram níveis acima do esperado para todas as estações monitoradas no rio Negro (exceto Manaus que manteve os valores dentro da faixa de maior permanência, em outras palavras, níveis dentro do esperado)”. 

Analisando a série histórica de quase 120 anos, já ocorreu cotas acima desta cota atual em que a cheia seguinte não efetivou em cheia de grande magnitude. O sistema fluvial amazônico é muito dinâmico e tem forte dependência da climatologia que vem sofrendo muito com as mudanças provocadas pelo aquecimento global em função principalmente do desmatamento e queimadas.

Fenômeno

O secretário de estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, diz que ainda é muito cedo para fazer qualquer tipo de análise, mas lembra que o o rio Negro não secou como de cosutume em algumas areas o que está assaociado ao represamento do do volume de aguas do rio Amazonas. “Há uma indicação do Centro de Monitoramento Integrado da Amazônia sinalizando a possível ocorrência do fenômeno El Niño, já há uma preparação com a Defesa Civil  “Os eventos extremos na Amazônia estão cada vez mais curtos a gente tem uma concentração cada vez maior de chuva e de seca na Amazônia”. 

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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